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29/09/2004 - 06h57
Com campanha melhor, CPB renega comparação com a Olimpíada

Lello Lopes*
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

O Brasil terminou os Jogos Paraolímpicos de Atenas em 14º lugar, quatro posições à frente da campanha na Olimpíada. Mas a comparação entre os dois quadros de medalhas é renegada até mesmo por quem leva vantagem. E isso por um motivo óbvio: são duas competições bastante diferentes.

AFP 
China, de Li Peng, conquistou 63 ouros, contra 35 do 2º lugar, a Grã-Bretanha
"O sentido da competição é muito diferente. O número de medalhas oferecidas na Paraolimpíada é muito maior. A gente não deve fazer esse tipo de comparação, não dá para comparar os desiguais. O esporte paraolímpico só existe porque antes existia o olímpico", diz Vital Severino Neto, presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB).

Depois de ameaçar o domínio norte-americano no quadro de medalha das Olimpíadas, a China comprovou a força também nas Paraolimpíadas. O país asiático foi o maior vencedor da competição, encerrada nesta terça-feira em Atenas.

E o domínio chinês foi absoluto, com 141 medalhas, sendo 63 de ouro, 46 de prata e 32 de bronze. A Grã-Bretanha ficou em segundo, com 94 medalhas (35 de ouro, 30 de prata e 29 de bronze) e o Canadá em terceiro, com 72 (28 de ouro, 19 de prata e 25 de bronze).

Os Estados Unidos ficaram apenas em quarto lugar, com 27 medalhas de ouro, 22 de prata e 39 de bronze, sendo 88 no total. O Brasil, em sua melhor campanha, ganhou 33 medalhas (14 de ouro, 12 de prata e sete de bronze). Na Olimpíada, também com a sua melhor campanha, o Brasil foi o 18º (quatro de ouro, três de prata e três de bronze).

Dos dez países melhores colocados na Paraolimpíada, três não figuraram na mesma lista da Olimpíada. A Ucrânia é um destes países. Nos Jogos Paraolímpicos os ucranianos ganharam 24 medalhas de ouro, uma a mais do que o total de medalhas de todas as cores conquistadas nas Olimpíadas.

Não são só os números que diferem entre os dois eventos. A competitividade também é bastante desigual. Karla Cardoso, por exemplo, precisou fazer apenas duas lutas para conseguir a primeira medalha do Brasil na Paraolimpíada, uma prata no judô. Na Olimpíada, Leandro Guilheiro conquistou um bronze no judô, mas para isso precisou fazer sete lutas.

Gaspar Nóbrega/CPB Divulgação 
Karla Cardoso conquistou a medalha de prata após disputar apenas duas lutas
O nível técnico, entretanto, começa a mudar. Na natação, as provas paraolímpicas estão cada vez mais equilibradas. E os tempos mais próximos dos olímpicos. Nos 50 m livre da classe S10 (para atletas com o menor grau de deficiência), o canadense Benoit Huot ganhou o ouro com o novo recorde mundial de 24s71, tempo que o faria chegar à segunda rodada das eliminatórias das Olimpíadas (na final, a prova foi vencida pelo norte-americano Gary Hall Jr. com 21s93).

E o sucesso de alguns países na Paraolimpíada de Atenas é explicado pelo investimento. Os atletas da China, que vai ser sede da competição em 2008, recebem ajuda estatal para treinar em competir.

Até mesmo o Brasil se beneficiou. O esporte paraolímpico recebeu nos últimos três anos, graças à Lei Piva, quase R$ 30 milhões. Ainda é pouco em comparação aos R$ 170 milhões que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) recebeu no período. Mas foi o suficiente para aumentar em 50% o número de medalhas conquistadas em Sydney.

* O jornalista Lello Lopes viaja a Atenas a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro

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