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Olhar Olímpico

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Primeiro dia ruim é ducha de água fria para os otimistas demais

Arthur Nory disputa o solo na Olimpíada de Tóquio - Ricardo Bufolin/CBG
Arthur Nory disputa o solo na Olimpíada de Tóquio Imagem: Ricardo Bufolin/CBG
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/07/2021 14h04

A fé às vezes nos faz otimistas demais. Só descobrimos isso quando somos contrastados com a realidade. E foi mais ou menos isso que aconteceu com o Brasil hoje (24), no primeiro dia da Olimpíada. Ao analisar friamente, não é que os resultados tenham sido péssimos, como parece. Nós é que estávamos otimistas demais.

E tínhamos razões. Em Londres-2012, ninguém esperava que Sarah Menezes fosse abrir a conta de medalhas do Brasil com um ouro logo no primeiro dia. E que a conta seria dobrada, porque Felipe Kitadai, que não era cotado por quase ninguém, foi bronze. Depois, no Rio-2016, o primeiro dia teve uma inesperada prata de Felipe Wu, do tiro esportivo.

O torcedor ficou mal acostumado e, agora em Tóquio, veio a ducha de água fria para acabar com qualquer excitação exagerada. Não só o Brasil não subiu ao pódio nenhuma vez, como nem sequer ficou perto disso. E quem tinha alguma esperança de ir dormir abraçado a uma medalha voltou para debaixo do cobertor mais cedo.

Há dois anos, Nathalie Moellhausen e Arthur Nory foram campeões mundiais no mesmo dia. Hoje, fracassaram igualmente no mesmo dia. Ela perdeu logo na estreia na esgrima, para outra campeã mundial, italiana, no golden point. Ele teve um dia para esquecer. Foi só 12º na barra fixa, em que era o reinante como melhor do mundo, e, já abalado, caiu de bunda no solo, prova na qual foi bronze no Rio.

Nenhuma das duas medalhas era provável, como não era a de Felipe Wu, que ficou em 32º em uma prova com 36 atletas. Mas os três apareciam em uma lista larga de cotados para o pódio, que tem uns 50 nomes, e agora estão riscados. No judô, sempre cotado por ser o tal "carro-chefe", hoje as expectativas eram baixas, o que se confirmou.

Na natação, Guilherme Costa até se aproximou do seu próprio recorde sul-americano nos 400m livre, mas não pegou final. Mais uma ducha de água fria. E, no 4x100m livre que também não avançou, Etiene Medeiros só não foi mais lenta que duas tchecas e duas atletas de Hong Kong.

Mesmo as boas notícias vêm acompanhadas de um porém. Arthur Zanetti está na final das argolas, porém fez só a quinta melhor nota e deve brigar por bronze. Caio Souza pegou duas finais, no salto e no individual geral, e Diogo Soares uma, no individual geral, mas eles não são cotados para medalha. E Felipe Lima fez o melhor tempo da vida nos 100m peito e se classificou para a semifinal. Porém, mais de um segundo e meio atrás do britânico (e favorito) Adam Peaty.

Amanhã as coisas tendem a ser melhores, por causa de Rebeca Andrade, na ginástica, principalmente. Mas não se assuste se o judô passar em branco de novo (Daniel Cargnin tem chances, ainda que pequenas, e Larissa Pimenta vai precisar ganhar da melhor do mundo), por exemplo. Daquela lista de cotados a medalha, dois competem: Kelvin Hoefler, no skate, e Netinho, no taekwondo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL