"Dói a cabeça"

Filipe Luís fala sobre como a torcida do Flamengo o impactou em sua volta ao Brasil após anos na Europa

Leo Burlá e Rodrigo Mattos Do UOL, no Rio de Janeiro
Bruna Prado/UOL

"A torcida do Atlético de Madri, em alguns jogos no Vicente Calderón, pulava, cantava e aplaudia. Em alguns jogos, os jogos importantes, partidas de Champions League, nesses jogos, realmente, a gente sentia esse calor. Um ambiente espetacular, insuperável. Mas nos outros jogos era só a parte da torcida atrás do gol. O resto não animava. No estádio novo, ficou mais frio, perdeu muito esse calor, apesar de ter ganhado 20 mil pessoas.

Mas a torcida do Flamengo é em todo jogo. Em todo jogo, todo o Maracanã cantando. Dói a cabeça. Eu cheguei em casa, depois de um jogo, com dor de cabeça do barulho da torcida. A força que a torcida do Flamengo faz durante os 90 minutos é uma coisa que é só estando lá para entender. Pro bem e, acredito, pro mal. Quando o time estiver perdendo, não deve ser fácil. Você sente do campo a força que a torcida impõe no grito, nos cantos e tudo mais.

Na rua, por exemplo. Lá na Espanha, eu tinha uma vida tranquila. Sim, todo mundo me conhecia. Mas, aqui, o torcedor faz questão de te transmitir o que ele tá sentindo, se está feliz, se não está. O torcedor, sempre que te vê na rua, vem falar contigo. Não deixam passar despercebido. Lá, às vezes, eu saía, todo mundo conhecia, mas ninguém falava nada. Aqui, não. Aqui todo mundo fala."

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Filipe Luís, o europeu rubro-negro

Filipe Luís, a maior contratação do Flamengo no segundo semestre, voltou ao Brasil neste ano após toda uma vida na Europa. E, como o texto acima mostra, o impacto foi grande. Afinal, o lateral não é um brasileiro que, enfim, veio jogar no Brasil. É, de certa forma, um "europeu" que decidiu atuar em campos nacionais.

Apesar de seu local de nascimento indicar Santa Catarina, sua formação para o futebol se deu no velho continente, onde chegou aos 19 anos para defender o Ajax. Seu temperamento tranquilo, focado e profissional, também está mais próximo do que se vê na Europa do que por aqui em geral. Talvez daí venha a dor de cabeça que sentiu em seus primeiros jogos no mais icônico estádio do planeta.

Mas é daí, também, que vem sua grande contribuição ao Flamengo e ao futebol brasileiro: seu conhecimento europeu de futebol é algo escasso por aqui. " Eu aprendi muito [na Europa], tanto a marcar, como a me posicionar no campo, coisas que eu não sabia, mas que são importantes. Por exemplo: dominar sempre pra frente, dominar com o pé direito pra tocar com o pé esquerdo, coisas básicas, mas que, por incrível que pareça, às vezes, a gente não aprende nas categorias de base do Brasil".

Essa evolução técnica foi o bônus para sua carreira, mas o ônus foi ser um jogador pouco conhecido no país. Quando foi convocado pela primeira vez para a seleção principal, ainda atuando no La Coruña, houve surpresa e críticas porque no Brasil não tinha passado por um time grande. "Eu tinha 24 anos e foi esse sentimento. Esse sentimento de dizer assim, muito questionado, o pessoal não me conhecia. Eu jogava no La Coruña. "Quem é esse Filipe do La Coruña?". Ninguém conhecia."

De desconhecido, Filipe voltou ao Brasil com o status de jogador de seleção e contratação galática do Flamengo. Um cenário bem diferente de sua saída discreta do Figueirense. Não foi à toa que, quando estava escolhendo seu destino, sua mulher, Patrícia Kasmirski, lhe disse que ele não seria só mais um no país:

Vai poder fazer história"

Filipe Luís falou com o UOL Esporte por pouco mais de uma hora. A entrevista a seguir é o resultado dessa conversa.

Reuters / Michael Dalder Livepic Reuters / Michael Dalder Livepic

O que Filipe Luís aprendeu na Europa:

  • Dominar sempre para frente e não com o corpo voltado para trás
  • Dominar com um pé e passar com o outro para acelerar o jogo
  • Ficar próximo do rival para roubar a bola no erro de domínio
  • Nunca correr de lado ou de costas, só olhando para a bola
  • Achar soluções em passes só ofensivos (porque Simeone não o deixava recuar)
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Libertadores está "longe da intensidade da Europa"

Os anos de Europa tornaram Filipe Luís um "expert" em Champions League. Com dois vice-campeonatos na bagagem (ambos títulos perdidos para o Real Madrid), o jogador vê a competição europeia a anos luz da Libertadores. "Intensidade" é o termo favorito para tentar ilustrar a distância entre o ritmo do principal torneio europeu com o da Copa Libertadores.

"Muito diferente. Muito diferente. O jogo é muito intenso. Todo mundo joga. Você não vê muito cara se escondendo dentro do jogo, também não vi aqui, mas lá é bem mais intenso. Aqui foram muito intensos esses jogos que vi contra o Emelec e depois contra o Inter, mas, na minha opinião, longe da intensidade da Europa. Pode ser que alguém discorde de mim, mas é minha opinião. Não sou dono da verdade", afirmou.

Lembrando: Filipe é uma das apostas do técnico Jorge Jesus para o confronto desta quarta-feira (2), às 21h30, em Porto Alegre, contra o Grêmio. É o primeiro jogo das semifinais do torneio sul-americano — estágio que o Fla não atingia desde 1984.

A maior competição do mundo é a Champions League. Todo jogador quer jogar a Champions, quer jogar nos maiores clubes do mundo. Então, não é uma questão de dinheiro. É uma questão até de seleção brasileira. De onde é mais fácil você chegar à seleção: no Real Madrid ou no Palmeiras? É mais fácil você estar sempre na seleção se você estiver no Real Madrid, no Barcelona

Filipe Luís

Pedro H. Tesch/AGIF Pedro H. Tesch/AGIF

Everton é um dos melhores do Brasil

Próximo de disputar os jogos mais importantes do ano do Flamengo, Filipe Luís considera o rival na semifinal da Libertadores, o Grêmio, como o time mais perigoso do Brasil. E Everton Cebolinha, um dos três melhores do Brasil — se não o melhor.

"O time mais perigoso do Brasil pra jogar, hoje em dia, é o Grêmio. Eles jogam, eles deixam jogar, mas também deixam jogadores na frente sem marcar, então, o contra-ataque deles é muito forte", analisa. "Tem o melhor jogador, talvez, entre os três melhores jogadores do Brasil, que é o Everton, que me deu uma Copa América".

O time gaúcho, porém, tem mais armas: "Esse Pepê é muito rápido. A zaga é excelente, laterais que passam bem pro ataque. Só pra você ver o nível, o Tardelli, um grande jogador, está no banco. O Luan é outro craque. Esse jogo, talvez, seja o mais difícil da temporada que a gente vai ter".

Questionado pela reportagem sobre uma eventual final de Mundial contra o Liverpool, o mesmo rival da final de 1981, ele não evitou o tema. Filipe vê a chance, sim, de o Flamengo encarar de frente o time inglês.

"O Flamengo precisaria fazer o melhor jogo do ano contra o Liverpool pra poder ganhar. Essa é a realidade", disse ele, exaltando a força física e a bola parada "melhor da Europa" . "O nosso time também é time muito bom, muito sólido, ainda falta muito tempo até lá, mas, com certeza, tem jogo, dá jogo, mas precisamos estar na nossa melhor versão."

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Flamengo poderia competir na Premier League

Aproveitando o tema Liverpool, não é apenas com o sonho de uma final de Mundial que o Flamengo anda cruzando com times ingleses. Em uma entrevista para o Esporte Espetacular, o técnico Jorge Jesus afirmou que o Flamengo lutaria pelo título em Portugal e poderia lutar por um lugar entre os melhores colocados na Inglaterra. Filipe concorda com o "mister".

"O Campeonato Inglês, principalmente, é muito mais intenso. Muito mais intenso. Então, seria uma adaptação em todos os jogadores, mas, com certeza, eu também vejo da mesma forma. Mas, como falei, com adaptação".

Para ele, existem dois pontos que explicam essa adaptação: o gramado e as reclamações com arbitragem. Antes mesmo de fechar com o Flamengo, Filipe Luís já tinha aconselhado o presidente rubro-negro, Rodolfo Landim, a trocar o gramado do Maracanã. Sua tese é de que o tipo de campo carecia do tipo de grama que torna o jogo mais veloz.

"Não é que o gramado é ruim ou bom. É o tipo da grama. Faz com que a bola seja mais lenta, seca rápido, a bola não vai com a mesma velocidade que vai o gramado da Europa — ou no gramado do Corinthians ou do Beira-Rio, que foram, até agora, os que eu vi que são iguais aos da Europa", explica o jogador.

Outro ponto que atrasa o jogo são as entradas recorrentes da maca em campo. "Na Inglaterra, não entra maca. Então, você perde dois minutos com a maca entrando, tirando o jogador de campo, pra ele sair da maca, levantar e voltar. Lá, se você saiu e você voltou, a tua própria torcida vai te vaiar. Todo mundo quer jogar, todo mundo quer que a bola esteja em jogo", detalhou.

Sobre a arbitragem, Filipe fez elogios aos juízes brasileiros, mas lamentou o excesso de faltas marcadas. E culpou os jogadores por desacelerar os jogos ao ficar no chão. "Isso é uma coisa que deixa o jogo muito lento. Somos os primeiros a parar o jogo."

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Incômodo com a "Central do Apito"

Durante toda a conversa no Ninho do Urubu, o lateral demonstra incômodo com alguns hábitos do futebol brasileiro. Para ele, porém, nada é mais lamentável que a exposição do trabalho dos árbitros. Filipe é intransigente não apenas ao "cai-cai" que atrasa o jogo ou ao número de vezes que a maca entra em campo. Para ele, toda essa dificuldade da arbitragem é aumentada com "apoio" da imprensa.

"A imprensa faz a 'Central do Apito' e analisa o jogo do juiz. Acaba forçando uma situação de sempre jogar a torcida e os próprios jogadores contra os árbitros. Eu acho que o árbitro tem de passar despercebido. Quanto menos se falar do juiz, melhor. Aqui no Brasil, por exemplo, eu já vi várias declarações de jogadores sentando a porrada no juiz. Na Inglaterra é proibido. Se você falar mal do árbitro, você é suspenso de três a oito jogos".

Ele jurou que a qualidade dos juízes brasileiros o surpreendeu positivamente, mas pediu que seus colegas de profissão colaborem para a fluência dos jogos: "Quando a gente começar a respeitar esse lado do juiz, o futebol vai ficar mais dinâmico, o juiz vai conseguir deixar o jogo rolar mais".

Temos que acabar com isso de pichar muro, de quebrar carro. Isso aí não tem que existir mais. Se funcionasse, o Barcelona nunca teria sido campeão. Porque o Barcelona nunca tem torcida que os pressiona. Eles jogam soltos

sobre violência da torcida

A pressão, por exemplo, da torcida com o clube, faz com que se tome decisões precipitadas. Faz com que se mande jogadores embora que não deveriam ir porque vão acabar explodindo. Mas não se tem paciência

sobre o excesso de cobrança

Thiago Ribeiro/AGIF Thiago Ribeiro/AGIF

Acerto com Flamengo tem nome: Diego Ribas

A chegada de Filipe Luís ao Flamengo pode ter pegado alguns desprevenidos. Mas não um meia que, no momento, está se recuperando. Diego Ribas, camisa 10 do time, foi o responsável por convencer Filipe a voltar para o Brasil.

"Se não fosse o Diego, eu não estava aqui. O Diego é um dos melhores amigos que eu fiz no futebol. Joguei com ele no Atlético e ele me falou tudo, tudo. Ele nunca disse 'por favor, vem'. Mas me falou tudo o que ele pensava: 'É maravilhoso, mas não é fácil. Tem que vir preparado'".

Até agora, a vida de Filipe foi boa. O Flamengo engatou oito vitórias seguidas, chegou à liderança do Campeonato Brasileiro e, aproveitando as ideias de Jorge Jesus e de um elenco estrelado, joga o melhor futebol do país atualmente — por mais que Renato Gaúcho, o rival da semifinal da Libertadores, discorde.

"Temos um time que sabe como jogar, tem um sistema de jogo claro, todo mundo sabe como se posicionar no campo, tem as ideias claras. Não tem ninguém fazendo uma coisa que não deva fazer", conta. "A gente sabe que o lateral, quando pega a bola, tem que ter uma linha de passe do ponta que tá por fora, do atacante, do volante e do zagueiro. Então, com essas linhas de passe, tudo fica mais fácil. Se não tiver, faltar um, é um problema, mas, como você falou, pode mudar as peças, os nomes, mas sempre vão estar naquele lugar que eles precisam estar".

Estou no Flamengo, também, porque quero continuar no alto nível e quero continuar sendo convocado pra seleção. Antes dessa convocação, eu conversei com o Tite. Obviamente, ele tem que testar outros meninos, tem que mudar e tudo mais. Eu entendo. Mas vou sempre estar disponível

Filipe Luís

Michael Regan - FIFA/FIFA via Getty Images Michael Regan - FIFA/FIFA via Getty Images

Copa de 2018 foi "uma derrota só"

Aos 34 anos, Filipe Luís não pensa em deixar a seleção brasileira, como a frase acima mostra. Aliás, nas palavras dele: "Nunca vou me aposentar da seleção. A seleção é que vai ter de me aposentar". Essa postura de amor à camisa amarela é a mesma ao analisar a derrota na Copa do Mundo da Rússia, no ano passado.

"Foi um jogo. Um jogo que o Brasil perdeu. Não foram oito jogos contra Bélgica, Espanha, França, Alemanha. Então, não podemos tirar conclusão de um jogo. Deu errado, foi um gol contra, foi um gol ali que a gente não conseguiu parar. Mas colocamos eles defendendo dentro da área, nosso time jogou muita bola. Foram dois gols que acabaram eliminando a gente. O Brasil tem talento, tem um grande treinador, tem técnica, tem tática, tem tudo para poder ter o maior número de chances de ganhar".

Segundo ele, essa lógica vale, também, para outros rivais sul-americanos. "Brasil e Argentina são seleções que podem competir perfeitamente. O Uruguai também chegou, em 2010, na semifinal", diz. "O Brasil vai voltar a ganhar uma Copa. É difícil, é a cada quatro anos, depende também da geração. A Itália desde 2006 não chega. Não é fácil se manter sempre lá em cima, mas o Brasil tem tudo para fazer isso. Tem talentos, tem o Neymar, tem o Coutinho... Talvez seja a seleção mais completa. E está nesse processo de convocar jogadores jovens".

AP AP

"Neymar é imparável"

Colega do astro do PSG na seleção, Filipe vê como "desagradável" o episódio que culminou com a permanência de Neymar na França — o atacante pediu para deixar o clube, mas a diretoria se negou a negociá-lo pelas ofertas que apareceram. O resgate da alegria do craque, para ele, é decisivo para o futuro da equipe nacional.

"O Brasil precisa do Neymar feliz. Isso é muito importante para a gente. Isso depende muito mais dele do que do resto, mas ele tá no caminho. Quando ele está bem, é imparável".

O lateral-esquerdo, no entanto, é contra o status de "Salvador da Pátria" que o jogador do PSG carrega. Ele listou uma série de outros nomes que, segundo ele, são de altíssimo nível: Douglas Costa, William, Gabriel Jesus e Coutinho.

"Esse é o conceito que a gente tem que entender: que o Neymar é muito bom, ele é o melhor jogador do Brasil sem nenhuma dúvida, disparado, mas ele é um cara que faz a parte dele dentro do campo, não vai fazer mais que os outros", apontou.

O Brasil é o país com mais jogadores na Champions. Como eu falei, é uma fábrica interminável. Talento a gente tem

Filipe Luís

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Futuro "Mister"

O camisa 16 do Flamengo ainda não pensa em pendurar as chuteiras, mas já tem muito claro em mente que seu futuro está à beira do campo. Discípulo de super técnicos do calibre de José Mourinho e Diego Simeone, Filipe Luís afirmou que tentará seguir sua trajetória na função de "Mister".

"Eu vou tentar. Isso com certeza. A primeira coisa que eu vou fazer quando parar vai ser começar o curso de técnico. Outra coisa é conseguir, mas que eu vou tentar, eu vou".

Questionado sobre os treinadores que o marcaram, ele citou o argentino do Atlético de Madrid, o português que o treinou no Chelsea, além de Tite, Dorival Jr. e Jorge Jesus. Sobre seu estilo no comando, Filipe disse que tudo depende do grupo que tiver em mãos.

"Depende do time. Mas aí o cara pega um time que tecnicamente é horrível e ainda quer impor as ideias de sair jogando. Eu não concordo. Eu acho que treinador tem de entender que você precisa de peças específicas para esse conceito, para propor jogo."

Ed Syker/Reuters Ed Syker/Reuters

"Cada um tem uma coisa que gostei. A intensidade do Simeone, o jeito que estuda os adversários. A maneira de propor o jogo do Tite. A linha do Jorge Jesus, como joga taticamente. Os treinos e a forma de falar do Mourinho. A maneira que o [ex-técnico do La Coruña, Miguel Angel] Lotina tinha de lidar com cada jogador. O Dorival [Júnior], por exemplo, as coisas que ele ensinava pessoalmente pra cada um, quando me treinou no Figueirense. O Tite eu já falei, né? Propor o jogo sempre com uma estabilidade grande. Cada um tem os seus pontos, tomara que possa juntar todos"

Filipe Luís, sobre as influências que quer como treinador

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Esposa "pagou o pato"

Durante a negociação que resultou no acerto com o Flamengo, Patricia Kasmirski, esposa do jogador, surgiu como uma possível "vilã" antes de as partes se entenderem. Pintou nas redes sociais uma versão de que a espanhola não queria vir para o Brasil, versão contestada com veemência pelo atleta. Ele garantiu que recebeu quatro propostas da Europa, mas que o aceno rubro-negro mexeu até com Patricia.

"Ela disse: lá no Brasil você não vai ser mais um. Você vai ser um cara importante dentro do clube. Você vai poder fazer história", lembrou.
O namoro começou por volta de março e abril deste ano, mas a coisa esquentou durante a Copa América. Com o presidente Rodolfo Landim na chefia da delegação, a aproximação foi natural e foi selada após a competição continental.

E com o apoio de Patrícia, garante: "Se você pegar todos os recortes de jornais, de todas as coisas que se falaram, é uma coisa que me decepcionou bastante. A quantidade de notícias falsas que saíram. É um tipo de jornalismo que não é sério e que acontece, infelizmente, acontece, não só aqui, acontece também na Espanha. Aconteceu isso aí também com a história da minha esposa e a pobrezinha foi a que mais fez força pra eu vir pra cá".

Livros e inquietude

Filipe valoriza o tempo em que não está jogando, treinando ou viajando. Do tipo que entende a necessidade de cuidar do corpo e do descanso, o lateral aproveita o tempo livre com os filhos, a esposa e livros, muitos livros.

O cardápio deste leitor rubro-negro é vasto. No momento, a leitura indicada por ele é o "Jogo interior do tênis", um presente do amigo Diego Ribas:

"Eu leio tudo. Desde astronomia. Tudo que tiver leis, advogados, medicina, eu gosto muito de ler".

Recentemente, Filipe foi ao "Bem, amigos" e surpreendeu ao montar com rapidez um "cubo mágico". Esta fixação por aprender coisas diversas é algo nato, ele diz, e tudo isso se soma na hora de entrar em campo.

"Eu sou um cara bem inquieto, então, eu estou sempre procurando informações. A vida e o futebol vão ligados. Tudo o que eu faço eu tento aprender, tento levar para o jogo. Gosto de ler muitos livros para também aprender a me entender, a entender o que eu estou pensando no jogo. Eu sou assim, não é porque eu quero ser melhor jogador ou por nada. Eu sou assim desde pequeno. Inquieto", filosofou.

Bruna Prado/UOL Bruna Prado/UOL

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