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As armas de Rebeca rumo ao pódio da ginástica: talento, técnica e expressão

Rebeca Andrade se apresenta nas eliminatórias da ginástica artística nos Jogos Olímpicos de Tóquio - REUTERS/Dylan Martinez
Rebeca Andrade se apresenta nas eliminatórias da ginástica artística nos Jogos Olímpicos de Tóquio Imagem: REUTERS/Dylan Martinez

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, em Sâo Paulo

28/07/2021 15h37

Rebeca Andrade tem talento natural reconhecido e muitos recursos técnicos como ginasta, que atestam a possibilidade real de chegar a uma medalha em Tóquio-2020. As chances são no salto e no solo, aparelhos pelos quais se classificou às finais, mas também no individual geral, ainda mais após a desistência da favorita, a norte-americana Simone Biles.

A final do individual geral feminino está marcada para a manhã desta quinta-feira (29), a partir das 7h50. Por aparelhos, Rebeca disputará medalha no salto no domingo (1) e no solo na segunda-feira (2).

Yumi Sawasato, árbitra brasileira eleita como melhor do mundo no ciclo olímpico Sydney-2000/Atenas-2004 pela Federação Internacional de Ginástica (FIG), explica alguns dos movimentos a serem apresentados por Rebeca e o porquê da expectativa pelo primeiro pódio olímpico da ginástica brasileira feminina.

Salto

Salto - Gaspar Nóbrega/COB/ - Gaspar Nóbrega/COB/
Rebeca Andrade executa salto no treino de pódio da ginástica
Imagem: Gaspar Nóbrega/COB/

Nesse aparelho está a maior chance de Rebeca Andrade. Na competição ela vai dar dois saltos. O primeiro deles, denominado Cheng, é de grande dificuldade. A ginasta faz uma entrada em rodante, um meio-giro na primeira fase de voo e um mortal estendido para frente, com um giro e meio, na segunda fase de voo. Vale nota 6. ]

O segundo é um Yurchenko com dois giros, que vale 5.40. Não fossem as três cirurgias no joelho direito, diz Yumi, Rebeca faria o Amanar, com dois giros e meio, que vale 5.80.

"A Rebeca tem muita estabilidade, altura nos saltos, postura e aterrisagem firme", afirma a árbitra, para justificar a boa expectativa nesse aparelho.

Solo

Solo - Dylan Martinez/Reuters - Dylan Martinez/Reuters
Rebeca Andrade em apresentação no solo durante as Olimpíadas de Tóquio
Imagem: Dylan Martinez/Reuters

Nesse aparelho, o forte da brasileira são as cravadas das acrobacias e a facilidade para ligar movimentos. Mas também a parte artística. A batida do funk "Baila na Favela" favorece a apresentação de Rebeca, por sua musicalidade e expressividade: contam os olhares para os árbitros, por exemplo, como também o que consegue cativar do público.

As ligações entre movimentos, por exemplo, têm bônus por dificuldade (0.20). O primeiro deles, um mortal para frente estendido com um giro, é ligado a um Tsukahara (um duplo mortal grupado com pirueta). A segunda ligação se faz com um duplo mortal estendido para trás com pirueta (de dificuldade excepcional, como diz a árbitra Yumi). O terceiro, também difícil, é um duplo estendido.

Individual geral

Individual - Athit Perawongmetha/Reuters - Athit Perawongmetha/Reuters
25.jul.2021 - Ginasta brasileira Rebeca Andrade participa de prova eliminatória na olimpíada de Tóquio
Imagem: Athit Perawongmetha/Reuters

Para chegar ao título de ginasta mais completa de Tóquio-2020 é preciso se apresentar bem nos quatro aparelhos. A ordem olímpica tem salto, paralelas assimétricas, trave e solo (único com trilha musical).

Rebeca Andrade é, reconhecidamente, uma boa ginasta nos quatro. Tem estabilidade, linha impressionante nos movimentos e postura. E ainda é muito competitiva. Além da parte técnica, um ponto importante é o amadurecimento da brasileira, que nos últimos anos se mostrou autoconfiante e determinada.

Classificada aos 15 anos para os Jogos da Juventude de Nanquim-2015, não pôde ir, nem nos Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015, por causa de ruptura do ligamento anterior do joelho direito. Foi quando passou pela primeira de três cirurgias (as seguintes foram em 2017 e 2019, sendo que na última vez ainda fez outra complementar, no esquerdo, para a retirada de um pedaço de tendão patelar a ser enxertado no direito).

Nas Olimpíadas do Rio-2016, foi terceira na fase classificatória do individual geral, atrás apenas das norte-americanas Simone Biles e Aly Raisman, mas terminou em 11º e teve de passar pela segunda cirurgia no mesmo joelho direito nem 2017. A situação se repetiu em 2019. Não pôde ir nem aos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019, nem ao Mundial de Stuttgart-2019, quando tentaria classificação para as Olimpíadas de Tóquio-2020.

Precisou da terceira cirurgia. Para atestar a determinação e talento de Rebeca Andrade: foi buscar sua vaga olímpica apenas no Pan de Ginástica disputado no Rio de Janeiro. E, depois de pouco mais de um mês, está na disputa de três medalhas em Tóquio-2020.