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Olhar Olímpico

Brasil vai a Tóquio com 75% de atletas vacinados; alguns recusaram

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Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/07/2021 08h01

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) revelou hoje (13) que apenas 75% dos atletas brasileiros inscritos na Olimpíada de Tóquio estão imunizados com as duas doses da vacina contra a covid, ou com a dose única da Janssen em alguns casos. O grupo que tomou ao menos uma dose é maior, de 90%, segundo os números apresentados pelo comitê. A vacinação é altamente recomendada, mas não é obrigatória para participar do evento — entenda aqui.

Durante entrevista coletiva no Japão, o diretor de Esporte do COB, Jorge Bichara, informou que um grupo de atletas optou por não se vacinar. Mas o comitê decidiu não informar o número de esportistas que recusaram a vacina, nem seus nomes. Ainda segundo Bichara, porém, esses atletas serão mais cobrados.

"Como o COI definiu que não era obrigatória, não foi também apresentada como obrigatória para os atletas. Tivemos atletas que optaram por não se vacinar, mas vamos preservar os nomes porque é uma questão de ordem pessoal. Temos nossas convicções, entendemos como muito importante, mas respeitamos as posições de cada um. Vamos cobrar de todos e mais desses atletas os respeitos às condições de seguranças suas e de todo o grupo do qual estão fazendo parte", afirmou.

A vacinação não é obrigatória para participar da Olimpíada, muito menos para ir ao Japão, mas o Comitê Olímpico Internacional (COI) tem insistido na importância da vacinação, pela segurança dos envolvidos com os Jogos e para reduzir a preocupação e a rejeição dos japoneses com relação aos Jogos.

Por isso o COI fechou acordo com a Pfizer e com o Comitê Olímpico Chinês para receber doação de vacinas e as remeteu a diversos países do mundo, incluindo o Brasil. O país recebeu vacinas da Pfizer e da Coronavac, em número três vezes maior do que o necessário (o restante foi para o SUS), em troca de incluir as delegações olímpicas e paraolímpicas, incluindo staff e jornalistas, no grupo prioritário de vacinação. Esse grupo foi vacinado em pontos específicos definidos pelo Ministério da Saúde em parceria com o COB e o Ministério da Defesa.

Parte dos atletas, porém, estava fora do país nos últimos meses, por morar fora (como a ampla maioria das seleções de handebol), ou por estar fazendo sua preparação no exterior. Para vacinar esses esportistas, o COB fechou parcerias com governos e comitê olímpicos nacionais de vários países, como Espanha e Sérvia. Atletas de atletismo e skate aproveitaram viagens aos Estados Unidos para se vacinarem por lá. O comitê não explicou quantos atletas não se vacinaram porque não conseguiram.

Além disso, no caso específico do futebol masculino, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) optou por inicialmente não indicar os atletas que poderiam se vacinar. Isso só foi feito depois da convocação final do grupo. Os jogadores só começaram a tomar a primeira dose na semana passada e tomarão a segunda apenas depois da Olimpíada.

Tamanho da delegação

Os números divulgados pelo COB são relativos a um grupo de 301 atletas, menos do que os mais de 310 que estão sendo considerados pela imprensa como o tamanho da delegação do Time Brasil. O comitê explicou que optou por considerar apenas a relação enviada ao Comitê Olímpico Internacional.

Isso porque em algumas modalidades existe o atleta "alternate", que pode ser traduzido por "substituto". Ele é diferente do reserva, que é um atleta inscrito na competição, mas que pode ou não ser utilizado em um jogo. As regras mudam de modalidade para modalidade, mas o alternate é, via de regra, alguém que vai ao Japão, mas que precisa ocupar a vaga de alguém para poder competir. São substituições feitas principalmente por lesão.

Assim, o Time Brasil tem, oficialmente, 301 atletas e 18 substitutos. Entre os inscritos está Fernanda Borges, do atletismo, que está suspensa por doping, mas será julgada na semana que vem e ainda pode competir na Olimpíada. Mas ela só irá ao Japão se for inocentada e estiver elegível.

Pelos números apresentados hoje, 271 atletas foram vacinados com uma dose da vacina, o que significa que 30 não foram. Já 226 pessoas receberam as duas doses. Assim, são 45 atletas que tomaram uma dose, mas ainda não a segunda.