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No pós-Olimpíadas, pandemia coloca em risco até Fórmula 1 no Japão

Valtteri Bottas durante os treinos livres do GP de Suzuka, no Japão - REUTERS/Kim Hong-Ji
Valtteri Bottas durante os treinos livres do GP de Suzuka, no Japão Imagem: REUTERS/Kim Hong-Ji

Juliana Sayuri

Colaboração para o UOL, de Tóquio

04/08/2021 12h00

Com as Olimpíadas perto do fim, o Japão teoricamente teria outras datas importantes já marcadas no calendário esportivo: em outubro, o país seria a sede de três corridas internacionais, a do motociclismo off-road WEC Fuji Speedway na cidade de Oyama, a etapa de Motegi da MotoGP e o Grande Prêmio de Suzuka da Fórmula 1.

Ante os recordes de novos casos de covid-19 durante a Tóquio-2020, entretanto, duas provas já foram canceladas (WEC e MotoGP) e há incerteza sobre a realização da tradicional etapa da Fórmula 1. Embora o circuito de Suzuka ainda conste no calendário oficial da categoria para outubro, a venda dos ingressos chegou a ser adiada nos últimos dias, alimentando rumores de um possível cancelamento. Entretanto, na noite desta quarta-feira (4), os ingressos estavam disponíveis no site oficial, de 835,27 a 4.825,99 euros (cerca de R$ 5 a 30 mil).

Uma das preocupações, supõe-se, é com a multidão de fãs japoneses que a corrida pode reunir. "Suzuka sempre atrai muita gente. Para uma corrida de Fórmula 1, são no mínimo 100 mil pessoas", conta o piloto paulistano João Paulo de Oliveira, 40, conhecido como JP, campeão do último Super GT 300, e desde 2004 radicado no Japão.

Segundo Oliveira, que já correu diversas vezes nesta pista, as arquibancadas são tomadas por torcedores japoneses. "De manhã, nos domingos de corrida, dá para ver milhares de pessoas andando até lá porque não tem táxi o suficiente para todo mundo na cidade", diz.

"Pilotos ficam em um hotel dentro do complexo de Suzuka, onde estão o autódromo e o kartódromo. No caminho para a pista, sempre tem um 'túnel de gente', quer dizer, fãs esperando com cartazes e presentes", conta ele, que já fez esse percurso como piloto e como amigo, ao lado do conterrâneo Felipe Massa.

Japoneses, diga-se de passagem, são apaixonados por ambas as categorias do automobilismo, o GT e a F1.

Suzuka está marcada como a última etapa de uma rodada tripla, que conta com provas em Sochi (Rússia) em setembro, e em Istambul (Turquia), em outubro. Dias atrás, o diretor-executivo da F1, Stefano Domenicali, disse que eles estão observando o desenrolar das Olimpíadas para decidir o destino do GP do Japão.

Previsto para fins de novembro, o GP da Austrália já foi cancelado por conta das restrições de entrada no país devido à pandemia. Com a mudança no calendário, o GP do Brasil, em São Paulo, foi marcado para 7 de novembro. "A gente vai preparar o evento todo para ter 100% [de público nas arquibancadas]", disse o promotor Alan Adler ao blog Olhar Olímpico.

"Para ter 50%, você precisa estar com a 100% da capacidade instalada, para poder ter os 50% disso. A partir daí a gente vai ver se consegue ter a capacidade total na ocasião. É uma decisão que vai ter que ser feita olhando a pandemia."