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Brasil soma mais quatro ouros e duas finais nas Paralimpíadas de Tóquio

Talisson Glock, ouro em Tóquio pela natação paralímpica - Lintao Zhang/Getty Images
Talisson Glock, ouro em Tóquio pela natação paralímpica Imagem: Lintao Zhang/Getty Images

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, de São Paulo

02/09/2021 12h00

Quatro ouros —dois na piscina, um no campo do atletismo e outro no tatame do estreante parataekwondô—, mais duas seleções em finais. Esse foi o saldo do Brasil hoje (2), nono dia de competições nos Jogos Paralímpicos de Tóquio-2020. Talisson Glock venceu os 400m livre da classe S6 (atletas com média funcionalidade), e Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, foi o primeiro nos 50m costas da classe S2 (com baixa funcionalidade). No lançamento do disco da classe F11 (com deficiências visuais), Alessandro "Gigante" Rodrigo da Silva sobrou com sua marca para subir ao topo do pódio. Na classe K44 até 61kg, o campeão foi Nathan Torquato.

Dos esportes coletivos, a seleção masculina de goalball passou à final e enfrenta a China amanhã, às 7h30 de Brasília, enquanto o futebol de 5 segue invicto: disputa o ouro com a Argentina às 5h30 do domingo (5). A seleção feminina de goalball perdeu nos pênaltis para os Estados Unidos e disputa o bronze com o Japão a partir de 1h15 de amanhã (3), assim como a seleção masculina de vôlei sentado, que enfrenta a Bósnia Herzegovina no sábado (4), às 2h.

Na sexta posição do quadro geral de medalhas, o Brasil segue na luta por ouros para tentar ultrapassar a Ucrânia, a quinta colocada, o que seria inédito —a melhor posição até hoje foi a sétima em Londres-2012. Holanda e Austrália também estão nessa briga. Até agora, os brasileiros somam 54 medalhas, com 19 ouros, 13 pratas e 28 bronzes. As de ouro, que definem a classificação geral, são do atletismo (oito), da natação (também oito), do halterofilismo, do judô e do parataekwondô.

A China é líder disparada com total de 167 medalhas, sendo 77 ouros, 46 pratas e 44 bronzes, seguida por Grã-Bretanha, Comitê Olímpico Russo e Estados Unidos.

Alessandro "Gigante": bicampeão no lançamento do disco - Wander Roberto/CPB - Wander Roberto/CPB
Alessandro "Gigante": em Tóquio-2020, bicampeão no lançamento do disco
Imagem: Wander Roberto/CPB

O ouro do atletismo foi de Alexandre "Gigante" Rodrigo da Silva, que chegou ao bicampeonato da classe F11 (atletas com deficiências visuais) do lançamento do disco. Fez 43,16, quebrando seu próprio recorde paraolímpico (ele também detém o recorde mundial, com 46,10m, além de ser bicampeão mundial, em 2017 e 2019). Prata e bronze foram com marcas distantes do brasileiro: o iraniano Mahdi Olad lançou 40,60m, e o italiano Oney Tapia registrou 39,52m.

O atletismo teve prata de Marivana Oliveira, da classe F35 (andantes com paralisia cerebral) do arremesso do peso, com 9,15m. O ouro foi da ucraniana Mariia Pomazan (12,24m), e o bronze da cazaque Anna Luxova (8,60m). Mateus Evangelista, da classe T37 (andantes com paralisia cerebral) do salto em distância, foi bronze com 6,05m, ficando atrás do ucraniano Vladyslav Zahrebelnyi (6,59m) e do argentino Brian Lionel Impellizzeri (6,44m).

Pedido de casamento em português

A pista de atletismo ainda foi cenário para um pedido de casamento. O guia Manuel Vaz da Veiga se ajoelhou debaixo de chuva para ouvir o "sim" de Keula Semedo, de Cabo Verde. O noivo levou 11 anos para "tomar coragem" e disse que escolheu o local porque a pista é a segunda casa da noiva. Ela, que compete desde 2005, comentou que havia pensado em parar depois de Tóquio-2020, por sua idade (32 anos) e marcas, mas ganhou nova motivação.

Dois ouros na água

Talisson Glock foi ouro da classe S6 (média funcionalidade) dos 400m livre com 4min54s42, com prata do italiano Antonio Fantin (4min55s70) e bronze do russo Viacheslav Lenskii (5min04s84). Ele foi o quinto brasileiro da natação a garantir ouro, depois de Carol Santiago (três), Gabriel Araújo (dois), Gabriel Bandeira e Wendell Belarmino.

Glock já tinha bronze nos 100m livre e no 4x50m livre misto 20 pontos e ainda está inscrito nos 100m costas, com eliminatórias na noite de hoje pelo horário de Brasília.

Gabriel Araújo, da natação paralímpica - Lintao Zhang/Getty Images - Lintao Zhang/Getty Images
Gabriel Araújo: dois ouros e uma prata pela natação paralímpica
Imagem: Lintao Zhang/Getty Images

Gabriel Araújo esteve muito concentrado para chegar ao ouro da classe S2 (baixa funcionalidade) com o tempo de 53s96. O chileno Alberto Abarza foi prata (57s76), e o russo Vladímir Danilenko levou o bronze (59s47). Aos 19 anos e estreando em Jogos Paralímpicos, Gabrielzinho somou medalhas nas três provas em que participou: além do ouro desta quinta-feira (2), venceu os 200m livre e levou a prata nos 100m costas.

Nathan Torquarto, do parataekwondô - Rogério Capela/CPB - Rogério Capela/CPB
Nathan Torquato, pelo Brasil, na estreia do parataekwondô
Imagem: Rogério Capela/CPB

Nathan Torquato ficou com o ouro do parataekwondô sem lutar na final da classe K44 (atletas com amputação unilateral) da categoria até 61kg. Nas semifinais, o egípcio Mohamed Elzayat levou um chute no rosto e, por segurança de acordo com a regra, não faz a luta seguinte —no caso, a final com o brasileiro.

Definições nos coletivos

A seleção brasileira masculina de goalball passou na semifinal pela Lituânia, atual campeã paralímpica, com vitória por 9 a 5. Agora o Brasil vai para a terceira final seguida, após a prata em Londres-2012 e o bronze no Rio-2016. A decisão contra a China é amanhã, às 7h30 (horário de Brasília).

A seleção feminina fez partida disputadíssima com os EUA e acabou perdendo nos pênaltis. Não ficou com a vaga na final por 17 segundos, que era o tempo restante no segundo tempo quando as norte-americanas empataram o jogo em 2 a 2. Ninguém conseguiu o gol de ouro na prorrogação, e os 3 a 2 para os EUA nas penalidades garantiram a vaga na final. O Brasil disputa o bronze contra o Japão, à 1h15 de amanhã.

A seleção masculina de vôlei sentado perdeu dos russos de virada, por 3 sets a 1 (22/25, 25/21, 25/19 e 25/19), e disputa o bronze com a Bósnia Herzegovina no sábado, às 2h. Os brasileiros já haviam passado dificuldades para chegar à semifinal, com derrota para a Alemanha e vaga assegurada por pontos.

Jefinho, do futebol de 5 - Alexandre Loureiro/Getty Images - Alexandre Loureiro/Getty Images
Contra o Marrocos, Jefinho garante vaga na final do futebol de 5
Imagem: Alexandre Loureiro/Getty Images

O futebol de 5 segue invicto depois de partida amarrada contra Marrocos, vencida com o único gol de Jefinho. A dois minutos do fim, o goleiro Luan garantiu a vitória com uma defesa importante. Em Tóquio, a seleção fez 3 a 0 sobre a China e 4 a 0 sobre Japão e França. Portanto, tem 12 gols marcados e nenhum sofrido.

A seleção brasileira de futebol de 5 nunca perdeu em Jogos Paralímpicos e busca o pentacampeonato. Faz a final contra os argentinos às 5h30 (de Brasília) neste domingo (5), repetindo Atenas-2004, quando venceu por 3 a 2.