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Após bronze olímpico, Alison foca em recorde mundial nos 400m com barreiras

Alison dos Santos, medalha de bronze desembarcou no inicio da manha desta sexta-feira (06) no Aeroporto Internacional de Guarulhos - RENATO GIZZI/ESTADÃO CONTEÚDO
Alison dos Santos, medalha de bronze desembarcou no inicio da manha desta sexta-feira (06) no Aeroporto Internacional de Guarulhos Imagem: RENATO GIZZI/ESTADÃO CONTEÚDO

Danielle Rocha

colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

07/08/2021 04h00

Quando pisou no Estádio Olímpico de Tóquio, Alison dos Santos só pensava em correr os 400m com barreiras na casa dos 46s pela primeira vez na vida. Mas nem no melhor dos seus sonhos poderia imaginar que faria parte de uma prova histórica, que cruzaria a linha de chegada com o tempo de 46s72, abaixo do então recorde olímpico e apenas dois centésimos acima do antigo recorde mundial. A medalha de bronze em seu debut nos Jogos só fez aumentar seu apetite. Sonha um dia ser o dono da melhor marca de todos os tempos. Atualmente, ela está em poder do norueguês Karsten Warholm (45s94).

"A gente sonha alto. Tenho pessoas que me obrigam a sonhar alto e que confiam muito em mim. Agora queremos continuar evoluindo, quebrar recordes e fazer história. Não tem como falar o tempo exato porque não vou limitar até onde posso chegar. Mas tenho o sonho de ser recordista mundial e vou em busca disso. A gente vinha treinando muito bem, focado e sabíamos que podíamos quebrar a barreira dos 47s. Era um sonho que conseguiu se realizar na final olímpica. Só que nas circunstâncias que foram não achava que seria possível. No máximo, achei que correria 46s90. Quando vi no telão fiquei muito feliz. Depois vi que quebrei recorde olímpico e fiquei muito feliz e disse: 'Meu Deus...'" - afirmou Alison, em entrevista no CT Time Brasil, nesta sexta-feira (6), no Rio de Janeiro.

Ao longo da preparação, que incluiu temporadas fora do país, a maior dificuldade encontrada por ele não estava na parte física. Mais complicado foi manter a cabeça no lugar.

"O corpo na teoria é fácil de se preparar. É treinar, se dedicar. Mas se você não conseguir manter o foco no caminho perde o rendimento. Esse foi o foco, o mais difícil para mim, a preparação psicológica. E isso não foi mérito meu. Foram pessoas que estiveram ao meu redor e que conseguiram me manter no eixo, focado e acreditando no sonho que conseguimos realizar."

Uma dessas pessoas é Wesley Victor, melhor amigo de Alison, conhecido como Biscoito. No início de 2020, os dois barreiristas fizeram uma aposta de só voltarem a tomar o refrigerante preferido quando cada um conquistasse sua parte combinada. A pandemia atrapalhou os planos, mas, finalmente, os dois puderam abrir juntos uma garrafa de tubaína.

"Tínhamos que conquistar nossas partes juntos. A minha era relacionada aos Jogos Olímpicos, mas teve a pandemia e a aposta teve de ser adiada. Mas quando a gente se juntou no aeroporto, a primeira coisa que fez foi tomar uma tubaína, pegamos uma garrafa, abrimos e acabamos com ela rapidinho", diverte-se.

Até domingo (8), o medalhista olímpico de 21 anos pretende descansar e aproveitar para rever a família e os amigos em São Joaquim da Barra (SP). Na segunda-feira, ele volta ao trabalho de olho na Diamond League --principal competição internacional de atletismo.