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Técnica Keli Kitaura não esquece a voz fininha da pequena Rebeca Andrade

Rebeca Andrade é prata na ginástica artística - Ricardo Bufolin/CBG
Rebeca Andrade é prata na ginástica artística Imagem: Ricardo Bufolin/CBG

Roberto Salim

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/07/2021 14h00

O dia de Keli Kitaura é bem agitado. A técnica cuida da filha Sophia, de dois anos, e dos eventos de ginástica artística da academia em que trabalha na cidade de Sioux Falls, na Dakota do Sul, em pleno centro-oeste americano. Mas nada disso impediu que essa fosse uma semana especial. Ao ver as Olimpíadas de Tóquio sua mente viajou no tempo e a levou para um outro local esportivo: o Ginásio de Guarulhos, onde ela começou a treinar a pequena Rebeca Andrade, em 2009, agora vice-campeã olímpica do individual geral.

"Assisti tudo. Cada segundo da competição dela. Que emoção!" Emoção de mãe, pois a pequena ginasta passou mais tempo morando com Keli do que com sua própria família.

"Quando cheguei a Guarulhos formamos uma equipe de pequenas com mais ou menos uma 15 meninas e a Rebeca era uma delas", escreveu Keli Kitaura, respondendo às perguntas feitas a ela.

Ela começou a dar treinos na cidade de Guarulhos para dar sequência a um trabalho que já era forte e existia na região, comandado pelo técnico russo Wladimir Cheiko e por Alexandre Carvalho.

"O russo foi embora após dez anos e o Alexandre foi trabalhar no Flamengo", recorda Mônica dos Anjos, que foi quem fez o teste inicial com a menina Rebeca, para ver se ela tinha jeito para a ginástica. "Com a saída dos dois treinadores, Guarulhos contratou a Keli para trabalhar com a turma pré-infantil e a infantil pela manhã. E o Francisco Porath Neto, o Chico, veio trabalhar comigo à tarde, com a equipe juvenil e a adulta", conta Mônica.

Daqueles tempos, Keli Kitaura não esquece dos movimentos já diferenciados da pequena Rebeca e também de dois outros detalhes. "A Rebeca era uma das 15 pequenas que ficaram na minha equipe. A Rebeca estava sempre muito alegre. Lembro até hoje que ela ria de tudo. Aquela vozinha bem fininha e gargalhada gostosa".

Keli lembra também que por ter dificuldade de transporte para chegar ao ginásio, o aproveitamento de Rebeca no início ficou um pouco prejudicado. Muitas vezes ia para o treino na garupa da bicicleta, levada pelo seu irmão mais velho.

"Ela sempre teve dificuldade de condução para ir para o treino. Então, ela faltava bastante, mas mesmo assim sempre era uma das melhores, pois o talento dela eu nunca vi em nenhuma menina que eu treinei até hoje".

Perguntei a Keli se Rebeca vai trazer mais medalhas de Tóquio. "Se vai ganhar mais uma medalha? Sim, com certeza. Estou longe, mas torcemos muito. Ela vai brilhar muito mais".

E a ginástica brasileira poderia estar ainda melhor, em um patamar superior, se técnicos talentosos como Keli e Ricardo Pereira - que também está trabalhando em Dakota - estivessem em polos de desenvolvimento e alto rendimento dentro do próprio território nacional. Afinal, eles trabalharam durante muito tempo na seleção brasileira ao lado do mestre Oleg Ostapenko, um dos maiores técnicos do mundo, falecido recentemente na Ucrânia.