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Eliana Alves Cruz sobre prata de Rebeca: silencia muitas opressões para chegar

Do UOL, em São Paulo

30/07/2021 13h47

A medalha de prata de Rebeca Andrade nos Jogos Olímpicos de Tóquio marcou a história da ginástica feminina brasileira e emocionou Daiane do Santos, que ressaltou na transmissão da TV Globo que o primeiro pódio foi de uma mulher negra, como ocorrera quando ela nos tempos da carreira como ginasta foi a primeira campeã mundial.

Em sua participação no programa UOL News Olimpíadas, a jornalista e escritora Eliana Alves Cruz fala sobre a emoção com o discurso de Daiane, a conquista de Rebeca e tudo o que significa o resultado de uma mulher negra em termos sociais.

"Eu desidratei com a Daiane, desidratei com a Rebeca, porque é um filme que passa na nossa cabeça. É um filme da vida, na verdade. Primeiro assim, para qualquer atleta, é preciso aprender a conviver com a dor. De alguma forma você precisa desenvolver, a dor é sua companheira, porque para ultrapassar os limites, em algum momento você vai sentir muita dor, e são as lesões, são as operações, são as dores musculares, a dor está sempre presente. E tem uma dor que não é vista, porque se o atleta está ali com o joelho enfaixado, você vê, mas aquela dor, aquela fratura que está dentro ninguém vê", afirma Eliana Alves Cruz.

"Essas questões sociais, os preconceitos que a pessoa sofre, as mágoas que naquele ambiente ela vai acumulando ao longo da vida, aquilo fica ali em um repositório e aí, em um momento desse tudo explode. São muitas opressões em que uma atleta dessa silencia para chegar onde ela está. Então, na verdade, quando chega ali, é um transbordamento de milhares de coisas", completa.

A jornalista explica que há todo um significado de entrecruzamentos de questões sociais com fatos como ser mulher, ser mulher negra e ser mulher negra pobre.

"É mais que história de superação e meritocracia, é uma questão de oportunidades, porque quando la chega nesse lugar, é automático ela olhar para o lado e ver o tanto de gente que não teve a mesma oportunidade que ela de ascender a este lugar. É lógico, é mérito de um trabalho de base lindo que faz a ginástica há muitos anos, é mérito de um monte de gente e dela própria, só que existem outras questões que se entrecruzam e transbordam", conclui.