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Classificado para Olimpíadas, atleta ganha R$ 100 mil no Caldeirão do Huck

Daniel Chaves, da maratona, ganhou R$ 100 mil no programa Caldeirão do Huck - Reprodução
Daniel Chaves, da maratona, ganhou R$ 100 mil no programa Caldeirão do Huck Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

31/07/2021 19h38

As Olimpíadas de Tóquio marcam a estreia do velocista Daniel Chaves na maratona. Aos 33 anos, ele vai representar o país na prova mais tradicional da competição, e antes de correr pelo sonho da medalha, ele foi ao programa Caldeirão do Huck buscando a realização de outro: a casa própria. No quadro "Quem quer ser um milionário", e faturou R$ 100 mil.

"Eu venho por aquela senhora que vai aparecer daqui a pouco, minha mãe Célia. Essa senhora é bem resiliente, bem guerreira, ela batalhou pela família. Eu quero dar uma digna um pouco melhor para ela. Sou muito feliz com o que eu tenho, mas nós temos dificuldades ainda. Venho de família humilde, ela, mãe solteira, criou três, e o que eu ganhar aqui vai ser para construir uma casa para ela", explicou.

O terreno para a casa em Petrópolis, região onde Daniel nasceu e onde sua família ainda mora, já está comprado. O valor ganho no programa será empenhado na construção da casa.

A maratona está marcada para o dia 7 de agosto, e a expectativa de Daniel é chegar entre os três primeiros colocados. Ele se classificou com o tempo de 2 horas e 11 minutos nos 42 km.

"O ápice da carreira do maratonista é dos 28, 30 anos, foi quando eu estreei nesta distância. O maratonista acaba sendo bem longevo, 38, 40 anos, nós temos alguns medalhistas olímpicos nesta idade. Hoje eu diria que eu estou na flor da idade para correr uma maratona. Estou realmente no ápice da minha carreira", avaliou. "A marca que eu tenho me daria um pódio".

A corrida entrou na vida do atleta ainda na pré-adolescência, aos 12, 13 anos. Sem condições de bancar o transporte para escola, ele voltava da escola correndo para acompanhar a programação de esportes na TV. E admite: apesar de não ter o biotipo clássico de um maratonista, pegou gosto pela coisa quando começou a competir na cidade.

"Costumo dizer que Deus foi dar um dom para alguém lá perto de casa, errou o caminho e ficou lá. Nunca tive porte de maratonista, foi um dom muito aleatório que eu recebi".

No último ciclo olímpico, porém, tudo parecia perdido para Daniel. Ao não conseguir a vaga para o Rio 2016, ele foi diagnosticado com uma depressão grave, e pensar em suicídio ao perder patrocinadores e ser obrigado a dar uma pausa na carreira - tudo por uma diferença de 19 segundos no índice olímpico.

"O ano depois das olimpíadas é muito ruim para o esporte. O Brasil estava mudando de cenário, pós-impeachment, os recursos financeiros pós-olimpíadas ficaram muito escassos. Perdi todos os meus patrocinadores por não ter ido às Olimpíadas. Você vai, consegue renovar, Não consegui irm meus contratos acabaram, não tinha condições financeiras de me manter atleta. Parei de correr e fui trabalhar, tinha que sobreviver", lembra.

"Ficar sem correr para mim, foi muito ruim. Muito desanimado com o esporte, comecei a ficar muito tempo em casa, sozinho, longe da família morando em Brasília, e aí fui no fundo do poço. Mas precisava daquilo para sobreviver. Pensei em tirar minha própria vida porque não havia mais sentido em viver". A receita do psiquiatra foi mais simples do que ele imaginava: correr. "Precisava daquilo para renascer. Hoje, consigo sorrir falando disso. Fui lá embaixo e provei que dava para subir de novo".

Daniel Chaves foi até a pergunta de número 11, que valia R$ 150 mil. Depois de usar todos os recursos de ajuda e chutar - e acertar - a 10ª resposta, que bateu os R$ 100 mil, o maratonista preferiu encerrar sua participação, e voltar para casa com a quantia. Suficiente, segundo ele, para construir parte do sonho. A outra parte, fica para o dia 7 de agosto.