PUBLICIDADE
Topo

Heroína após medalha de ouro, filipina já foi acusada de conspiração

A levantadora de peso Hidilyn Diaz conquistou a primeira medalha de ouro da história das Filipinas - Lars Baron/Getty Images
A levantadora de peso Hidilyn Diaz conquistou a primeira medalha de ouro da história das Filipinas Imagem: Lars Baron/Getty Images

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/07/2021 12h00

A história da levantadora de peso Hidilyn Diaz é curiosa. Responsável pela conquista da primeira medalha olímpica de ouro da história das Filipinas após 97 anos de espera —feito atingido em Tóquio-2020 na categoria até 55kg—, ela se tornou heroína nacional. Retornou às Filipinas como ídolo do esporte, vai ganhar premiação em dinheiro, duas casas do governo e recebeu até uma ligação do presidente Rodrigo Duterte. Mas a relação entre a atleta e o governo nem sempre foi tão positiva e ela já foi acusada de participar de um movimento para derrubar o presidente.

No aeroporto, na chegada a Manila, Diaz sentiu o carinho da população filipina. Apesar dos cuidados adotados por causa da pandemia da covid-19 que ainda atinge fortemente o país, a levantadora de peso foi recepcionada por militares, que a aplaudiram enquanto ela deixava o avião. No saguão do Aeroporto Internacional de Ninoy Aquino, fãs colocaram faixas chamando a atleta de "orgulho das Filipinas".

Ela também teve um dia cheio de entrevistas e encontros importantes (virtuais, já que precisa ficar sete dias isolada em um hotel antes de poder sair às ruas). Um deles foi com o presidente filipino que, por vídeochamada, a parabenizou.

"A nação está em êxtase com sua conquista. Sua conquista é a conquista da nação filipina. Estamos extremamente orgulhosos", disse Duterte. "Você já tem o ouro. Ouro é ouro e seria bom para você deixar o passado no passado e focar em sua vitória junto com sua família e, claro, com a nação", acrescentou.

O "passado" ao qual Duterte se refere foi uma acusação feita contra a atleta em 2019 pelo então porta-voz do governo, Salvador Panelo. Na época, ele divulgou à imprensa uma suposta rede de personalidades que trabalhariam juntas com o objetivo de derrubar o presidente. Diaz teve o nome incluído nesta lista, foi hostilizada e até ameaçada de morte por apoiadores do presidente, que governa o país desde 2016 e é acusado de não respeitar direitos sociais.

A atleta negou envolvimento com o grupo e afirmou que estava muito focada em sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Apesar das dificuldades que enfrentou na época, Diaz afirmou que "perdoa todos aqueles que a perseguiram".

"Foi um momento de desânimo para mim, mas percebi que também me fortaleceu como atleta. Fiquei mais determinada, passei a amar muito mais as Filipinas. Então, eu sou grata a eles porque sem essas provações, talvez eu não teria me tornado uma medalhista de ouro", disse ao canal local ANC.

Dinheiro, casas e uma van

No retorno ao país depois de um ano e meio se preparando na Malásia por causa da covid-19, Diaz receberá cerca de US$ 800 mil em dinheiro como premiação, além de duas casas: a primeira, em um bairro nobre de Manila, e a segunda, uma casa de veraneio em um resort ao sul da capital.

Ela também vai receber uma van de 15 lugares e gasolina de graça para o resto da vida. Outra premiação foi dada pela companhia aérea local, Philippine Airlines, que prometeu dar passagens aéreas gratuitas para Diaz pelo resto da vida da atleta, que se tornou a primeira "Passageira Permanente" da empresa.

Além dos bens materiais, Diaz, que é militar, recebeu uma promoção e vai virar sargento-chefe da Força Aérea do país. Uma estátua sua também será instalada em Zamboanga, sua cidade natal.

Todas essas premiações são fruto do feito histórico da atleta, que conquistou a primeira medalha de ouro da história das Filipinas em Jogos Olímpicos.