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Campeã, Sunisa Lee é filha de imigrantes e ganhou 1º ouro para sua etnia

Sunisa Lee exibe orgulhosa a medalha de ouro conquistada no individual geral - Laurence Griffiths/Getty Images
Sunisa Lee exibe orgulhosa a medalha de ouro conquistada no individual geral Imagem: Laurence Griffiths/Getty Images

Leonardo Parrela

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

30/07/2021 14h00

O Brasil alcançou um feito inédito na última quinta (29) quando Rebeca Andrade conquistou a medalha de prata na prova individual geral nos Jogos Olímpicos de Tóquio: a primeira medalha na história da ginástica artística feminina. Sunisa Lee, atleta norte-americana que foi a campeã da prova, também quebrou barreiras ao alcançar o ouro olímpico no Japão. Filha de imigrantes, foi a primeira da etnia hmong a conquistar uma medalha olímpica após um tumultuado ano de preparação.

Em 2019, pouco antes do Campeonato Nacional de ginástica artística, o pai de Sunisa Lee, John, sofreu um acidente. Caiu de uma escada enquanto ajudava o vizinho a podar árvores e, como resultado, perdeu os movimentos da cintura para baixo. A ginasta pensou em desistir da competição, mas foi incentivada pelo próprio pai, que sempre a acompanhou, a seguir.

A pandemia também afetou bastante a preparação da campeã olímpica. A academia onde treina ficou fechada e ela teve que trabalhar, por um tempo, em casa. Quando retornou aos treinos presenciais, quebrou um osso do pé direito e também teve problemas no tendão. Além disso, perdeu um tio e uma tia para a covid-19. Ainda assim, conseguiu se recuperar e buscou a classificação para os Jogos Olímpicos.

Final individual geral - Jean Catuffe/Getty Images - Jean Catuffe/Getty Images
Sunisa Lee, ao lado de Rebeca, faturou o ouro para os Estados Unidos na ginástica artística
Imagem: Jean Catuffe/Getty Images

No Japão, Sunisa precisou lidar com o favoritismo e a expectativa americana após a desistência de Simone Biles. Com apenas 18 anos, fez uma competição muito segura e, com a nota de 57.433, conquistou a primeira medalha de ouro da sua carreira e também para os americanos descendentes da etnia asiática hmong.

Os hmongs são oriundos do sudoeste chinês, mas migraram para o Laos e Tailândia. Pela proximidade geográfica, foram recrutados pelos americanos para ajudar nos combates na Guerra do Vietnã (1955-1975), com a promessa de que teriam acolhimento ao final do confronto. Após a promessa quebrada por parte dos Estados Unidos, ao final dos anos 1970 essa etnia era perseguida pelo continente asiático e precisou fugir. Dentre esses imigrantes estava a avó de Sunisa.

A mãe de Sunisa se chama Yeev Thoj e nasceu na Tailândia. Ela foi ainda pequena para os Estados Unidos e se estabeleceu junto de outros imigrantes no estado de Minnesota.

Yeev já morava em Saint Paul, a segunda maior cidade de Minnesota, quando Sunisa Phapbsomphou nasceu, em 2003. A campeã olímpica tinha também o sobrenome paterno, que logo se separou da mãe. Quando Suni tinha dois anos, a mãe conheceu John Lee, também da etnia hmong, a quem a atleta reconhece como pai e herdou o sobrenome, passando a ser chamada de Sunisa Lee.

A carreira de Suni no esporte começou em 2009, aos seis anos, nas competições regionais de ginástica artística. Ela treinava nas academias e voltava para casa. Para se exercitar na trave, um dos exercícios mais difíceis da modalidade, Suni usava um aparelho improvisado, construído pelo pai, no quintal da sua casa. John Lee sempre foi muito próximo de Sunisa e, sempre que possível, estava presencialmente onde a filha fosse se apresentar.

Um ano depois do início no esporte, foi campeã estadual no individual geral. A partir daí, foi escalando os níveis para entrar no circuito da ginástica em 2015. Depois de quatro anos competindo no nível júnior e conquistar medalhas nos principais campeonatos, passou a competir no nível adulto.

Sunisa Lee trave -  Jamie Squire/Getty Images -  Jamie Squire/Getty Images
Sunisa Lee competindo em 2019, pouco após o acidente do pai
Imagem: Jamie Squire/Getty Images

O grande salto na carreira de Sunisa veio no Campeonato Nacional de ginástica em 2019. Com resultados expressivos foi bronze no solo, quarta colocada na trave e ouro nas paralelas, além da medalha de prata no individual geral (atrás apenas de Simone Biles). A atuação no torneio fez com que Sunisa passasse a integrar a seleção adulta dos Estados Unidos.

Foi no melhor momento profissional que Sunisa passou pelos principais desafios na vida pessoal. Ainda assim, foi a Tóquio e já tem duas medalhas: conquistou também a prata na competição por equipes. Ela ainda vai competir em duas finais nestes Jogos Olímpicos. Tem o favoritismo para vencer nas assimétricas, no dia 1 de agosto, e também busca medalha na trave (em 3 de agosto)