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Justiça brasileira extingue processo contra Lochte por confusão na Rio-2016

Ryan Lochte dando entrevista - Matt Hazlett/Getty Images
Ryan Lochte dando entrevista Imagem: Matt Hazlett/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/07/2021 13h48

A Justiça do Rio de Janeiro extinguiu o processo contra o nadador norte-americano Ryan Lochte por falsa denunciação de crime. O caso ocorreu em 2016 e foi uma das principais polêmicas da Olimpíada do Rio. O astro da natação dos Estados Unidos alegou ter sofrido um assalto a mão armada durante a madrugada, junto a outros atletas, mas depois descobriu-se que era uma invenção dele.

A sentença é do último dia 30 de junho. Nela, a juíza Maria Tereza Donatti, titular do 4º Juizado Especial do Leblon, escreveu que o delito previsto no código penal tem pena máxima de seis meses e prescreve depois de três anos. A denúncia foi recebida em 23 de maio de 2018, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizando o Ministério Público a fazê-lo. Assim, a punibilidade já prescreveu.

Após sua participação na Rio-2016, Ryan Lochte afirmou a um canal de televisão dos Estados Unidos ter sido vítima de um assalto, juntamente com outros nadadores, na madrugada de 14 de agosto. Por ato de ofício, a Delegacia de Apoio ao Turismo abriu uma investigação e ouviu o nadador confirmar as alegações. Durante as apurações, os policiais descobriram que elas eram mentirosas.

Imagens do circuito interno de um posto de gasolina mostraram que os nadadores pararam lá, urinaram do lado de fora do banheiro e depredaram uma placa do estabelecimento. Por causa desse episódio, Lochte foi suspenso pela federação de natação dos EUA e perdeu patrocinadores.

No Brasil, o processo judicial teve diversas idas e vindas. Entre as alegações da defesa estava o fato de que Lochte não procurou a Polícia, que abriu a investigação a partir da entrevista à televisão. Em 2017, a 5ª Câmara Criminal do TJ-RJ chegou a arquivar o processo criminal. No ano seguinte, o STJ autorizou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) a prosseguir com o processo.

O norte-americano de 36 não estará em Tóquio. Ele falhou na tentativa de se classificar pela seletiva norte-americana, ficando fora de uma Olimpíada após 17 anos. Dono de doze medalhas olímpicas, sendo seis de ouro, três de prata e três de bronze, Lochte teve o azar de ser contemporâneo do maior nadador de todos os tempos, seu amigo Michael Phelps, com quem rivalizou a maior parte da carreira.

Colaborou Juliana Dal Piva, colunista do UOL.