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Por que Marta não usa patrocínio esportivo nas Olimpíadas de Tóquio?

Marta com chuteira sem patrocínio nos Jogos Olimpícos de Tóquio.  - Koki Nagahama/Getty Images
Marta com chuteira sem patrocínio nos Jogos Olimpícos de Tóquio. Imagem: Koki Nagahama/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

25/07/2021 04h00

Assim como fez na Copa do Mundo de Futebol Feminino em 2019, Marta calça, nas Olimpíadas de Tóquio, um par de chuteiras pretas apenas com um símbolo da igualdade em rosa e azul na lateral. Foi assim na estreia do Brasil contra a China, quando dos pés da Camisa 10 saíram dois dos cinco gols brasileiros, na quarta-feira (21), e no empate em 3 a 3 contra a Holanda, neste sábado (24), quando ela marcou mais uma vez.

A maior artilheira em Copas entre homens e mulheres, com 17 gols, não tem patrocínio de nenhuma marca esportiva desde 2018. No mundial do ano seguinte, começou o protesto silencioso em prol de iguais condições salariais entre homens e mulheres no futebol em parceria com a iniciativa global "Go Equal", que defende a igualdade de gênero no esporte.

De lá para cá, recusou propostas por entender que os valores oferecidos não estavam à altura do que ela, considerada seis vezes a melhor jogadora do mundo, representa para o futebol.

Pouco antes de estrear em Tóquio, a principal jogadora do Brasil falou ao ge sobre a opção de não usar nenhuma marca no evento.

"Estou usando a mesma chuteira. Com o mesmo símbolo, o 'Go Equal'. E continua sendo uma opção minha. Não é só pelo dinheiro em si. É toda uma história. Mas muitas vezes, os contratantes da patrocinadora não enxergam por esse lado. É um conjunto de coisas para a minha decisão. E posso ver que, por outro lado, isso ajudou outras atletas".

Marta usou o cabelo para esconder o símbolo da Nike, fornecedora esportiva da CBF.  - CBF - CBF
Marta usou o cabelo para esconder o símbolo da Nike, fornecedora esportiva da CBF
Imagem: CBF

E não é só com a chuteira que Marta dá o seu recado. Nas fotos oficiais da seleção brasileira para as Olimpíadas de Tóquio, a atacante usou o cabelo para esconder o símbolo da Nike, fornecedora esportiva da CBF.

Por essas lutas sociais que refletem nos recados que ela tem passado em campo, Marta é, desde 2018, embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres. Na função, segundo o site da ONU, a jogadora "dedicará seus esforços para apoiar o trabalho das mulheres pela igualdade de gênero e empoderamento das mulheres em todo o mundo, inspirando mulheres e meninas a desafiar estereótipos, superar barreiras e seguir seus sonhos e ambições, incluindo na área do esporte".

Enquanto as marcas esportivas não oferecem o valor que ela considera justo, na comparação com os colegas homens, Marta prefere ver seu nome associado a causas em que acredita. Nesta semana, ela foi anunciada como "Líder Global de Diversidade e Inclusão da Latam.

"Embarco neste voo com a importante missão de apoiá-los na construção de uma companhia ainda mais plural. Eu, que sempre acreditei e luto diariamente para que todos e todas tenham oportunidades iguais de escolha em suas vidas, escolhi fazer parte deste movimento do grupo LATAM porque acredito que, juntos, conseguiremos levar mais sonhos aos seus destinos. E é isto que buscaremos nos próximos anos! É isso que me faz voar", escreveu ela no Instagram.

Nestas Olimpíadas, o principal objetivo de Marta é trazer a inédita medalha de ouro para o Brasil. A seleção brasileira bateu duas vezes na trave, conquistando a prata nos jogos de 2004, em Atenas, e de Pequim, em 2008. Marta e companhia voltam a a campo nesta terça-feira (27) contra a Zâmbia, às 8h30 (horário de Brasília).