! UOL Esporte - Retrospectiva 2006

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Alonso brilha e leva o bi; Massa se projeta como futura estrela, e Schumacher se despede de forma memorável

O filme foi o mesmo, mas com três finais distintos -e felizes para todos os protagonistas. Palco da última etapa do Mundial em 2006, o Grande Prêmio do Brasil coroou uma temporada eletrizante. O alemão Michael Schumacher deixou as pistas e entrou no rol de aposentados como uma das lendas do esporte, sete títulos no currículo e inúmeros recordes na bagagem. O espanhol Fernando Alonso conquistou seu segundo título mundial -o mais jovem a atingir tal feito-, mostrou maturidade e vai entrar em 2007 como o único campeão na categoria. Já Felipe Massa terminou o ano em alta, sendo o primeiro brasileiro a vencer em casa após 13 anos de ausência e, agora, consolidado como titular da Ferrari.

O ano tinha tudo para ser uma repetição de 2005, quando o dominante vermelho-Ferrari passou por um momento de decadência e assistiu ao domínio total do azul-Renault, encabeçada por Alonso. A única vitória do alemão veio no tumultuado GP dos EUA, quando apenas seis pilotos entraram na pista. Parecia o adeus, um tanto melancólico, de Schumacher com o lugar mais alto do pódio.

EFE Ferrari
Péssima em 2005, a escuderia reagiu e ficou próxima de títulos em 2006
AFP Jenson Button
Venceu pela 1ª vez e ainda foi um dos melhores durante o segundo semestre
EFE Robert Kubica
Novato polonês surpreendeu com um pódio em sua terceira corrida
Em 2006, a F-1 parecia viver do clichê "mais do mesmo". Alonso abriu a temporada com vitória no Bahrein e repetiu o feito na terceira prova, na Austrália. Na segunda, na Malásia, o número 2 da Renault, Giancarlo Fisichella, chegou na frente, com o espanhol em segundo. Em três corridas, Alonso somava 28 pontos, contra apenas 11 de Schumacher, confirmando, até aquele momento, o tal "mais do mesmo".

O alemão só encerrou o jejum em San Marino, quase um ano depois da vitória nos EUA, quando largou na pole e interrompeu o domínio da Renault na temporada. O sucesso reanimou Schumacher, que repetiu a dose na prova seguinte, no GP da Europa, em Nurburgring, na Alemanha. A estratégia de adiar a parada nos boxes deu certo, e ele superou Alonso, que havia largado na pole, dando uma leve esperança de que a monotonia vigente não tomaria mais conta da F-1. O terceiro colocado foi o brasileiro Felipe Massa, que conquistara seu primeiro pódio na categoria e dava a impressão que não seria apenas mais um "escudeiro" do heptacampeão.

Schumacher reduzira a diferença de Alonso para 13 pontos, 44 a 31, mas a reação parecia ter sido apenas "fogo de palha". Nas quatro etapas seguintes -Espanha, Mônaco, Inglaterra e Canadá-, o espanhol terminou na frente, chegando aos 84 pontos (em 90 possíveis), deixando o alemão com 59 e dando pinta de que conquistaria, com certa facilidade, o bi.

Em meio às especulações sobre o fim da carreira, Schumacher tentava retomar o caminho de vitórias. Já Alonso mal sabia que o sucesso no Canadá seria o penúltimo de uma temporada das mais movimentadas da F-1. E foi nos EUA, mesmo palco da controversa prova de 2005, que o alemão literalmente voltou a sorrir, se reencontrando com o topo. Alonso foi apenas o quinto e interrompeu uma série de 15 pódios seguidos.

J. P. Montoya
Anunciou ida para a Nascar em 2007; a McLaren não gostou e o demitiu
EFE
Jacques Villeneuve
Dispensado da BMW, o campeão em 97 pode ter se aposentado da F-1
AFP
Nico Rosberg
Filho de campeão, somou 4 pontos e fracassou ao tentar reerguer a Williams
Reuters
Embalado, Schumacher venceu na França pela oitava vez. No pódio, pulou como uma criança, mostrando aos rivais -especialmente Alonso- que ainda estava vivo na briga pelo título. Em sua casa, na Alemanha, chegou mais uma vez em primeiro e deixou de lado a frieza para festejar em seu "quintal", diminuindo a vantagem do espanhol para 11 pontos, 100 a 89.

Nas quatro provas seguintes, Alonso não deu sorte. Amargou duas corridas sem pontuar e engoliu duas vitórias de Schumacher. Pressionado pelo avanço do alemão, o atual campeão mostrou suas fraquezas. Na China, após um erro de estratégia, acabou em segundo. Pior, viu o rival vencer e assumir, pela primeira vez na temporada, a liderança da competição, invertendo o "mais do mesmo". O espanhol, então, mostrou seu lado imaturo, disparando críticas à sua escuderia e iniciando um clima de desavença interna, intensificado pelo fato de o piloto partir para a McLaren em 2007.

Enquanto isso, Schumacher anunciava sua aposentadoria e ganhava força, expondo ainda mais seu bom relacionamento com todos os membros da Ferrari e dobrando sua determinação em busca daquele que seria seu último título.

Assim, no Japão, a Ferrari chegou animada pelos recentes bons resultados, enquanto a Renault, acuada, tentou abafar a crise interna. Mas a prova de Suzuka foi responsável pela grande virada de Alonso -e da escuderia francesa- no ano e foi fundamental para o bicampeonato do espanhol. Schumacher liderava com boa vantagem, mas, a 17 voltas do fim, viu o motor de seu carro quebrar -o que não acontecia desde o GP da França, em 2000. A vitória caiu do colo do atual campeão, que voltou ao topo na classificação. Mais do que isso, apenas um desastre no Brasil tiraria seu segundo título.

Schumacher precisava vencer e ainda torcer para que Alonso não pontuasse em Interlagos, na última prova do ano e que marcadia o adeus do heptacampeão da categoria que ajudou a reerguer. O alemão teve problemas no treino e largou apenas em 10º, enquanto o rival saiu em quarto. Na prova, o piloto da Ferrari teve um desempenho quase irretocável, digno de uma bela despedida: alcançou o sexto lugar rapidamente, mas um furo no pneu ao ultrapassar Fisichella atrapalhou seus planos. Voltou em último e, com maestria, terminou na quarta colocação, encerrando sua carreira de forma honrosa após uma verdadeira aula de automobilismo.

Alonso, ao contário, teve uma prova tranqüila, controlou bem seu rendimento e acabou em segundo, resultado que bastou para o bi. Os holofotes também ficaram sobre Massa: o jovem piloto encerrou um jejum de 13 anos sem vitória de um brasileiro em Interlagos -a última havia sido com Ayrton Senna, em 1993- e fez a festa nacional em uma prova que coroou o memorável ano da categoria, como há muito não se via, e sem o "mais do mesmo" que reinava na F-1.
"Imbatível", Rossi cai e perde título
Imbatível, Valentino Rossi era o Schumacher das duas rodas. Aos 27 anos e tetra da MotoGP, ele ainda soma os títulos das 500cc, 250cc e 125cc. Assim, o trabalho de "derrubar" o vencedor era ingrato. Mas a queda aconteceu, fato vivido um ano antes por Schumacher na Fórmula 1.

O italiano sofreu durante todo o início de temporada com problemas na moto. Já Nicky Hayden, dos EUA, era regular e pintava como candidato ao título.

Mas Hayden só conseguiu dominar até a metade do ano, quando Rossi, como campeão que é, reagiu. Assim, o título só foi decidido na última etapa do ano.

Hayden poderia ter conquistado o campeonato na penúltima corrida, em Portugal, mas um fato inusitado o impediu de comemorar. Seu companheiro de equipe, Dani Pedrosa, em uma fatalidade se chocou com Hayden, levando ao abandono de ambos. Melhor para Rossi, que terminou em segundo e assumiu a liderança.

Na Espanha, foi a vez de Rossi sucumbir. Ele caiu na 3ª volta e foi o 13º. Hayden aproveitou e, com o 3º lugar, quebrou a hegemonia do italiano e garantiu seu primeiro título
na MotoGP.

Desbancado, Rossi voltou a buscar novos desafios fora do motociclismo e mais uma vez participou de uma etapa do Mundial de Rali. Mas, em 2007, deve seguir na MotoGP, tentando reaver hegemonia.


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