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Ginasta do Uzbequistão 3 vezes mais velha que rivais vai para 8ª Olimpíada

Oksana Chusovitina agradecendo ao público depois de competir na Olimpíada do Rio, em 2016 - Lukas Schulze/Getty Images
Oksana Chusovitina agradecendo ao público depois de competir na Olimpíada do Rio, em 2016
Imagem: Lukas Schulze/Getty Images

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/06/2021 04h00

A ginástica artística feminina costuma ser dominada por meninas e mulheres jovens. A ginasta Oksana Chusovitina, de 46 anos, quebra todos os paradigmas. A veterana do Uzbequistão participará da sua oitava Olimpíada no próximo mês, em Tóquio, um recorde absoluto na ginástica.

Embora a média de idade na modalidade esteja crescendo nos últimos anos, as ginastas ainda são muito jovens. A idade mínima para uma garota competir na ginástica artística em Olimpíada é 16 anos. Este limite foi definido em regra alterada no ano de 1997. Antes disso, as atletas precisavam ter, no mínimo, 15 anos.

Na Olimpíada do Rio, por exemplo, a média de idade na competição geral foi de pouco mais de 20 anos. É incomum ver ginastas que superam os 30 anos.

Nascida no Uzbequistão, em 1975, Oksana Chusovitina estreou nos Jogos em Barcelona 92, quando ganhou uma medalha de ouro. Ela fez parte da Equipe Unificada, formada por atletas de países da antiga União Soviética, que foi campeã na categoria em grupo.

Chusovitina durante seu primeiro grande torneio, em 1990 - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Chusovitina durante seu primeiro grande torneio, em 1990
Imagem: Reprodução/Instagram

Quatro anos depois, a ginasta atuou sozinha representando o Uzbequistão em Atlanta. Em Sydney, fez história ao competir um ano após dar à luz seu primeiro filho, Alisher.

A Olimpíada de 2000 era a última para Chusovitina, que, com 25 anos, já tinha chegado em idade avançada para a modalidade. Um problema familiar, no entanto, mudou seus planos. Em 2002, Alisher foi diagnosticado com leucemia, e Chusovitina decidiu se mudar para a Alemanha para tratar a doença do filho. Para se manter em um país diferente e ter condições de pagar as despesas do tratamento, tomou a decisão de voltar à ginástica.

Apesar de uma frustrante Olimpíada em Atenas, onde não conseguiu se classificar para final do salto, a ginasta ainda não sentia que deveria parar. Dividindo sua vida entre a ida aos treinos e as visitas ao hospital para acompanhar o tratamento do filho, Chusovitina viu nas adversidade um incentivo para seguir no esporte.

Em 2008, ganhou a prata competindo pela Alemanha

Depois de anos morando na Alemanha, a ginasta adquiriu cidadania alemã e estava determinada a competir pelo país em Pequim. Com as cores alemãs, chegou aos Jogos Olímpicos defendendo a terceira bandeira diferente na carreira, apenas a segunda pessoa a fazer isso na modalidade.

Como alemã, viveu um dos grandes momentos de sua carreira: a medalha de prata no salto, conquistada aos 33 anos. Subiram ao pódio com ela Hong Un Jong, da Coreia do Norte, que tinha 19 anos, e a chinesa Cheng Fei, de 20.

Aos 33 anos, Chusovitina ganhou prata em Pequim; Hong Un Jong, de 19 anos e chinesa Cheng Fei, de 20, completaram o pódio - Jed Jacobsohn/Getty Images - Jed Jacobsohn/Getty Images
Aos 33 anos, Chusovitina ganhou prata em Pequim; Hong Un Jong, de 19 anos e chinesa Cheng Fei, de 20, completaram o pódio
Imagem: Jed Jacobsohn/Getty Images

"No pódio, todos são iguais, sejam vocês de 40 ou 16 anos", disse a veterana em entrevista à Associated Press.

Oksana Chusovitina ao lado do filho e do marido - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Oksana Chusovitina ao lado do filho e do marido
Imagem: Reprodução/Instagram

A prata, no entanto, não foi a maior vitória da ginasta naquele ano. Pouco depois de conquistar a medalha, um telefonema trouxe a notícia: seu filho estava livre da leucemia.

"Muitas pessoas acham que estes são os Jogos Olímpicos mais memoráveis para mim, porque ganhei por um país diferente uma medalha de prata olímpica. Mas nenhuma das medalhas vencerá as notícias sobre a saúde do seu filho", contou.

Chusovitina quer ser modelo

A medalha olímpica com mais de 30 anos deu à ginasta a sensação de que ainda tinha força para mais. A partir daquele momento, vê-la competindo se tornou importante também para atletas mais novas. Chusovitina sonha em mostrar para as jovens ginastas que elas podem continuar competindo independente da idade.

"Se eu for um modelo para uma ou duas outras atletas mulheres que olhem para mim e decidam prolongar sua longevidade no esporte, estou honrada."

Depois de Londres, Chusovitina começou a pensar para valer na aposentadoria. Após uma competição frustrante em 2012, chegou a dizer publicamente que pararia de vez. No entanto, mudou de ideia no dia seguinte do anúncio e esteve no Rio em 2016, competindo novamente pelo Uzbequistão.

Sua treinadora é Svetlana Boginskaia, que foi sua companheira em Barcelona. Mesmo conhecendo a capacidade atlética de Chusovitina, a técnica nunca achou que ela seria capaz de competir em alto nível depois dos 40.

"Sua ética de trabalho é absolutamente de outro mundo", disse Boginskaia.

Oksana Chusovitina competindo no Salto sobre a Mesa no Mundial de Ginástica Artística, em 2013 - Marijan Murat/Getty Images - Marijan Murat/Getty Images
Oksana Chusovitina competindo no Salto sobre a Mesa no Mundial de Ginástica Artística, em 2013
Imagem: Marijan Murat/Getty Images

A Olimpíada de Tóquio deve ser, de fato, a sua última como atleta. O adiamento dos Jogos não a desanimou. Pelo contrário, foi a chance de ela prolongar sua carreira por mais um ano:

"Achei que deveria terminar minha carreira nos Jogos de Tóquio, e agora não vou mudar meus planos. Isso significa mais uma temporada na ginástica", ela explicou. Quando estiver no Japão, vai se tornar a ginasta feminina mais velha a competir em uma Olimpíada em toda a história.