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Boliviano perde e troca camisa com Djokovic: "Para mim foi um sonho"

Depois de perder para Djokovic, o boliviano Hugo Dellien pediu para trocar de camisa - Reprodução Twitter
Depois de perder para Djokovic, o boliviano Hugo Dellien pediu para trocar de camisa Imagem: Reprodução Twitter

Felipe Pereira

Do UOL, em Tóquio (Japão)

24/07/2021 07h23

As Olimpíadas são sobre vitórias. Mas as vitórias nem sempre são sobre ganhar. O boliviano Hugo Dellien não fez frente ao número um do mundo, Novak Djokovic, e caiu na primeira rodada do torneio de tênis por duplo 6/2. Saiu tão contente que se derramou em elogios ao sérvio ainda em quadra.

"Para mim foi um sonho, como eu disse a ele quando terminamos a partida. Acredito que lutei toda minha vida por este momento".

Chegando no vestiário, Dellien passou da admiração à tietagem. Pediu a para trocar de camisa com Djokovic. Ele contou que ficou a semana anterior ao sorteio repetindo ao treinador que desejava enfrentar Djokovic na primeira rodada. Deu certo. Agora, falta ele decidir o que fazer com a recordação do confronto.

"Ainda não sei o que vou fazer com a camisa. Vou guardar, mas não sei onde. Ainda estou assimilando a partida".

Dellien chegou na zona mista surpreso com a velocidade que a notícia da troca de camisa se espalhou. Comentou que estava todo mundo comentando nas redes sociais. Ele avalia que conseguiu fazer frente ao número um do mundo no começo dos sets. Mas não acompanhou o nível do adversário conforme as parciais avançaram.

"Nos começos de cada set o jogo foi equilibrado. Depois, ele começou a fazer aquelas coisas que só Djokovic faz."

Djokovic vs Dellien - Reuters - Reuters
Imagem: Reuters

Diferentes aspirações

A felicidade do boliviano mostra que o mais feliz nem sempre é aquele que vence mais jogos. Um jogador que se considere candidato a medalha pode deixar as Olimpíadas frustrado. Dellien saiu radiante mesmo sendo eliminado num jogo de primeira rodada em que jamais esteve perto equilibrar as ações.

Ele justifica que foi a primeira vez que um tenista do país participou dos Jogos Olímpicos com classificação pelo ranking. Acrescentou ainda que há muitas dificuldades em atuar em alto nível em um país sem tradição no tênis. Dellien mora em Buenos Aires porque em sua terra natal não teria com quem treinar. Além disso, o tenista tem consciência que talvez nunca mais participe das Olimpíadas.

"Eu acredito que para mim era o maior que o esporte podia me dar, o ponto máximo. Jogar contra o número um do mundo em minha primeira Olimpíada. E quem sabe a única."

Dellien estava contente por tudo e contou que só mudaria um item na sua experiência olímpica: a falta de torcedores. Ele lamenta, mas entende que a pandemia se impõe.

"Obviamente, é triste ver o estádio vazio, é triste o que estamos passando. Na cerimônia de abertura havia pouca gente de um lado das arquibancadas, e do outro lado ninguém. Espero que tudo passe o rápido e voltemos anormalidade e possamos aproveitar a vida".

Suzuka  - Felipe Pereira - Felipe Pereira
Suzuka Toriui vibrou quando soube que poderia ver Djokovic jogar
Imagem: Felipe Pereira

Voluntário vira torcedor

Os japoneses são conhecidos por seu compromisso com o trabalho. Mas muitos voluntários deram um jeito de acompanhar a estreia de Djokovic nas Olimpíadas. Sem público, a quadra central tinha 17 acessos abertos e quase todas tinham grupinhos de gente com o uniforme azul de quem trabalha em Tóquio-2020. Muitos camarotes improvisados tinham até 10 voluntários.

Suzuka Toriui, 20 anos, atua no setor de hospitalidade de dirigentes estrangeiros. Fluente em inglês, algo pouco comum no Japão, ela acompanha os cartolas fazendo traduções. Escalada para atender o presidente do Comitê Olímpico do Uruguai neste sábado, Suzuka vibrou quando ele afirmou que passaria o dia assistindo tênis.

A garota tem o japonês Kei Nishikori como ídolo, mas adora Djokovic. Admira várias características do sérvio. A primeira citada é a frieza em saber como se portar em cada momento do jogo e assim controlar as partidas. Suzuka ressalta também a resiliência do sérvio e conta que nunca viu o número um do mundo baixar a cabeça, mesmo em momentos complicados.

Masaki Numaguchi  - Felipe Pereira - Felipe Pereira
Masaki Numaguchi se voluntariou para ser boleiro e via o jogo quando não estava numa quadra
Imagem: Felipe Pereira

E o último motivo é o que aconteceu nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Djokovic perdeu na primeira rodada para o argentino Juan Martín Del Potro e deixou a quadra chorando.

"Ele mostrou que se importa com seu país, que se importa com seu povo. Fiquei tocada, foi muito emocionante".

Masaki Numaguchi, 16 anos, é boleiro. Ele disse que é apaixonado por tênis e ficou muito feliz quando foi escolhido como voluntário. O desejo maior era atuar numa partida de Djokovic, mas o garoto não estava escalado.

Mas o tênis reveza os boleiros conforme o jogo avança. Masaki deixou o repórter falando sozinho quando foi chamado.