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Consulado no Japão recebe cartas contra brasileiros em cidade foco de covid

Cartão enviado ao consulado do Brasil protesta contra chegada de atletas brasileiros em Hamamatsu - Reprodução
Cartão enviado ao consulado do Brasil protesta contra chegada de atletas brasileiros em Hamamatsu Imagem: Reprodução

Juliana Sayuri

Colaboração para o UOL, em Toyohashi (Japão)

15/07/2021 12h12

"Time Brasil! Vá para Tóquio, não para Hamamatsu", diz um cartão-postal, escrito em inglês, japonês e português, enviado anonimamente para o Consulado-Geral do Brasil na cidade de Hamamatsu, na província de Shizuoka, a 250 km da capital japonesa. A cidade é uma das nove que vão receber brasileiros antes das Olimpíadas e hospedará as equipes de ginástica rítmica, judô e tênis de mesa. Ao todo, 75 brasileiros passarão pelo local.

"O centro olímpico é Tóquio, não Hamamatsu", destaca a correspondência, à qual o UOL Esporte teve acesso. O consulado recebeu três cartões protestando contra a vinda dos atletas brasileiros: em 26 de maio, 28 de junho e 5 de julho. Um deles diz que os atletas brasileiros não são "bem-vindos".

"Foi muito pontual, sem maiores repercussões", conta o cônsul-geral Aldemo Garcia. "Não reflete o clima da cidade, que está fazendo o possível para receber muito bem as delegações brasileiras, com todos os protocolos possíveis para garantir a segurança de todos."

Hamamatsu virou um foco de preocupação do Comitê Olímpico Brasileiro depois que cinco funcionários do hotel que receberia os atletas testaram positivo para covid-19. Os casos aconteceram antes da chegada do Time Brasil. Hoje, já são 11 os infectados, entre trabalhadores e seus familiares. De acordo com a prefeitura, apenas um teve sintomas leves; os demais estão assintomáticos.

O COB afirma que os atletas não têm contato direto com os trabalhadores do hotel e que os brasileiros estão "enjaulados" para evitar que o vírus contamine também a delegação. A maioria dos atletas foi vacinada antes da viagem ao Japão.

O caso também causa preocupação no Japão, que, diferentemente de grande parte dos países ricos, ainda não vacinou a maioria da sua população. Uma reportagem sobre o surto de covid em Hamamatsu é hoje a mais lida no site do jornal "Asahi Shimbun", um dos mais tradicionais do país.

Adelmo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Adelmo Garcia, cônsul-geral do Brasil em Hamamatsu, Japão
Imagem: Arquivo pessoal

"Que ironia: os japoneses preocupados que os brasileiros pudessem trazer novas variantes do vírus e, quando se chega em Hamamatsu, aparecem casos de covid entre funcionários japoneses do hotel, pondo em risco justamente atletas brasileiros", diz Garcia. "Ou seja: o perigo já estava aqui, dentro do Japão."

Consulado quer fazer treinos abertos à população

Antes da abertura dos Jogos, no dia 23 de julho, o consulado cogita junto ao COB a possibilidade de levar crianças das oito escolas brasileiras da província de Shizuoka para assistir a treinos de ginástica rítmica, judô e tênis de mesa (com distanciamento e sem interação direta com os atletas). Ao todo, são cerca de mil crianças.

A unidade consular também considera levar estudantes brasileiros para uma ação de "despedida" dos atletas no último dia de hotel antes da partida rumo a Tóquio. Alunos já gravaram vídeos com mensagens de apoio aos atletas.

Com apoio de empresários de Hamamatsu, o consulado fez leques de torcida, máscaras com as bandeiras do Brasil e do Japão, e faixas comemorativas. "Gambare Time Brasil" diz uma delas —entre outras traduções, a expressão quer dizer "dê o seu máximo", "faça o seu melhor" e também "boa sorte".