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Referência no skate, Letícia Bufoni diz se inspirar em Rayssa Leal

As brasileiras Rayssa Leal (esq) e Leticia Bufoni durante as eliminatórias do skate nas Olimpíadas de Tóquio - TOBY MELVILLE/REUTERS
As brasileiras Rayssa Leal (esq) e Leticia Bufoni durante as eliminatórias do skate nas Olimpíadas de Tóquio Imagem: TOBY MELVILLE/REUTERS

Do UOL, em São Paulo

05/08/2021 19h29

Símbolo do skate feminino para as novas gerações com apenas 28 anos, Letícia Bufoni aprende da mesma forma que ensina. A skatista, que diz ter crescido sem referências no esporte, diz se inspirar em Rayssa Leal, a Fadinha, de apenas 13 anos, que começou a andar de skate por sua influência.

"Sempre quis ser uma referência porque quando comecei não tinha uma mulher para me inspirar, para eu mostrar para o meu pai, não tive isso. Queria ser isso para uma nova geração como fui para a Rayssa, e hoje me inspiro nela", disse, em entrevista à revista 'Marie Claire'.

Rayssa e Letícia são amigas, e em Tóquio, dividiram o quarto durante as competições do skate street. Com apenas 13 anos, Fadinha encontrou um cenário mais desbravado na modalidade - muito em razão do trabalho da 'veterana'.

"No começo senti mais discriminação, falavam que não era coisa de menina, me chamavam de maria joão, sapatão. Não me incomodava porque eu era uma criança apaixonada, mas meu pai escutava muita coisa e me proibiu, chegou a cortar meu skate no meio. Mas minha paixão falou mais alto e eu montei um skate novo e ele percebeu que não tinha jeito", relembra.

No topo do ranking mundial do skate street feminino, Letícia diz que competir em Jogos Olímpicos trouxe uma pressão até então inédita na sua carreira.

"Nos últimos dois ou três anos escuto 'vai trazer uma medalha de ouro'. Cheguei com muita pressão, um peso a mais. As pessoas esperam que a gente traga a medalha, mas esquecem que não somos robôs. Foi o campeonato mais tenso da minha vida, difícil de se concentrar porque tinha muita gente, muitas câmeras, e eu queria muito. Mas é só mais um campeonato e outros virão."

Lidar com a saúde mental em um cenário como esse é fundamenta, segundo a skatista, que elogiou Simone Biles pela coragem ao desistir de algumas das suas competições por não se sentir bem.

"Faço terapia há dois ou três anos. Todo atleta deveria fazer porque é muita pressão, não adianta treinar se a cabeça não está no lugar, e o emocional é o mais importante. A gente já sabe andar de skate, mas na hora de competir o que manda é a cabeça, e somos humanos, erramos, e skate exige mínimos detalhes. O melhor do mundo pode não estar no seu melhor dia".

"Ela teve muita coragem porque tem patrocinadores, muita gente que investe nela. Ela fez o certo porque se você não está bem, não adianta ter uma medalha", finalizou.