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Fernando Fernandes: 'Paralimpíadas ensinam pessoas a lidar com adversidade'

Fernando Fernandes é atleta paralímpico e apresentador dos canais Globo - Divulgação
Fernando Fernandes é atleta paralímpico e apresentador dos canais Globo Imagem: Divulgação

Rui Dantas

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/09/2021 14h26

Com uma vida dedicada aos esportes, Fernando Fernandes foi jogador de futebol profissional e boxeador amador até sofrer em 2009 um acidente de carro que o deixou paraplégico aos 28 anos. O ex-BBB seguiu praticando esportes e se tornou uma das maiores vozes do paradesporto brasileiro. Voz que segue ativa na cobertura do SporTV das Paralimpíadas de Tóquio.

Como atleta paralímpico, Fernando Fernandes, se consagrou como tetracampeão mundial (2009, 2010, 2011 e 2012), tricampeão pan-americano, tetracampeão sul-americano e tetracampeão brasileiro de paracanoagem. Atualmente apresenta o quadro "Sobre Rodas" no Esporte Espetacular (Rede Globo) e o "Além dos Limites" (Canal OFF), além do Conexão Tóquio, do SporTV, programa que cobre os Jogos Paralímpicos de 2020.

Em entrevista ao UOL Esporte, Fernando disse que as Paralimpíadas deixam uma lição de como as pessoas podem lidar com a adversidade e que falta um entendimento da sociedade de como os atletas podem ajudar a trazer visibilidade e credibilidade para o país.

Leia a entrevista:

Depois de tantas conquistas como paratleta, o que significa para você ser comentarista nas Paralimpíadas de Tóquio 2020, pela Globo/SporTV?
Comunicar e ser voz do esporte é muito bom. Eu já fui comentarista durante os Jogos de Londres 2012, apresentei o 'Boletim Paralímpico' em 2016, e agora reedito a dupla com o Flávio Canto no 'Conexão Tóquio'. Além de competir como atletas, precisamos ser bons comunicadores para fazer com que o esporte paralímpico cresça e ganhe espaço.

Este ano, as Paralimpíadas têm atraído mais espectadores e mais tempo de exibição na TV brasileira. A que você credita isso?
Neste momento, a mensagem mais forte que poderíamos passar é o que os Jogos Paralímpicos deixam de lição a reinvenção, a resiliência e a capacidade de lidar com as adversidades. Se alguém pensa que já viveu ou vive alguma dificuldade, quando assiste aos Jogos Paralímpicos, tem a noção de que os problemas não são tão grandes assim, e que podemos lidar com eles de uma forma mais serena e natural. Isso com certeza atrai o interesse do público, tanto que as transmissões têm tido boas audiências.

As medalhas e conquistas dos paratletas brasileiros acontecem em razão do esforço pessoal dessas pessoas, que abraçaram o esporte, ou em razão da estrutura que o país criou para pessoas com deficiência se voltarem para as competições esportivas?
Os atletas paralímpicos se destacam porque, sendo muito bons naquilo que fazemos, temos mais chances de sermos vistos. É a necessidade de criar um espaço na sociedade. Além disso, temos uma estrutura bem administrada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, como o Centro de Treinamento Paralímpico, um dos legados da última edição dos Jogos, em 2016.

O país valoriza seus paratletas?
Não se trata de uma questão de valorização dos atletas, mas do entendimento do que o atleta traz de benefício para o país. Olímpicos e paralímpicos. Ainda falta entendimento do que são os atletas para a sociedade e para o mundo, os valores e a credibilidade que eles trazem para o país. O esporte e os atletas precisam ser vistos de outra forma. Precisamos abrir os olhos para ver o que somos como país, o quanto o futebol e outros esportes, como agora o surfe e o skate, trazem de visibilidade e credibilidade. Os atletas paralímpicos precisam ser reconhecidos em relação a esse ponto.

Como é a sua vida, independentemente de ser uma pessoa com deficiência?
Nunca deixei de praticar e atuar no esporte, que faz parte da minha vida e essência. Só não participo mais de competições no mundo paralímpico. Quem me acompanha pelas redes sociais, no quadro "Sobre Rodas" do 'Esporte Espetacular' ou no meu programa no Canal Off sabe qual é o meu papel como atleta e o quanto venho desbravando outras modalidades, assim como fiz com a canoagem. Ser uma pessoa com deficiência é ser uma pessoa. Minha vida é de um atleta que treina, trabalha, tenho meus investimentos, empreendimentos. Enfim, é simplesmente a minha vida.

Qual é o Brasil dos seus sonhos, quando tocamos nestas questões?
O Brasil dos sonhos é aquele onde todos vamos ter as mesmas oportunidades. Um país que dê oportunidades iguais para todas as pessoas.