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Olimpíadas de Tóquio terminam exaltando empatia e sucesso contra a covid

Chama olímpica é apagada no encerramento dos Jogos de Tóquio - Fabrizio Bensch/Reuters
Chama olímpica é apagada no encerramento dos Jogos de Tóquio Imagem: Fabrizio Bensch/Reuters

Beatriz Cesarini

Do UOL, em Tóquio

08/08/2021 10h14

O que os últimos 17 dias significaram para você? Sugiro uma mistura de alívio e, finalmente, alegria após quase dois anos de uma enxurrada de notícias ruins causadas pela pandemia. As Olimpíadas de Tóquio e todas as suas histórias trouxeram uma mensagem de esperança ao mundo inteiro que acompanhou as competições do sofá.

Foi com essa mensagem que Tóquio deu adeus às Olimpíadas na manhã deste domingo (8). A cerimônia de encerramento começou exaltando os momentos de empatia, alegria e superação durante os Jogos.

Impossível não se lembrar de Rayssa Leal conquistando a medalha de prata no skate street, brincando como uma fadinha, e Ítalo Ferreira levando o primeiro ouro olímpico da história no surfe após enfrentar uma sequência de percalços, com direito a extravio das pranchas, antes de Tóquio-2020. Assim como ninguém se esquecerá de Rebeca Andrade transformando a ginástica em um "Baile de Favela".

A chama olímpica também alertou o mundo sobre um problema que deveria ter mais atenção: a saúde mental. Uma das estrelas da competição, Simone Biles desistiu da maioria de suas provas na ginástica, e, em ato de coragem, conseguiu finalizar sua participação com uma medalha de bronze na trave.

Tóquio-2020 mostrou que os Jogos foram muito mais do que competição. As Olimpíadas tiveram surpresas e atos de empatia como a divisão da medalha de ouro após a disputa do salto em altura, entre o Mutaz Essa Barshim, do Qatar, e Gianmarco Tamberi, da Itália. E falando na Itália, lembramos de Marcell Jacobs, que venceu os 100m rasos minutos após o triunfo do compatriota. Tóquio sentiu o calor dos italianos neste dia.

Estrelas das Olimpíadas, os melhores atletas do mundo assistiram à cerimônia de hoje reunidos no campo do Estádio Olímpico. Uma união que tem muito mais significado do que em qualquer outra solenidade olímpica, porque aconteceu no período em que o mundo vive cercado com medidas de isolamento.

Para tornar possível a realização das Olimpíadas, Tóquio-2020 assumiu o compromisso de fazer o máximo pela segurança sanitária. "Os Jogos mais difíceis da história", como disse o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach.

E pode-se dizer que a "bolha" organizada para as Olimpíadas de 2020 foi um grande sucesso. O coronavírus não foi o grande vilão e Tóquio mostrou que pode ser possível vencer uma doença que assolou o mundo. Afinal, foram mais de 50 mil pessoas envolvidas e pouco mais de 400 casos. Cerca de 600 mil testes foram realizados e mostraram que a taxa de infecção ficou abaixo de 1%.

Seguindo o mesmo protocolo da cerimônia de abertura, o Brasil decidiu ir com poucas pessoas ao desfile, destoando da maioria das grandes delegações. A campeã olímpica Rebeca Andrade carregou a bandeira do país, acompanhada do seu treinador Francisco Porath, além do boxeador Hebert Conceição, Bira (o funcionário mais antigo do COB), Ana Corte (coordenadora médica), e Sebastian Pereira (sub-chefe de missão).

Passagem de bastão com isolamento social

A passagem de bastão para Paris, próxima sede dos Jogos Olímpicos, teve um show transmitido no telão do Estádio Olímpico de Tóquio. A transmissão do show por live reflete o meio que tantas pessoas recorreram para se dividir e estar menos longe de quem ama neste tempo de pandemia. Como medida de segurança, o Comitê Olímpico Francês em acordo com o COI decidiu fazer uma cerimônia à distância.

A Orquestra Nacional Francesa executou o hino nacional com vídeos passando por pontos conhecidos do país como o Museu do Louvre, Teto do Stade de France e, Thomas Pesquet, astronauta, desde abril de 2021, no espaço tocou saxofone para contribuir. Nas imagens, os esportes que passaram a incluir o programa olímpico como break dance e BMX foram exaltados.

Do Japão, todas as pessoas presentes puderam assistir à festa francesa nos arredores da Torre Eiffel. Embora estivesse longe de Tóquio, Paris fez festa sem distanciamento na Praça de Março, à sombra Torre Eiffel. Medalhistas franceses no Japão foram filmados com centenas de pessoas ao redor. Foi um contraste com o Japão, que ainda sofre para acelerar o processo de vacinação. Mas mais um sinal de que o caminho existe e a humanidade está nele.

Arigato Gozaimasu, Tóquio-2020! (Muito obrigada, Tóquio-2020!)