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Eliana Alves Cruz: Brasil não tem política esportiva de estado

Do UOL, em São Paulo

30/07/2021 13h57

Em sua participação no UOL News Olimpíadas, a jornalista e escritora Eliana Alves Cruz analisou o fato de entre atletas brasileiros que estão competindo em Tóquio haver casos daqueles que precisam, além de treinar a modalidade, atuar em outra frente, como motorista de aplicativo, para se manter. Eliana, que esteve em sete edições dos Jogos Olímpicos, vê um problema estrutural brasileiro.

Para a colunista do UOL, o Brasil ainda não enxerga o esporte como função social e educativa e não existe um programa de estado voltado ao esporte e sim programas de governos, como também ocorre com a área cultural.

"Eu entendo demais cada lágrima ali derramada, porque a gente sabe tudo o que está em jogo, eu acho que tem aí uma questão nesse estudo, trazido sobre os atletas que chegam aos Jogos Olímpicos, tem uma responsabilidade aí, tem uma responsabilidade que é o seguinte, é uma responsabilidade do país, da nação Brasil, que não enxerga ainda o esporte como algo que faz parte da educação, inclusive. O povo brasileiro, a sensação que dá é que enxerga o esporte como aquela coisa, puro entretenimento, que a pessoa faz nas horas vagas", afirma Eliana.

"Um atleta olímpico é um profissional, ele tem que viver disso para poder dar o resultado. Se é algo que ele faz nas horas vagas, se ele precisa ocupar o tempo dele, o tempo dela, com outras atividades para garantir o sustento, não vai chegar ao nível de excelência como os competidores de uma competição forte de uma Olimpíada ou com uma Copa do Mundo. Então, esse nível de excelência ainda não é compreendido, então a gente não tem políticas de estado, a gente tem políticas às vezes de governo, o governo da vez apoia tal coisa, o governo da vez apoia tal coisa, a gente não tem políticas de estado que garantam que essas atividades", completa.

Eliane afirma que é necessário entender que a formação de um atleta olímpico leva anos e há todo um processo para isso, e que o resultado só ocorrerá quando houver uma política de estado que entenda a necessidade de trabalhar o esporte atrelado à educação.

"Isso também acontece no setor cultural, então são atividades que ficam ao sabor do vento, ficam em uma instabilidade muito grande e dependendo de alguns patrocínios, algumas coisas que às vezes não vêm, não vêm porque o esporte é uma semeadura, você passa 4 anos competindo em alto rendimento, mas é algo que você vai plantando, não se faz um atleta olímpico em um ano", afirma a jornalista.

"Essa semeadura eu acho que a gente precisa ter isso em um nível de nação, a nação brasileira, o estado brasileiro precisa entender que aquilo é uma atividade que está atrelada à educação, é uma atividade que gera renda, é uma atividade que tem todo um complexo em volta e que traz benefícios para a sociedade como um todo. Geração de empregos, enfim, uma infinidade de aspectos que são negligenciados e que estouram lá na ponta, no atleta, que não consegue viver do seu ofício e, obviamente, reflete no rendimento", conclui.