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Bruno Fratus: Trajetória até o bronze me durou mais de 20 anos investidos

Do UOL, em São Paulo

01/08/2021 14h08

Depois da frustração em Londres e no Rio de Janeiro, Bruno Fratus conseguiu sua primeira medalha olímpica com o bronze nos 50m livre dos Jogos Olímpicos de Tóquio e ressaltou em entrevista a Domitila Becker, no UOL News Olimpíada, que dentre as histórias de cada medalha, a sua foi a de resiliência e crença no trabalho, tendo superado momentos complicados, mas ressalta que a história continua e o pódio no Japão não foi o último episódio.

"Toda medalha que a gente ganhou aqui, toda medalha de edições anteriores tem uma história especial. A minha é baseada em resiliência, eu acho, em convicção que eu poderia atingir o meu objetivo e uma fé quase inabalável no meu trabalho, nas pessoas que estão todo dia do meu lado e no meu potencial, no meu talento. Então foi ali, logo depois da prova era tudo gratidão, era tudo felicidade", diz o nadador.

"Para conseguir chegar onde a gente chegou, tudo isso teve que ser superado já há um tempo, mas de fato tiveram passagens aí em que eu cheguei a questionar se realmente valia à pena, porque, gente, no final das contas a gente vai voltar para casa e acabou. Não é que estamos com a vida ganha, não é que vai chegar um cheque de R$ 10, 20, 30 milhões lá em casa e acabou, férias para o resto da vida", completa.

Fratus afirma que no meio do caminho até a medalha, ele refletiu muitas vezes se estava valendo todo o esforço realizado para tal em seus mais de 20 anos de carreira e ressalta que é muito difícil alcançar o feito que ele conseguiu no Centro Aquático japonês.

"O que acontece aqui no esporte é que a gente veio aqui, essa minha trajetória até esse o bronze de hoje, que provavelmente não seja o episódio final, mas essa trajetória até o bronze de hoje me durou mais de 20 anos investidos nesse propósito, ser medalha olímpico, e muitas vezes a gente faz isso porque gosta, porque acredita. Então, no meio do caminho, você vai questionar se realmente vale à pena, até financeiramente, em termos de construir algo para a sua vida, para a sua família, em termos de carreira", afirma o nadador.

"Eu tive, não vou dizer sorte, mas eu tive a felicidade de ser medalhista olímpico hoje, mas vários outros atletas não conseguem atingir, chegar até uma medalha olímpica e enquanto você não tem essa medalha olímpica na mão, tudo é bem incerto", completa.

A origem de "Os cara é grande, mas nós é ruim"

Na entrevista que deu logo após a medalha de bronze, Bruno Fratus usou a frase "os cara é grande, mas nós é ruim" ao falar sobre não ser um nadador com tamanha estatura e não ter as mesmas vantagens físicas que outros nadadores. Ele explicou a origem da frase e o que ele quis dizer com isso.

"Isso é uma fala extremamente engraçada de um filme chamado Meu Nome não é Johnny e virou meio bordão na própria equipe, entre os amigos, que falam 'os cara é grande, mas nós é ruim'. Mas não é ruim de ser ruim, é tipo a gente é ruim, a gente é ruim de cair, a gente é ruim de quebrar, a gente não quebra, a gente não cai, sabe? A gente é chato, a gente é insistente, então é um ruim, mas é bom, é uma conotação um pouco menos literal", conta o nadador.

Ele também mandou recado aos haters após ter passado anos recebendo mensagens negativas nas redes sociais por não ter conseguido a medalha olímpica nas tentativas anteriores.

"Obrigado por gastar o tempo e vir me dar um like, me deixar um comentário, acaba sendo bom até para mim. Espero que vocês melhorem, porque deve ser insuportável você viver com uma obsessão dessa, que você precisa jogar alguma coisa de negativo em cima de alguém que está tendo sucesso, então procurem amor, procurem um terapeuta, procurem uma pia cheia de louça para lavar, alguma coisa, adota um cachorro, porque é triste", conclui.