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11/08/2004 - 11h10
Pequena Kiribati entra no mundo esportivo sem saber se fica

Leopoldo Godoy
Em São Paulo

Kiribati, arquipélago de 33 ilhotas no oceano Pacífico, tem como orgulho nacional o título de "Ilhas do Milênio". Localizadas na região da linha internacional de data, onde começam a ser contados os fusos horários, as ilhas -e seus cento e poucos mil habitantes- foram as primeiras a adentrar o novo milênio.

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O pequeno arquipélago de Kiribati, vizinho do Havaí no oceano Pacífico
Outra conquista de Kiribati veio em 2004. O país se tornou o 202º a entrar na família do Comitê Olímpico Internacional. Para Atenas, a delegação kiribatiana contará com apenas três atletas (mais quatro dirigentes), o suficiente para deixar a nação orgulhosa.

"Todo mundo aqui está empolgado", afirmou a representante da delegação Rosemary Mula em entrevista à BBC de Londres. "É uma emoção muito grande, mesmo que muitos não tenham noção da importância de se participar de uma Olimpíada", completou Mula.

Muitos, na verdade, não têm nem noção do mundo fora de Kiribati. Apesar de membro da Comunidade Britânica, organização que reúne ex-colônias do Reino Unido, o país permanece esquecido, sem contato algum com televisão via satélite e internet, por exemplo.

Para divulgar as Olimpíadas, os organizadores do comitê olímpico local -quase todos australianos- instalaram televisores em cabanas nos centros das vilas e mostraram imagens dos Jogos de Sydney-2000. Os aparelhos despertaram mais curiosidade que as próprias imagens.

A situação da equipe também é precária. O COI reservou três vagas para os atletas kiribatianos, mas duas quase deixaram de ser preenchidas. Um velocista quebrou o pé ao tentar aprender o salto em distância. Outro, com medo de andar de avião, abandonou a equipe de atletismo.

A delegação de Kiribati foi definida poucas semanas antes das Olimpíadas. Vão aos jogos o levantador Meamea Thomas e os velocistas Kakaianako Nariki e Kaitinano Mwemweata.

O material esportivo é escasso. Os três compartilham oito pares de sapatilhas, nem todas específicas para seus esportes. Para comprar os uniformes, Mula criou um site para vender broches com a bandeira de Kiribati. O dinheiro arrecadado cobriu apenas parcialmente os custos de confecção das roupas.

Em nenhum ponto dos 1.143 km² do país (área menor que a da cidade de São Paulo) há um local ideal para o treinamento dos atletas. A área de treinos da dupla do atletismo, localizada na capital Tarawa, é improvisada. De terra batida, a pista tem menos que os 400 m padrões e não forma um circuito oval.

Os olímpicos de Kiribati, no entanto, passam por cima dessas dificuldades. "As Olimpíadas serão um grande momento da minha vida", afirma Thomas, que vai competir na categoria 85 kg do levantamento de peso.

O futuro esportivo de Kiribati depende do sucesso da participação em Atenas. Se a população se empolgar, o país pode até concretizar os planos de se tornar o 206º membro da Fifa. Em 2003, os kiribatianos já agruparam interessados em montar um time de vôlei e entraram para o pouco seleto clube da FIVB (Federação Internacional de Vôlei), com seus 218 integrantes.

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