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Olhar Olímpico

Ítalo reclama de falta de oportunidades para jovens surfistas no Brasil

Italo Ferreira no México - WSL
Italo Ferreira no México Imagem: WSL
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

08/09/2021 04h00

O surfe brasileiro masculino hoje domina o mundo, com quatro títulos nas últimas seis temporadas e os três principais favoritos à taça deste ano, mas sustenta financeiramente um número pequeno de atletas no Brasil. Sem um calendário nacional profissional bem estruturado, o país tem perdido talentos que poderiam usar o esporte para sustentar suas famílias. E essa situação vem incomodando o primeiro e por enquanto único campeão olímpico do surfe, Ítalo Ferreira.

"Há alguns anos o surfista brasileiro já vem sofrendo com essa escassez de campeonatos. Isso prejudica os atletas, que acabam ficando desmotivados, não têm para onde seguir, e acabam procurando outras alternativas. Antigamente a galera saia do WCT para surfar no Brasil, porque o nível era absurdo. Eu queria muito ser campeão brasileiro. A premiação era boa, era um super-incentivo para mudar de vida, ter uma ajuda financeira, ajudar sua família", disse Ítalo, em conversa com jornalistas.

Ele sempre foi um talento precoce, que chegou à elite do circuito mundial aos 20 anos. Mas Ítalo sabe que essa é a exceção. "É dificil para a galera que está tentando chegar no circuito. Ou você tem um talento absurdo, ou vai ficar esperando campeonato que não tem. Infelizmente algumas pessoas que estão por trás pensam no seu próprio umbigo ao invés de ajudar o próximo e aproveitar esse momento para que cresçam novos surfistas, para que outros atletas tenham oportunidade. Hoje em dia ou você compete alguns campeonatos e logo vai pro circuito ou não tem como. Não tem meio termo."

Ítalo critica "algumas pessoas" que só pensam no próprio umbigo, mas não dá nomes. Pergunto se a crítica é direcionada a Adalvo Argolo, presidente da Confederação Brasileira de Surfe, que enfrenta uma batalha judicial para se manter no cargo mesmo com apoio ínfimo na comunidade do surfe.

"Você vai querer na sua casa um cara que você contrata para construir sua sala e ele es sentando no seu sofá? Não gosto de falar de nome, mas a gente já se manifestou e basta que as pessoas que estão nos seus lugares, elas façam essa moeda virar", afirmou Ítalo, que hoje (7) lança um documentário sobre sua carreira, A Curiosa História de Ítalo Ferreira, dirigido por Luiza de Moraes.

O filme, de 49 minutos, foi pensado e bancado por duas marcas que patrocinam Ítalo: a Billabong, de surfwear, e a Red Bull, de bebidas energéticas, e produzido pela O2 Filmes. O documentário conta a relação do surfista com seus amigos e com a cidade de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, onde nasceu e até hoje vive.

Ainda que, naturalmente, não tenha nenhuma pretensão de ter um olhar crítico, o documentário foge do clichê dos reality shows sobre surfistas, que intercalam cenas de intimidade com belas imagens de surfe. Para isso, Luiza de Moraes ficou um mês em Baía Formosa entre o período de pesquisa de roteiro e as entrevistas em si.

Bochecha, amigo de Ítalo desde a infância, foi escolhido para ser o locutor do documentário, o que o faz em primeira pessoa. O filme foi pensado para ser atemporal, mas acabou incluindo, de última hora, o título olímpico. Como a O2 e os patrocinadores não têm autorização para uso de imagens das Olimpíadas, foram utilizadas gravações de bastidores feitas por Marcos Casteluber, agente do surfista e oficial técnico da equipe brasileira de surfe em Tóquio.

O documentário está disponível desde hoje no canal de vídeo da Red Bull.