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Marreta temeu nunca mais lutar após enfrentar Jones com joelhos estourados

Thiago Marreta contundiu o joelho durante a luta contra Jon Jones - Christian Petersen/Zuffa LLC
Thiago Marreta contundiu o joelho durante a luta contra Jon Jones Imagem: Christian Petersen/Zuffa LLC

Brunno Carvalho

Do UOL, em São Paulo

15/07/2020 04h00

Thiago Marreta deixou a luta contra Jon Jones achando que nunca mais subiria em um octógono novamente. A preocupação era válida: ele sofreu uma grave lesão durante o combate e precisou operar os dois joelhos. Mais de um ano depois, o brasileiro se prepara para a confirmação de que seu medo não tem mais razão de existir, quando enfrentar Glover Teixeira no card do dia 12 de setembro.

A missão de "Marreta" quando enfrentou Jon Jones em julho do ano passado era daquelas quase impossível. O norte-americano é praticamente imbatível no UFC e detém o recorde de vitórias em lutas por cinturão.

Mas o brasileiro fez um combate duro, ainda que o joelho tenha estourado logo no primeiro round. Com dificuldades para se movimentar e manter o plano inicial, Marreta conseguiu levar a luta até o final, mas perdeu por decisão dividida dos jurados.

Thiago Marreta, durante recuperação de lesão no joelho - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

"Quando eu dei aquele chute no primeiro round, eu senti que tinha algo errado com o meu joelho. Sentir muita dor, mas eu só pensava: 'dei a minha vida toda por esse momento, vou até o fim'. Eu sabia que não estava no meu melhor estado. Tinha que dar o meu melhor com o que eu podia fazer. E foi o que eu fiz", relembra.

Marreta estava certo na previsão de que a lesão era séria. Ele sofreu um rompimento total do ligamento cruzado anterior e rompimentos parciais no ligamento colateral medial e no menisco do joelho esquerdo, além de uma fratura na tíbia. Os cinco rounds lutando machucado renderam uma pressão extra sobre o joelho direito, que também precisou passar por cirurgia, dessa vez para uma pequena correção no menisco.

O medo de nunca mais voltar a lutar já aparecia antes mesmo de entrar na sala de cirurgia. "Eu fiquei muito abatido. O médico e o fisioterapeuta me garantiram que eu ia voltar, mas eu não acreditava".

Quase lá! . Almost there!

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A recuperação durou mais de um ano. As sessões de fisioterapia, que chegaram a ser feitas em casa por causa da pandemia, agora dão lugar aos treinos. Marreta está quase pronto para o confronto que o espera.

"Eu fiquei com receio quando voltei a treinar, mas a emoção de estar fazendo aquilo ali de novo foi bem maior. Fiquei bem emocionado".

A luta contra Glover Teixeira pode recolocar Marreta no caminho do cinturão dos meio-pesados. Vai faltar apenas saber quem será o adversário. Jon Jones ainda é o campeão, mas trava uma batalha com o UFC e já colocou seu título à disposição, prometendo não voltar a lutar com a atual remuneração paga pela organização.

"O Jones está lutando por algo melhor, é o direito dele. Mas eu não concordo que as coisas fiquem paradas. A categoria tem que seguir em frente. Se ele decidir ficar parado mesmo, eles têm que fazer um cinturão interino, alguma coisa. Talvez colocar o Dominick Reyes com o Jan Blachowicz para lutarem", opina Marreta.

Carioca divide seu tempo entre a luta e os projetos sociais

Cria da Cidade de Deus, bairro na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Thiago Marreta possui um projeto social na região, com mais de 200 crianças, que são apresentadas às artes marciais. O próprio lutador do UFC entrou no esporte por meio de um projeto social.

"Como eu comecei em projeto social, eu tinha esse sonho de retribuir o que fizeram por mim e criar o meu próprio. Foi daí que partiu a ideia".

Por causa da pandemia, as aulas estão paradas e a atenção fica no auxílio às famílias da região. "A gente está dando suporte a algumas famílias com cestas básicas e com o que a gente pode até voltar as aulas das crianças", explica.

Além do projeto próprio, Marreta participa da campanha "MMA Social", junto com Legião da Boa Vontade (LBV) e outros atletas de nome do MMA, como Rogério Minotouro, Polyana Viana e Iuri Marajó.

A iniciativa tem como objetivo apoiar os projetos sociais que foram paralisados por causa da pandemia. A ideia é fornecer cestas básicas às famílias durante quatro meses. A logística da entrega dos alimentos aos projetos é feita pela própria LBV, que recebe doações em seu site.

"O LBV, o MMA Social, é uma atividade que tem ajudado várias comunidades e vários projetos sociais de luta. Eles também chegaram aqui e estão ajudando no projeto. Eles ficaram sabendo essa parte social aqui na Cidade de Deus com famílias carentes e entraram em contato", explica Marreta.

"O pessoal da LBV me ligou e me perguntou se eu entrava nessa. Eu topei na hora. Quero ajudar os projetos que não têm condições. Porque esses caras para mim são grandes guerreiros, o pessoal que vive das doações. Eu vivo de uma empresa [Refinaria de Manguinhos] que não me deixa faltar nada", explicou Pedro Rizzo. Ex-desafiante ao cinturão do UFC e atualmente aposentado, ele comanda o projeto social "Usina de Campeões", no Rio de Janeiro.

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