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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Presidente do COI retorna a Tóquio e é criticado: 'Já foi passear em Ginza'

Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional, no basquete paralímpico  - Carmen Mandato/Getty Images
Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional, no basquete paralímpico Imagem: Carmen Mandato/Getty Images

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, de São Paulo

25/08/2021 17h28

Se é verdade que tanto o alemão Thomas Bach (presidente do Comitê Olímpico Internacional —COI) quanto o brasileiro Andrew Parsons (presidente do Comitê Paralímpico Internacional — CPI) têm pretensões de serem indicados ao Prêmio Nobel da Paz, uma guerra "cordial" está sendo levada nos Jogos de Tóquio-2020.

Está na insistência até dramática de Bach —à parte outras implicações, como as financeiras—, pela realização dos Jogos Olímpicos em meio à pandemia, contra praticamente 80% da opinião pública japonesa.

E está na evidente ação de Parsons, mostrando a importância de dar voz às pessoas com deficiência, que são 15% da população mundial, com uma campanha que pretende interligar os paralímpicos com outros segmentos e movimentos de inclusão que ganham força pelo mundo.

Falta de bom senso

Mas Bach, ex-atleta olímpico da esgrima, conseguiu mesmo foi dar um tiro no pé, centralizando a ira do médico Shigeru Omi, conselheiro do subcomitê de combate à covid-19 do governo do Japão e totalmente contrário ao mau exemplo do dirigente, que retornou ao país na terça-feira (24) como convidado para as Paralimpíadas. "Vai contra o bom senso", disse o médico, sobre o momento em que os números de casos e mortes só aumentam em Tóquio.

De acordo com a agência Kyodo News, Omi perguntou onde está a racionalidade do presidente do COI por trás da ideia de retornar, enquanto o governo local tenta de todas as formas fazer com que as pessoas fiquem e trabalhem em casa, saindo apenas para o essencial, para ajudar no combate ao coronavírus.

Shigeru Omi foi claro: "Ele já esteve aqui. Já não foi até em Ginza (um dos bairros mais movimentados da capital japonesa e onde estão várias lojas sofisticadas)?!" Enquanto atletas cumpriam o determinado, de não sair passeando, fotos e vídeos de Bach cercado de seguranças em Ginza inundaram as redes sociais.

Convidado pelo CPI, o presidente do COI desembarcou na segunda-feira (23) e Omi disse que ele poderia ter pensado em participar das Paralimpíadas apenas de maneira online. Nesta quarta-feira (25), o dirigente circulou pelos locais de competições de natação, basquete em cadeira de rodas e goalball. Antes dos Jogos Olímpicos, em meados de julho, Bach já tinha ido render homenagem às vítimas da bomba atômica em Hiroshima —o que também foi visto como parte de campanha.

Não é novidade a ambição do COI de "fazer" um Nobel da Paz. Hitler, promotor das Olimpíadas de Berlim-1936, até indicou o Barão de Coubertin (nascido em 1863 e tido como "o pai" das Olimpíadas da Era Moderna). O "moderno" espanhol Juan Antonio Samaranch foi discursar na Assembleia Geral da ONU em 1995, certo de que ficaria com o prêmio. Passaram as Olimpíadas da Coca-Cola (ôps, de Atlanta-1996)... e nada. Bach se acha a bola da vez.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL