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Antes de Bellucci, homem mais rico do país jogou Davis. E contra Argentina

Jorge Paulo Lemann, 74, é o homem mais rico do Brasil com US$ 25 bilhões - Mastrangelo Reino/Folhapress
Jorge Paulo Lemann, 74, é o homem mais rico do Brasil com US$ 25 bilhões Imagem: Mastrangelo Reino/Folhapress

Gustavo Franceschini

Do UOL, em São Paulo

06/03/2015 06h00

A partir desta sexta, o Brasil começa a disputar uma vaga nas quartas de final da Copa Davis contra a Argentina, fora de casa, em Buenos Aires. Desta vez, a missão caberá a Thomaz Bellucci, João “Feijão” Souza, Marcelo Melo e Bruno Soares. Um dia, quem tentou derrubar os rivais do país vizinho foi o homem mais rico do país, Jorge Paulo Lemann.

Se você não conhece, ele é o 26º homem mais rico do mundo, segundo ranking da revista Forbes divulgado nesta semana. Lemann é dono de Ambev, a gigante do ramo de bebidas que detém marcas como Brahma, Skol e Budweiser, além de outras empresas como Burguer King e Heinz. A fortuna do empresário é estimada em US$ 25 bilhões (R$ 71,45 bi).

Antes de tudo isso, porém, ele era tenista, e não um qualquer. Lemann foi campeão brasileiro, disputou torneios como Wimbledon e enfrentou grandes nomes do esporte nos anos 1960 e 1970. Em 1973, quando o Brasil se preparava para disputar a semifinal da gira sul-americana da Davis contra a Argentina, fora de casa. Thomaz Koch, um dos titulares, se machucou. Lá foi Jorge Paulo Lemann.

“Quem convocava a equipe, que era mais ou menos já convocada, era o próprio presidente da CBT da época. Ele [Lemann] tinha sido campeão brasileiro pouco antes, acho. Ele era um dos melhores do país, todos nós o conhecíamos. A convocação dele foi algo natural. A única coisa é que ele não jogava o circuito”, disse Carlos Alberto Kirmayr, um dos maiores nomes do tênis do país e membro daquela equipe, em entrevista ao UOL Esporte.

Filho de uma família endinheirada que se mudou da Suíça para o Rio de Janeiro, Lemann praticou tênis desde criança. Estudou em Harvard e levou o esporte como atividade prioritária durante poucos anos após a faculdade. Quando se estabeleceu na capital fluminense para iniciar a carreira no mundo dos negócios, passou a rodar menos o mundo, mas sem deixar de entrar em quadra, às vezes em torneios importantes.

A passagem pela Copa Davis em 1973 foi a segunda da carreira de Lemann, que havia defendido a Suíça 11 anos antes. Pelo Brasil, enfrentou ninguém menos que Guillermo Vilas, um ícone do tênis argentino e mundial que venceu quatro Grand Slams na carreira. Perdeu por 3 sets a 1 (6/2, 6/3, 1/6 e 6/2), mas deixou uma ótima impressão.

“Ele levou Vilas a quatro sets na Davis. Vilas era um dos primeiros do mundo, foi uma façanha inacreditável para um amador. Ele treinava de manhã, às 6h, antes de ir trabalhar, e depois no final do trabalho, se desse tempo. Se o [Thomaz] Bellucci tivesse um quinto da concentração dele seria outro jogador", conta o jornalista e ex-jogador Roberto Marcher, um dos autores do livro "O Tênis no Brasil – de Maria Esther Bueno a Gustavo Kuerten", em entrevista ao UOL Esporte em 2013.

“Ele é dez anos mais velho que eu. Ele era preparado, um cara fora da curva. Abandonou relativamente rápido o circuito, mas nunca deixou de jogar, de ser sério. Foi número 1 do Brasil por muitos anos. Era um osso duro de roer, focado e ganhador. A minha primeira vitória contra ele foi considerada por mim, à época, a melhor vitória da minha vida até então. Era um passaporte para um outro nível”, disse Kirmayr.

Jorge Lemann, no auge no tênis e campeão do Paulistano Seniors 2012 (à dir.) - Reprodução e Seniors Brasil/Divulgação - Reprodução e Seniors Brasil/Divulgação
Jorge Lemann, no auge no tênis e campeão do Paulistano Seniors 2012 (à dir.)
Imagem: Reprodução e Seniors Brasil/Divulgação

Lemann ainda perderia de Julian Ganzabal, fechando um confronto que ficou marcado pela vitória de Édson Mandarino, na primeira rodada, contra Julian Ganzabal. Depois de quatro sets, extenuado, o brasileiro passou duas horas recebendo massagem no vestiário e ainda assim teve de ser encaminhado a um hospital com desidratação.

Kirmayr, que só jogaria duplas, entrou na vaga do colega, mas também não conseguiu bater Vilas. No fim, os argentinos venceram por 4 a 1 e avançaram na Copa Davis daquele ano. Desde então, ocorreram outros cinco confrontos entre os dois países na competição, todos pelo zonal continental e nunca mais com Lemann em quadra.

O bilionário, porém, joga até hoje como prática esportiva e também em caráter competitivo, em torneios de masters. A importância dada ao esporte Lemann não hesita em dizer que o caráter do tênis teve papel fundamental na sua formação como empresário.

“O tênis foi muito importante, porque ele exige muita disciplina, muito treino, muita competição. Então eu gostava de competir. No tênis você aprende que para ser bom mesmo você tem de treinar. Tem de gostar do que você faz, aprende que você ganha e perde, e quando perde pode usar aquela experiência para aprender. Por isso, a minha atitude nos negócios sempre foi de estar ligado, ter foco”, disse Jorge Paulo Lemann ao site Na Prática, da Fundação Estudar. 

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