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Paralimpíadas são vitrine da alta tecnologia que chegará ao uso cotidiano

Cadeira parabadminton (estreante em Tóquio) tem encosto que reclina ao máximo sem tombar - SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Cadeira parabadminton (estreante em Tóquio) tem encosto que reclina ao máximo sem tombar Imagem: SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, de São Paulo

24/08/2021 14h00

Tecnologia é parte fundamental na preparação de atletas e também no desenvolvimento de equipamentos utilizados para se alcançar melhores resultados. Nas Paralimpíadas, o avanço de materiais e designs é ainda mais incisivo e está cada vez mais personalizado. A cada ciclo olímpico —excepcionalmente maior com o adiamento dos Jogos de Tóquio-2020—, uma vitrine de novidades é aberta para o mundo em forma de competições. E muito do que se vê em pistas, campos ou quadras será incorporado —ou adaptado— ao cotidiano de pessoas com deficiência nos anos seguintes.

As cadeiras de rodas são um exemplo de avanço alcançado no rastro das competições paralímpicas. Aquelas desenhadas especialmente para corrida em pista de atletismo, por exemplo, já batem nos 40 km/h —são quatro vezes mais velozes do que há algumas décadas.

Hoje, na maior parte das vezes ainda são de alumínio, mas a fibra de carbono está sendo muito utilizada para que se consiga ainda menos peso e mais estabilidade (ganha também com as rodas inclinadas em 10 a 15 graus para maior estabilidade lateral quando em alta velocidade).

Cadeiras utilizadas no rúgbi, tênis e basquete, principalmente, pesam três vezes menos do que as usadas nas primeiras competições (quando muitas delas ainda eram as de uso normal, diário). Essa diminuição no peso, quando repassada às cadeiras de uso no dia a dia, é extremamente importante e não apenas para quem a utiliza. Facilita seu transporte e, por consequência, ajuda na mobilidade urbana de quem as utiliza.

Mas as cadeiras usadas para jogos não são apenas mais velozes e mais leves. Precisam de recursos para ganhar em aceleração e precisão. Como também precisam fazer manobras difíceis e bruscas, as rodas principais das cadeiras usadas no tênis, por exemplo, ganharam curvatura de 20 graus. E ainda tiveram acrescentadas duas menores na parte traseira —além de uma quinta, que atua para evitar tombamentos. O que é bastante útil, na vida diária.

Rugby paralímpico - Dean Mouhtaropoulos/Getty Images for New Zealand Par - Dean Mouhtaropoulos/Getty Images for New Zealand Par
Cadeira de rodas do rúgbi, esporte de choques, são as mais robustas
Imagem: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images for New Zealand Par

As cadeiras de rúgbi são pensadas para colisões e impactos. De alumínio ou titânio, podem ter uma quinta e sexta rodas para mais estabilidade e possibilidade de manobras rápidas (curioso que as "de ataque" têm um tipo de asa de alumínio na roda dianteira e as de defesa, um gancho à frente, para "prender" os adversários).

No caso do estreante parabadminton, as cadeiras precisam aguentar reflexos rápidos e muita inclinação dos atletas para trás. As raquetadas nas petecas exigiram dos designers soluções de encostos que permitam essa inclinação e giros rápidos sem que as cadeiras tombem.

As cadeiras do parabasquete são mais altas e têm rodas maiores, entre 60 e 68 centímetros de diâmetro e inclinadas em 20 graus. São mais fáceis de mudar de direção e "brecar", para pegar bolas e fazer os arremessos. O que mais mudou nessas cadeiras foram os assentos, mais "cavados" para os atletas com menos mobilidade na parte inferior do corpo, com encostos mais altos; para atletas com mais mobilidade, a cadeira tem uma roda atrás para que possam se recostar ao máximo nos arremessos.

As luvas, que têm papel fundamental para os atletas que as usam para empurrar suas cadeiras, hoje podem ser ainda mais personalizadas, a partir da tecnologia de impressão em 3D.

Articulações paralímpicas

O avanço no material e design das bicicletas de performance já é espantoso, mas no caso das usadas pelos paralímpicos é cada vez mais possível adaptar guidões, dependendo do braço com deficiência, ou fixar próteses a pedais.

Paraciclismo Jon-Allan Butterworth - Martin Rickett - PA Images/PA Images via Getty Images - Martin Rickett - PA Images/PA Images via Getty Images
Jon-Allan Butterworth, britânico do paraciclismo
Imagem: Martin Rickett - PA Images/PA Images via Getty Images

Mas Tóquio-2020 ainda verá o contrário: braços articulados que permitem amputados competirem "se segurando" nos guidões rebaixados das bicicletas, como o britânico Jon-Allan Butterworth.

Com certeza, essas soluções logo serão comuns de se ver pelas ruas, com as bikes cada vez mais usadas como transporte individual diário nas grandes cidades.

Flexíveis e leves, as próteses de corredores lembram o "agito" (símbolo dos Jogos Paralímpicos que em latim significa "eu me movimento" e são representados em três traços, nas cores azul, vermelho e verde). Essas "lâminas", usadas por atletas amputados para substituir barriga da perna e tornozelo, são de fibra de carbono e ajudam em corridas e saltos (são ultra regulamentadas, para não proporcionar vantagem a um ou outro competidor).

Mas Tóquio-2020 também verá o avanço nas próteses com articulações à base de cilindros hidráulicos (além das lâminas de fibra de carbono), como é o caso do corredor alemão Henrich Popow, que poderia mesmo desafiar atletas não-amputados nas pernas acima dos joelhos.

(Vale destacar que são 100 especialistas a postos para o conserto de equipamentos dos atletas paralímpicos, com 17.300 peças e partes de peças no estoque, para as mais diversas situações.)