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Bruno Soares relata as 12 horas sofrendo com apendicite em voo para Tóquio

Do UOL, em São Paulo

29/07/2021 16h04

O tenista Bruno Soares precisou desistir dos Jogos Olímpicos de Tóquio pouco tempo após a sua chegada ao Japão devido a um quadro de apendicite, passando por uma cirurgia emergencial ainda no local, acabando com a possibilidade de tentar uma medalha nas duplas masculinas e mistas.

Em sua participação no programa UOL News Olimpíadas, o tenista conta que começou a sentir dores no início do voo até o Japão e passou 12 horas tentando evitar mostrar que não estava bem devido à preocupação com a covid-19, e depois foram mais 5 horas no aeroporto até a chegada à vila olímpica.

"Antes fosse no Japão, porque começou no segundo voo, bem no início de um voo de 12 horas e 40 minutos. Quando eu embarquei, deu mais ou menos 45 minutos, 1 hora de voo, parece que chegou uma pessoa e colocou quatro facas em mim, aí eu fiquei 12 horas remoendo, dando cabeçada na poltrona. E eu, como eles estão todo mundo muito apreensivos com o negócio da covid, eu não queria falar que eu estava passando mal para ninguém", conta Soares.

"Eu estava com o meu parceiro, com o Marcelo e com o Daniel, nosso treinador, então fiquei quietinho e falei 'galera, eu estou muito mal, estou com muita dor'. Eu vomitei duas vezes de dor no avião, eu só queria chegar na vila, porque eu sabia que o departamento médico brasileiro iria estar lá e eu iria me sentir em casa. Quando eu cheguei ao aeroporto no Japão, também, eu já estava zonzo depois de 12 horas de muita dor eu não falava para ninguém. O cara olhava para mim e eu já estava amarelado, tonto e a gente tinha um protocolo todo para sair do aeroporto, que demorou 5 horas. A gente fazia uma fila e fazia um negócio, fazia outra fila, preenchia um papel e cada fila eu deitava no chão e os caras me olhando, quem é esse louco que está chegando para as Olimpíadas que não consegue nem ficar em pé?", completa.

Apenas na chegada à vila olímpica o atleta foi medicado pela equipe do COB e apenas depois da cirurgia sentiu o baque de ter ficado fora daquela que seria a sua terceira Olimpíada na carreira, aos 39 anos.

"Foi maluco, os primeiros dias foi uma mistura muito de, a ficha demorou um pouco a cair, porque no momento em que a gente constatou que era apendicite, houve aquele 'de repente não está tão grave', aquele momento em que a gente pensou, mas não, realmente não tinha como, operar, fora das Olimpíadas. Quando a gente tomou essa decisão, eu entrei muito em uma adrenalina da cirurgia, obviamente todo mundo fica muito apreensivo, é cirurgia, é minha vida, é minha saúde, e eu estava no Japão. Por mais que a gente saiba que a tecnologia lá, o sistema de saúde é um espetáculo, você está fora do país, tem a barreira da língua, então eu estavam muito nessa adrenalina da cirurgia", conta Soares.

"Quando passou a cirurgia, correu tudo bem, no outro dia em que eu cheguei de volta à vila, que eu tive alta, que realmente bateu aquela deprê mesmo, de falar 'pô, que loucura, que timing. Todo mundo aqui, todos os atletas, era uma quinta-feira, os jogos começavam no sábado para a grande maioria das pessoas e eu ali recuperando de uma cirurgia no Japão, então assim, foi uma sensação muito esquisita e, ao mesmo tempo, super grato de tudo ter corrido bem, de a saúde estar ali retomando, aquela maluquice, de olhar tanta semana para acontecer isso aí e foi me acontecer logo no Japão", conclui.