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Desafiante ao título do UFC, Jennifer Maia pensa em se aposentar em 3 anos

Jennifer Maia, lutadora de MMA - Mike Roach/Zuffa LLC via Getty Images
Jennifer Maia, lutadora de MMA Imagem: Mike Roach/Zuffa LLC via Getty Images

Ana Flávia Oliveira

UOL, em São Paulo

20/11/2020 12h00

Com a difícil missão de derrotar Valentina Shevchenkoa, atual campeã dos peso-moscas (57kg) no UFC 255, neste sábado, em Las Vegas, a brasileira Jennifer Maia, de 32 anos, já faz planos para se aposentar do octógono em três anos.

"Projeto ser a campeã e fazer minha defesa e depois penso em parar porque eu pretendo ter filhos. Estou projetando minha carreira assim: encerrar campeã, para depois aumentar minha família", disse a curitibana em entrevista ao UOL.

Ela sabe que, para concretizar os planos, primeiro precisa passar por Valentina, que está invicta há cinco lutas, desde 2017, quando foi derrotada pela brasileira Amanda Nunes. A baiana, inclusive, é responsável por duas das três únicas derrotas em 20 lutas no cartel da atleta do Quirguistão.

"Ela joga no contra-ataque, ela é muito rápida. Então, eu tenho que cuidar para não dar espaço para ela, não deixar ela jogar no jogo confortável dela. Um dos espaços que eu acho que posso levar a luta para o caminho da vitória é levar a luta para o chão ou fazer um jogo de grade, onde eu posso ser superior a ela".

Maia também comentou sobre a oportunidade de representar o país e tentar reescrever os passos da Leoa, dona de dois cinturões do UFC atualmente. "Eu me sinto muito feliz. Isso mostra que as brasileiras têm muita garra. Tem uma preparação muito forte, tanto fisicamente quando psicologicamente. A gente gosta de ir para luta até o fim com toda a gana, buscando a vitória até o último segundo. Me sinto feliz de representar o meu país".

Com o cartel de 25 lutas, 18 vitórias, seis derrotas e um empate na carreira, a número 3 no ranking da divisão ganhou a oportunidade de enfrentar a atual campeã depois de vencer a escocesa Joanne Calderwood em agosto deste ano. A finalização, uma chave de braço aos 4min29s do primeiro round, rendeu-lhe um bônus por performance da noite e a colocou no radar da organização para desafiar a campeã.

Jennifer Maia aplica chave de braço na escocesa Joanne Calderwood no UFC Fight Night, em agosto de 2020 - Chris Unger/Zuffa LLC via Getty Images - Chris Unger/Zuffa LLC via Getty Images
Jennifer Maia aplica chave de braço na escocesa Joanne Calderwood no UFC Fight Night, em agosto de 2020
Imagem: Chris Unger/Zuffa LLC via Getty Images

Trajetória

Jennifer entrou para o mundo das lutas quando tinha 15 anos, praticando muay Thay. "Eu fui deixando acontecer, me envolvendo cada vez mais com o esporte e comecei a dar aulas. A partir do momento que eu comecei a dar aulas, percebi que aquilo era meu futuro, que eu não ia sair disso. Não me vejo em outra profissão a não ser dentro disso, dando aulas e lutando".

A migração para o MMA foi um processo natural da evolução da atleta, que estreou no Brave em 2009, lutou em torneios menores até chegar ao Invicta, em 2013, no qual foi campeã três anos mais tarde.

"As dificuldades foram de acreditar que um dia eu chegaria aonde estou no atual momento. Até a família, com medo de que eu tivesse um futuro. Foi eu acreditar e persistir que eu ia ser feliz, independentemente de onde eu ia chegar. Eu ia ser feliz fazendo o que eu gostava".

Jennifer estreou no UFC em 2018 e foi derrotada pela norte-americana Liz Carmouche. "A Liz é um atleta muito experiente. Eu fiz minha estreia contra ela e senti muito essa pressão".

Após daquela derrota, acumulou uma sequência de vitórias contra Alexis Davis e Roxanne Modafferi, ambas por decisão unânime. A boa fase rendeu um desafio contra Katlyn Chookagian no UFC 244, mas a brasileira não conseguiu bater o peso pela segunda vez e foi questionada se não deveria mudar de categoria, possibilidade que ela nega.

"A primeira luta é o peso. Eu já tive erros, tive que mudar de estratégias, mudar equipe. Agora mantenho um peso mais baixo durante o camp para chegar aqui na semana da luta e tentar baixar o mais tranquilamente possível, embora sempre seja difícil. É uma coisa que a gente também tem que trabalhar a cabeça para esse momento. Mas não penso em mudar de categoria".

A curitibana também comemora o fato de cada vez mais mulheres têm espaço no mundo das lutas. "Antes nem todos os eventos tinham lutas femininas. Agora todo evento tem pelo menos uma luta feminina. Tem muita gente que gosta de ver as lutas femininas por ser emocionante, as lutadoras partem para briga mesmo. Não se estudam muito".

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