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Mayra Aguiar revela importância do namorado para conquista do bronze

De volta ao Brasil, Mayra Aguiar exibe medalhas olímpicas -  Thiago Diz
De volta ao Brasil, Mayra Aguiar exibe medalhas olímpicas Imagem: Thiago Diz

Danielle Rocha

Colaboração para o UOL, no Rio

02/08/2021 17h57

Os livros - dos de autoajuda a biografias - sempre foram bons companheiros de Mayra Aguiar no processo de preparação para competições importantes. As biografias de Michael Phelps e Steve Jobs fizeram parte da construção da medalha de bronze nas Olimpíadas do Rio. Desta vez, a leitura diminuiu. Sem pisar durante nove meses no tatame devido a uma cirurgia no joelho, a judoca oscilou entre a angústia e a vontade de se recuperar a tempo dos Jogos de Tóquio. Hoje, depois de ter se superado e conquistado seu terceiro bronze olímpico (categoria até 78 kg), a atleta dá uma gargalhada ao imaginar qual título escolheria se pudesse ter um livro contando sua trajetória.

"Nossa Senhora! Acho que seria Mayra Aguiar, o que as câmeras não mostraram. Tu lê, Daniel?", indaga ela ao companheiro de seleção Daniel Cargnin, também medalhista nos Jogos e que sugeriu Mulher Maravilha.

Mayra é a única mulher brasileira que subiu três vezes ao pódio e em três edições seguidas. É a judoca mais consistente da modalidade nos dois naipes.

"Nunca pensei nisso, mas ia ser muito legal ter minha história contada. O livro do João Derly, por exemplo, é inspirador. Eu vivi muita coisa, são muitos anos... Entrei com 14 anos na seleção e já comecei a viajar, esse é meu quarto ciclo olímpico. Então, tem bastante história que poderia contar", disse nesta segunda-feira no CT Time Brasil, no Rio de Janeiro.

Poderia contar nas páginas no capítulo de Tóquio-2020 que o namorado foi fundamental para fazer com que a noite anterior à luta fosse menos dura do que o habitual. A adrenalina costuma subir, o corpo de Mayra fica tenso como se já fosse entrar no tatame.

"Eu consegui dormir bem. Meu namorado [o judoca Leonardo Lara Lopes] fez muito bem para mim, principalmente nesses últimos tempos. Eu tenho muito problema de sono, muito! E todo dia a gente conversava pelo Facetime. E ele fazia quase que uma mentalização para eu imaginar que estava num lugar tranquilo, essas coisas, e acabava me acalmando. Foi agradável, foi tranquilo".

Prestes a completar 30 anos (faz aniversário nesta terça-feira), Mayra renovou o fôlego. Já tem anotado tudo o que precisa para chegar mais perto da perfeição que não se cansa de perseguir. Sabe

"Cada competição que faço consigo enxergar muita coisa, tanto na vitória quanto na derrota. Principalmente quando perco alguma luta. O Mundial me trouxe muito isso. Só fiz essa competição antes das Olimpíadas, mas foi essencial para ver o que estava faltando, o que eu precisava fazer para melhorar nos 20 dias que faltavam para os Jogos. Saio de Tóquio também com muita ideia para botar no treino. Estou muito empolgada com isso, já anotei tudo para chegar lá e falar com meu técnico, com o preparador físico e esquematizar um plano para buscar a perfeição. Sempre todos os dias buscando o melhor de mim."

Entre os pontos listados por ela, está a necessidade treinar mais com meninas de sua categoria.

"Na parte de judô estou me sentindo muito bem fisicamente, de força. O gás, que era desvantagem, melhorou bastante. Acho que é mais na parte do tatame e especificamente treinar com meninas da minha categoria porque é bastante escasso assim. Eu não tenho muitas meninas para treinar, treino mais com os guris, só que que é diferente, não é a realidade que tenho. É conseguir juntar ali com a CBJ [Confederação Brasileira de Judô] também para a gente poder fazer mais treinamentos mais seguidos, poder levar algumas meninas de fora, do Rio de São Paulo, para poder treinar comigo, formar um time bom. Elas também acabam crescendo bastante com isso".

Mayra já está com a cabeça em Paris-2024. Se diz orgulhosa de fazer parte do time de atletas brasileiras que conseguiu até o momento grandes conquistas em Tóquio.

"É maravilhoso poder fazer parte disso. É um time de meninas muito fortes e novas conquistando títulos maravilhosos. Um time com gente de hoje e com uma base muito forte vindo. Estou muito feliz de fazer parte desse grupo e ainda estou com muito vontade para continuar. Eu ainda tenho muito gás para visualizar Paris e tenho certeza de que essas meninas que estão vindo agora também."