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Vaivém Olímpico: ameaça de tufão em Tóquio-2020? Era o que faltava

Ventos muito fortes não são raros em cidades como Tóquio, na chamada temporada de furacões - NurPhoto/NurPhoto via Getty Images
Ventos muito fortes não são raros em cidades como Tóquio, na chamada temporada de furacões Imagem: NurPhoto/NurPhoto via Getty Images

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, de São Paulo

24/07/2021 04h00

Está certo que parte da Ásia está na temporada dos furacões, mas tudo o que as Olimpíadas de Tóquio-2020 não precisavam agora é de um tufão. Os meteorologistas estão atentos, como é o caso do norte-americano Eric Holthaus, citado pelo site Stuff, da Nova Zelândia. Não apenas esse, mas vários sites de países "pelas imediações", europeus e norte-americanos distribuíram imagens de radar de um tufão ao sudeste da capital japonesa, que pode atingir a capital no fim deste domingo ou no início da semana.

Difícil prever trajetórias desses ventos furiosos, mas a ameaça está sendo monitorada no Pacífico ocidental, considerada a área mais ativa no caso desses tufões, como é o caso do Joint Typhoon Warning Center do Japão, em parceria com a Agência Meteorológica Japonesa.

Amostra em Seul-1988

Torben Grael, velejador  - Handout/Getty Images - Handout/Getty Images
Torben Grael, um dos grandes velejadores do mundo, em classes olímpicas e oceânica
Imagem: Handout/Getty Images

Nos Jogos Olímpicos de Seul-1988, a vela foi disputada na cidade costeira de Pusan (como se escrevia na época, hoje Busan). Mesmo tomando avião na madrugada, já chegamos (eu e o fotógrafo Sérgio Berezovsky, o Berê) atrasados. Foi marcante a perda da medalha de ouro de Torben Grael/Nelson Falcão, que estavam muito na frente dos adversários. Ventos muito fortes quebraram a cruzeta do barco da classe Star na penúltima regata e o jeito foi se conformar a medalha de bronze. Se bem que ali, naquele momento, aos 28 anos, Torben estava tudo, menos conformado.

Dei uma atropelada radical, talvez mal-criada, na Dorrit Harazim (desculpas beeem atrasadas, Dorrit...), que estava conversando com o Torben para a revista Veja. Minha pressa era maior, pelo fechamento maluco, diário, trabalhando em três turnos por causa do fuso horário do outro lado do mundo, para o Jornal da Tarde. Havia a história da superstição, com a promessa não cumprida de voltar velejando de Búzios para o Rio de Janeiro, pela classificação olímpica.

E Torben era (é?) supersticioso mesmo: em Los Angeles-1984, velejou com barco emprestado dos britânicos, o " Sausalito", porque a quilha do brasileiro havia sido impugnada. Lembro que me confirmou a história de colocar uma moeda embaixo do casco. E o trio na classe Soling, com Daniel Adler e Ronaldo Senfft, foi prata perdendo apenas para a França. Torben começava sua carreira de Mestre dos Mares, para admiração dos próprios adversários nos anos seguintes.

Mas ainda em Pusan, lá em Seul-1988, o irmão Lars Grael estava bem contente, com seu proeiro Clínio de Freitas, pelo bronze da classe Tornado (!).

Por que lembrei de tudo isso? Porque no píer, para alcançar onde os velejadores lavavam seus barcos na volta das regatas, não dava para avançar, andando contra o vento. Literalmente. Era preciso forçar e não se saía do lugar, éramos empurrados para trás! O tal vento seria considerado tufão? Tornado? Furacão? Acho que não. Mas como ventava!

O furacão mesmo ficou para a volta a Seul, de noite, quando ficamos sabendo: naquele dia, tinha sido divulgado o doping da superestrela de Seul-1988: o velocista canadense Ben Johnson.