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30/08/2006 - 09h40

Brasileiros seguem vias longas, tortuosas ou bloqueadas até o Pan

Bruno Doro
Em São Paulo

Uma das vantagens de organizar os Jogos Pan-Americanos é a certeza de que, em todas as modalidades, o Brasil terá um representante. O único problema, pelo menos para os atletas tentando garantir um desses lugares, é saber como chegar até lá.

Cada uma das 41 modalidades presentes no Pan tem os seus caminhos próprios para escolher quem vai defender o país no Rio-2007. Na maioria, o trajeto é longo, árduo e tortuoso. Em algumas, os critérios de classificação não poderiam ser mais confusos. Em outras, as vagas já estão bloqueadas.

CAMINHOS TORTUOSOS
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Na luta olímpica, são seis seletivas, em que os vencedores se eliminam até a quinta seletiva. Na última, porém, os vencedores de três das cinco etapas, mais o líder do ranking, se enfrentam em sistema todos-contra-todos. Só aí o campeão vai ao Pan
Um dos casos mais estranhos é o do caratê. Uma seletiva, realizada no começo de 2006, definiu o nome dos 18 integrantes da seleção permanente. Desse grupo, nove serão escolhidos pelos técnicos para lutar no Rio de Janeiro.

Um detalhe: com um ano e meio de antecedência, a seletiva foi única. Teoricamente, se o Brasil assistir ao surgimento de um fenômeno no caratê em 2006 ou no início de 2007, ele não tem chance de ir ao Pan. "Estamos fazendo um trabalho longo pensando no Pan e acho que é o caminho correto", disse Edgar Ferraz de Oliveira, presidente da Confederação Brasileira de Caratê.

A realização de seletivas, aliás, é a mais usada para a definição dos classificados. Algumas, porém, são difíceis de entender ou acompanhar. A natação, por exemplo, usa a média de nove campeonatos para definir o campeão. O boliche realiza dez torneios seletivos e usa apenas os sete melhores resultados. O judô faz uma seletiva em dezembro que escolhe dois atletas de cada categoria e o escolhido só é decidido a partir do resultado em dois outros torneios.

MAIS TEMPO PARA TREINAR
Folha Imagem
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Velejando na classe Star em 2006, Robert Scheidt volta à Laser em 2007 e poderá treinar até março para disputar a seletiva
Complicado? Analise então o critério usado pela Confederação de Lutas Associadas para os brasileiros que disputarão luta olímpica, feminina e greco-romana. São seis etapas, em que os vencedores se eliminam até a quinta seletiva. Na última, porém, os vencedores de três das cinco etapas, mais o líder do ranking, se enfrentam em sistema todos-contra-todos. Só aí o campeão vai ao Pan.

A escolha por ranking é outra muito usada. Mas nem mesmo um critério teoricamente simples afasta as confusões. No vôlei de praia, por exemplo. O ranking mundial é anual e zerado a cada nova temporada. A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), porém, vai usar metade dos pontos conquistados na temporada 2006 e metade dos pontos conquistados em 2007 para definir os classificados.

Entre tantos critérios diferentes, os prejudicados, claro, são os atletas. No tiro esportivo, por exemplo, a indefinição é total. "Não sabemos nada ainda sobre seletiva para o Pan. As coisas estão meio confusas e eu acredito que seja algo entre janeiro e fevereiro, mas não fomos (os atiradores) comunicados ainda sobre isso. Espero ficar sabendo logo", reclamou Janice Teixeira, a principal atleta do país.

"Vítimas" da indefinição, que persistia até a semana passada, os jogadores de vôlei de praia preferiram não reclamar. "Isso não muda nada porque nós tínhamos tudo planejado desde o começo do ano e já estávamos fazendo a nossa parte. Temos é que jogar sempre para vencer. Se entrar em um campeonato, é para ganhar", diz Juliana, que, em parceria com Larissa, lidera o ranking mundial da FIVB (Federação Internacional de Vôlei).

Reuters
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No vôlei de praia, além da demora na definição,CBV vai usar metade do ranking de 2007 e 2006 para definição das vagas
"Com tantas duplas boas no Brasil, talvez o mais justo fosse avaliar em torneios onde todas pudessem participar, que não houvesse restrição ao número de times de cada país. Mas este (seleção pelo ranking mundial) é o critério usado pela FIVB para as Olimpíadas também. Não há do que reclamar. E tem a vantagem de mostrar o potencial dos brasileiros diante de adversários estrangeiros", completa Nalbert, campeão olímpico na quadra, que não tem mais chance de vaga por ter se dedicado ao circuito nacional desde que chegou à areia.

Um caso à parte acontece na vela. Como a Federação Brasileira de Vela e Motor marcou apenas para março a seletiva para o Pan, um dos maiores nomes do esporte no Brasil ganhou mais tempo para conseguir essa vaga.

Em 2006, o bicampeão olímpico Robert Scheidt se dedicou à classe Star, que é olímpica, mas não pan-americana. Ele só volta à Laser, que está presente nas duas competições, no ano que vem, justamente na seletiva. E está contando com o tempo que terá para se preparar. "Enquanto eu estou competindo na Star, outros velejadores de Laser estão se aperfeiçoando. A disputa pela vaga vai ser complicada", avisa.