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Tóquio abre sua "janela para o mundo": como será a Cerimônia de Abertura

Vista aérea de Tóquio, com o Novo Estádio Olímpico, para 68 mil pessoas - Atsushi Tomura/Getty Images
Vista aérea de Tóquio, com o Novo Estádio Olímpico, para 68 mil pessoas Imagem: Atsushi Tomura/Getty Images

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, de São Paulo

22/07/2021 04h00

Em meio ao quarto Estado de Emergência na capital japonesa, o que se espera da abertura da Olimpíada de Tóquio? Um show de tecnologia. Não se tem ideia é da audiência, quando boa parte do mundo ainda segue trancada em casa por causa da pandemia, com tevês e computadores ligados o tempo todo.

Será preciso uma criatividade imensa para segurar uma cerimônia que pode ser tecnologicamente fantástica, mas fria ao mesmo tempo. O tema que servirá como fio condutor será "Seguindo em Frente". São esperados em torno de 15 líderes mundiais, e o imperador Naruhito deve evitar a palavra "celebração" em seu discurso.

Segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI), a Cerimônia de Abertura dos Jogos do Rio, em 2016, foi acompanhada por 342 milhões de pessoas, em torno da mesma audiência de Londres-2012 — e um número bem abaixo de Pequim-2008, que teve um bilhão de espectadores em todo o mundo.

Novo Estádio Olímpico de Tóquio, para 68 mil pessoas - Michael Kappeler/picture alliance via Getty Images - Michael Kappeler/picture alliance via Getty Images
Estádio Olímpico de Tóquio, onde 10 mil VIPs terão acesso na cerimônia de abertura
Imagem: Michael Kappeler/picture alliance via Getty Images

Janela para o mundo

E Tóquio? Os idealizadores da abertura (ainda que alguns deles tenham sido trocados ao longo dos anos) apostam que será um "ponto de virada" na história das Olimpíadas. Quem tomou a frente do show foi o italiano Marco Balich, como produtor executivo, em parceria com a Dentsu, empresa gigante de publicidade.

Para Balich, a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos são como "uma janela para a humanidade, e de alguma forma tem de refletir ou fazer referência ao que está acontecendo". Ou seja, no momento, uma pandemia. "Será mais séria, mas ainda assim com a beleza da estética japonesa. Precisamos dar nosso melhor para esta Olimpíada que, esperamos, seja a única de seu tipo."

De toda forma, as linhas básicas do Comitê Organizador (TOCOG) designadas para os produtores do evento foram: paz, coexistência, reconstrução, futuro, Japão e Tóquio, atletas, envolvimento e alegria. Pela Carta Olímpica do COI, ainda é obrigatório combinar o cerimonial com a história e a cultura japonesas.

Vale destacar que a Toyota, uma das grandes patrocinadoras dos Jogos e que teria papel de destaque na abertura, preferiu se retrair, deixando de colocar sua marca em risco diante da rejeição em massa da população japonesa aos Jogos em casa, em meio a uma quarta onda de casos de covid-19 no país.

Ligação com a natureza

O novo Estádio Olímpico, com capacidade para 68 mil pessoas e que custou US$ 1 bilhão, é obra do arquiteto Kengo Kuma, com design imitando antigos templos, com aço emulando treliças de madeira. A ideia parte da "religação de Tóquio com a natureza".

Apesar da proibição da presença de público durante as Olimpíadas, o estádio não estará totalmente vazio porque serão recebidos cerca de 10 mil convidados VIPs, a maioria de chefes de Estado ou representantes, como Jill Biden, primeira-dama dos Estados Unidos, e Emmanuel Macron, presidente da França, a próxima sede olímpica. Membros privilegiados do COI, Comitês Olímpicos Nacionais e Federações Esportivas Internacionais também lá estarão, com alguns executivos de empresas patrocinadoras (o CEO da Toyota, Akio Toyoda, já avisou que não vai).

Espera-se a entrada do primeiro-ministro Yoshihide Suga para o hino japonês, parada de atletas, revoada simbólica de pombas, juramentos, içamento da bandeira olímpica e o acendimento da pira olímpica. Mas, desta vez, não haverá a aglomeração do desfile das delegações e sim uma dupla representante por país como porta-bandeira, para fixar a igualdade de oportunidades - no caso do Brasil, serão o levantador Bruninho, do vôlei, e a judoca Ketleyn Quadros.

Destaque para próximos anfitriões

A cerimônia, sabe-se, não terá som artificial de multidão, como se pensou fazer, imitando transmissões de futebol. Imagina-se um show predominantemente para tevê, até como retrato do que vive o mundo em pandemia.

Foi divulgada uma mudança na ordem do desfile: a Grécia segue abrindo e o Japão fechando o desfile. Mas França e Estados Unidos (que terão sedes nos próximos Jogos, em 2024 e 2028) saem da ordem alfabética e virão logo antes do país-anfitrião. A homenagem olímpica introduzida nos Jogos do Rio-2016 - Olympic Laurel - será para o economista Muhammad Yunus, de Bangladesh, ganhador do Prêmio Nobel da Paz.

Há 57 anos, na Olimpíada de Tóquio-1964, a Cerimônia de Abertura mostrou o evento como símbolo de esperança e rejuvenescimento do Japão saído da Segunda Guerra Mundial. Em parte, esses valores podem ser vistos em paralelo com o mundo de hoje, que vive sob temas como renascimento e resiliência, em meio a uma pandemia.

Abertura da Olimpíada de Tóquio 1964 - Bettmann Archive/Getty Images - Bettmann Archive/Getty Images
Cerimônia de abertura da Olimpíada de Tóquio 1964, no Estádio Olímpico
Imagem: Bettmann Archive/Getty Images