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Sandro Viana conta drama do sumiço da vara de Fabiana Murer em Pequim

Do UOL, em São Paulo

02/08/2021 12h51

Medalhista de bronze no revezamento 4x100m dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, recebendo a medalha apenas 11 anos depois devido ao caso de doping do jamaicano Nesta Carter, o velocista Sandro Viana conta que o maior drama que já viveu em uma Olimpíada foi estar junto a Fabiana Murer no retorno à Vila Olímpica no momento em que ela encontrou a vara perdida que a prejudicou na prova do salto com vara, na qual era era uma das candidatas a medalha.

Em sua participação no programa UOL News Olimpíadas, Sandro conta como foi o momento no qual ela visualizou a vara e a reação dela e do técnico Elson Miranda, sem acreditar no que havia ocorrido.

"A história que mais me doeu foi a da Fabiana Murer em 2008, quando a vara dela sumiu, que é uma história complicada, mas eu tive infelizmente o desprazer de presenciar o que aconteceu. Ela foi para a pista na maior tranquilidade do mundo, ela não teve a vara dela e quando eu voltei para a Vila Olímpica, no ônibus viemos só nós três e o motorista, eu, a Fabiana Murer e o Elson Miranda, treinador e esposo dela. Nós entramos na vila e estava bem vazia e quando a gente chega no prédio do Brasil, uma cena que eu nunca vou esquecer, quando a gente entra, é um sobrado assim, estilo duplex, quando a gente baixa no corredor, a vara dela está no corredor", conta Sandro.

"Nós três ficamos em choque, ela fica olhando assim, ela para, olha assim, estica o braço quase sem força e aponta para o braço, eu fico até emocionado, e ela olha para a vara e fala assim 'olha a vara onde é que está'. Eu entrei em choque, porque a gente sente. Eu nem imaginava que iria conquistar uma medalha, mas a gente está ali torcendo para todo mundo e eu sabia do potencial que ela tinha ali, então ela fica olhando para a vara assim incrédula e o Élcio olha para a vara por uns 20 segundos", completa.

Sandro conta que o problema na ocasião foi pela decisão da organização dos Jogos de Pequim de não permitir a presença dos tubos nos quais os atletas guardavam as varas dentro do campo para evitar a exposição da marca e então se decidiu que haveria a produção de tubos na China.

"Eles usam parâmetros diferentes e quando eles criaram o tubo, aquele tubo cabe 10 varas, quando eles criaram o tubo e eles ficaram responsáveis por tudo, no tubo que eles criaram só cabiam nove varas. Então, quando eles colocaram as varas, uma não coube. Eles viram a vara mais suja e achavam que era a mais velha, quando na verdade a vara mais suja era a mais usada, porque tinha mais as marcas da mão da Fabiana", diz Sandro.

"Só levaram nove varas para a pista, achando que ela só iria precisar daquelas nove varas e justamente a vara que ela precisava foi a que eles não levaram. A vara não coube no tubo, eles deixaram no prédio do Brasil e quando ela voltou, a vara estava lá no chão. Eu lembro que o Elson olhou assim, subiu para o quarto dele, ele não falava nada, estava totalmente derrotado, é uma imagem muito chocante para mim ele foi para o quarto dele e ela foi comer alguma coisa, mas ele estava travado, é uma imagem assim a mais difícil que eu tenho a nível de jogos, é muito difícil ver um atleta perder por fatores externos", conclui.