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Aos 85 anos, Éder Jofre usa canabidiol para controlar doença no cérebro

Éder Jofre recebeu novo cinturão do Conselho Mundial de Boxe - Divulgação/WBC
Éder Jofre recebeu novo cinturão do Conselho Mundial de Boxe Imagem: Divulgação/WBC

Maria Victoria Poli

Do UOL, em São Paulo

12/05/2021 04h00

Os vinte anos no boxe eternizaram o nome de Éder Jofre, hoje com 85 anos, entre os maiores de todos os tempos. Esse mesmo período, no entanto, foi responsável também por transformar a cabeça do tricampeão mundial. Assim como Maguila, o "Galo de Ouro" foi diagnosticado com encefalopatia traumática crônica e iniciou há cinco meses o tratamento com canabidiol (CBD), substância extraída da planta Cannabis, popularmente conhecida como maconha.

"Os problemas que o Éder começou a apresentar foram de esquecimento, desde os anos 90. Ele esquecia onde colocava a chave do carro, esquecia que dia era. Isso foi ficando mais frequente", conta Antonio Oliveira, genro do ex-atleta que vive com ele e a esposa, Andrea. "Começamos a notar lapsos de confusão e dificuldade com algumas coisas, como dirigir. Ele ficava meio disperso", completa.

Foi em 2013, porém, que Éder sofreu o golpe mais duro. A morte de Cidinha, sua companheira por mais de 52 anos, levou a uma decadência da saúde física e mental, segundo a família, na qual picos e vales comportamentais eram constantes: "Uma hora ele estava bem outra hora ficava irritado. As alterações chegaram a um ponto em que começou a ser difícil conviver".

A ECT é uma doença degenerativa, progressiva e irreversível que prejudica a memória, a capacidade motora, altera o comportamento e pode afetar indivíduos sujeitos a traumas constantes no crânio. Inicial e erroneamente diagnosticado com Alzheimer, o ex-pugilista não mostrava evolução no tratamento e padecia com dificuldades para se alimentar, até adequar o acompanhamento com o Dr. Renato Anghinah, mesmo médico de Maguila.

O óleo de CBD substituiu, no início deste ano, o último de uma lista de 14 medicamentos que Éder Jofre utilizava. "De cara ele começou a se alimentar melhor, a procurar mais comida, e teve também uma melhora da concentração. Não é nada extraordinário, pois tem coisas que não voltam por causa da doença, mas hoje ele compreende mais, responde com mais precisão. E a firmeza, também. Melhorou a coordenação motora", avalia Antonio.

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Dono de um cartel com 81 lutas, 75 vitórias (50 por nocaute), quatro empates e duas derrotas, Éder Jofre tem ganhado qualidade de vida, segundo a família, e aguarda o controle da pandemia de covid-19 para se tornar o primeiro brasileiro no Hall da Fama do Boxe da Califórnia, nos Estados Unidos. A cerimônia está marcada para outubro.