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Com resultado inédito, Calderano fez seu primeiro técnico, Cebola, chorar

Hugo Calderano em ação contra Dimitrij Ovtcharov nos Jogos Olímpicos de Tóquio - Luisa Gonzalez/Reuters
Hugo Calderano em ação contra Dimitrij Ovtcharov nos Jogos Olímpicos de Tóquio Imagem: Luisa Gonzalez/Reuters

Roberto Salim

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/07/2021 11h51

O tênis de mesa brasileiro tem vivido momentos de muita emoção. Nunca alguém chegou tão longe quanto Hugo Calderano. Ele atingiu um nível de excelência tão grande no esporte que, acreditem, fez até Cebola chorar.

"Não consegui mesmo segurar a emoção e chorei", admitiu Cebola, seu primeiro técnico na escolinha do Fluminense. "Ele chegou com 8 anos e logo percebemos que era um menino diferente. Captava todas orientações. Tinha uma coordenação de pernas incomum".

O técnico Cebola, que está comentando as Olimpíadas pela televisão, cita um outro fator que levou Calderano às alturas: "O apoio da família. Há outros garotos que têm o mesmo potencial, mas aí vêm as condições para o desenvolvimento. E o Hugo teve todo esse apoio".

Quando Hugo começou a despontar nos torneios, o técnico que o treinou até os 14 anos, projetava a sua chegada à seleção brasileira. "Hugo tinha uma outra qualidade: o foco. Conseguia se concentrar nos momentos certos. E era muito competitivo, treinava para ganhar sempre. Sinceramente, eu o imaginava na equipe adulta e isso já era extraordinário. Mas nunca imaginei que seria um dos 10 melhores do mundo. Isso foi sim uma surpresa".

Por isso, após a vitória nas Olimpíadas sobre o sul-coreano Jong Woojin, o número 12 do mundo, Cebola desabou no fim da transmissão da partida. "A vitória levou Hugo às quartas de final e a sonhar realmente com a medalha, uma medalha olímpica que nós nunca tivemos. E isso mexe mesmo com a gente".

E chegou o jogo com o alemão Dimitrij Ovtcharov, e Cebola mais uma vez teve que segurar a emoção. Os dois jogadores já tinham se enfrentado outras três vezes, com três vitórias do alemão.

"Mas desta vez será diferente", torcia Elisa Borges, a mãe de Hugo Calderano, em sua residência no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
Apesar da torcida, não foi desta vez que o Brasil chegou mais perto do pódio. O alemão ganhou de virada por 4 sets a 2, após um início fulminante de Hugo, que esteve a ponto de fazer 3 sets a zero.

O curioso é que independentemente do resultado que levou Ovtcharov para as semifinais olímpicas, os dois já se conheciam há algum tempo. E foi de Ovtcharov o convite para que Hugo Calderano mudasse de clube. Depois de anos na Alemanha, Hugo vai jogar pela fortíssima equipe russa do Fakel Gazprom Orenburg, junto com seu algoz desta manhã de quarta-feira (28).

"Ele vai jogar na Rússia a partir de agosto, mas continua a morar na Alemanha", conta Elisa Borges, a mãe do Hugo. "É um dos maiores clubes do mundo e ele vai disputar a Champions League de tênis de mesa".

Para se ter uma ideia do poderio da equipe russa, dos oito finalistas dos Jogos de Tóquio, três integram agora o Fakel Orenburg.

"O que importa é que Hugo fez história", admitiu Cebola, que ensinou Hugo a ser competitivo e a se concentrar na hora certa.

Hoje contra o alemão faltou somente o foco no momento de definir o jogo. Uma paciência que nem mesmo um top 10 consegue
demonstrar.