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Ana Marcela apagou tatuagem olímpica após Rio-2016; agora vai refazer

Tatuagem em homenagem às Olimpíadas de Pequim-2008 que Ana Marcela Cunha cobriu depois dos Jogos do Rio-2016 - Ricardo Bufolin/Getty Images
Tatuagem em homenagem às Olimpíadas de Pequim-2008 que Ana Marcela Cunha cobriu depois dos Jogos do Rio-2016 Imagem: Ricardo Bufolin/Getty Images

Danielle Rocha

Colaboração para o UOL, no Rio

13/08/2021 04h00

Os anéis olímpicos sumiram das costas em 2017. Ganharam aquele lugar de destaque nove anos antes, para marcar sua primeira participação olímpica. Mas depois do revés na Rio-2016, Ana Marcela Cunha decidiu que o símbolo só voltaria a ser exibido no corpo se fosse para representar a conquista de sua medalha. Partiu para um estúdio de tatuagem e a cobriu com parte da asa de uma Fênix feita no braço. Hoje tomará o mesmo caminho para se dar de presente o registrado com agulha e tinta que representará o ouro nos 10km da maratona aquática nos Jogos de Tóquio.

"Eu não queria mais ter os anéis só para seguir a tradição, por participação, sabe? Foi um desafio que me fiz e também um pretexto para poder voltar a fazer uma tatuagem", diverte-se a campeã olímpica.

A pele começou a ganhar traços e cores quando tinha 15 anos. Deu de ombros para a vontade da mãe, convenceu o pai a levá-la a um estúdio para começar a fazer do corpo uma tela. Abriu contagem com duas. Não tem certeza, mas atualmente acredita ter 35. Tudo relacionado ao que considera mais importante na vida está ali: amigos, música, natação, fé e família.

Ana Marcela não esconde o amor e gratidão pelos pais. Gosta sempre de lembrar que lá atrás, nos tempos em que ainda moravam em Salvador e não tinham condição financeira boa, deixavam de almoçar para poder dar comida para ela. Trabalhavam o dia todo, as dificuldades existiam, mas o investimento familiar no sonho dela seguia. Todo o dinheiro que entrava era para a filha. Para representar o que viveram, os três tatuaram juntos um trecho de uma música do Charlie Brown Jr.: "Histórias, nossas histórias /Dias de luta, dias de glória".

Os avós também foram fundamentais para que a nadadora não desistisse da carreira esportiva. Acordavam de madrugada, levavam aos treinamentos e ao colégio. Ana Marcela não podia perder nem os treinos nem a bolsa escolar de 70%. Os tios deram sua contribuição fazendo vaquinhas para viabilizar as viagens. Por isso, ela não vê a hora de poder abraçá-los, agora como campeã olímpica.

"Ainda não sei quando vou poder ir até a Bahia. Ainda não estou de férias, tenho que treinar para a etapa da Copa do Mundo de Israel (em setembro). Devo ter só uma semana de folga. Mas já consegui falar com meus avós para saber se eles estavam bem depois da prova. Eles não viram ela inteira. Não dava para ter 2h de emoção para os velhos, tem que ser em doses homeopáticas".

Quando puder ir a Salvador, deverá dar uma passadinha na igreja do Nosso Senhor do Bonfim. Costuma ir até lá para agradecer pelas conquistas e amarrar uma fitinha em seus portões. "Sempre agradeço por tudo o que conquistei ao longo do tempo. Não faço pedidos para que Deus realize, para que me dê algo. Peço para que ele me mostre o caminho para chegar ao meu objetivo, para que coloque as pessoas certas que vão me ajudar nisso. Não tem segredo, eu tenho que trabalhar pelas coisas que quero para que Ele possa me ajudar".

Se a próxima fitinha a ser amarrada na grade terá algum pedido relacionado com o bicampeonato em Paris-2024, ela não revela, embora não esconda o seu desejo de estar lá em condições de lutar novamente por um um lugar no pódio. "Mas é parar e pensar dia a dia. Vamos sentar e pensar tudo certinho porque tem Mundial e faltam dois anos para a seletiva. Vai ser um ciclo rápido e eu espero estar feliz, competindo bem e brigando pela vaga olímpica".