Sem TUF Brasil, UFC vê Contender próximo do que público quer: luta ao vivo

O reality "The Ultimate Fighter" segue vivo nos Estados Unidos e projetou campeões como Michael Bisping e Forrest Griffin, mas a edição brasileira do programa foi descontinuada em 2015 sem ter revelado nomes de peso. O UFC, que completa 25 anos nesta segunda-feira (12), usa o Contender Series como chance de se aproximar do que o público brasileiro realmente prefere ver em um programa de MMA: lutas ao vivo.
Para explicar esta decisão, é importante entender o contexto que embalava o TUF Brasil. Na penúltima temporada, em 2014, o diretor Boninho assumiu o comando do programa; a partir dali, passou a haver também uma disputa para escolher novas octagon girls, mudança que deu ao reality um ar de "Big Brother", com paquera, e o afastou da editoria de jornalismo esportivo da Rede Globo - afinal, Boninho é ligado ao entretenimento.
A fórmula funciona bem com outros reality shows do Brasil, mas, como pontuou Shaw, o fã brasileiro é ligado às artes marciais e espera ver luta, não a vida social de lutadores confinados em uma casa.
"Nossos fãs falam constantemente que eventos ao vivo são o que mais importa para eles. O que temos com o Contender Series é isso: um show que visa o desenvolvimento de novos talentos com lutas ao vivo. Nós não temos mais os lutadores morando juntos em uma casa e toda essa dinâmica. Priorizamos o que o público quer, que são lutas ao vivo", explicou David Shaw, vice-presidente do UFC, ao UOL Esporte.
"Nós mudamos nosso foco para outro formato, o Contender Series, e vimos o sucesso que a versão brasileira teve esse ano, que levou à contratação de vários atletas brasileiros. Três já lutaram no último card em São Paulo", acrescentou, referindo-se a Augusto Sakai, Mayra Bueno e Marina Rodriguez, participantes do Contender contratados pelo UFC.
"Nós sabemos que achar novos campeões é uma tarefa difícil, mas vamos encontrar outros", prometeu David Shaw. "Agora temos um grupo mais sofisticado de pessoas ao redor do mundo que estão dedicadas em achar talentos desconhecidos", comentou o vice-presidente. No Brasil, esta equipe é liderada por Minotauro.
A franquia ainda investe no TUF nos Estados Unidos; em seu posicionamento, o UFC diz não acreditar na hipótese de ter cometido erros na escolha dos lutadores que participavam da versão brasileira do programa.
"Creio que não. O TUF americano desenvolveu vários atletas, mas nós só tivemos quatro edições no Brasil. Se a gente continuasse fazendo, eu não tenho dúvidas que sairiam campeões dali também", explicou David Shaw.
Segundo ele, a ligação do brasileiro com o MMA, que existe muito em função do jiu-jitsu, dava segurança à organização para investir no TUF Brasil. "O que o TUF fez foi criar uma narrativa ao redor dos lutadores e da marca do UFC, que nos permitiu alcançar pessoas novas em diversas regiões. O Brasil já tinha a tradição das artes marciais", completou.
O que o TUF e o Contender têm em comum?
A explicação vem de David Shaw, vice-presidente do UFC:
"A intenção original de programas como o TUF e o Contender Series é ajudar no desenvolvimento e na divulgação de talentos que ainda não foram descobertos. Para nós, havia diferentes objetivos: não só descobrir atletas, mas também fazer produtos de TV que ajudassem a apresentar o esporte para o público em geral ao redor do país."
"Se você parar para pensar, uma das razões pela qual o TUF é tão bem-sucedido é porque as pessoas podem sentar no sofá de casa e assistir a um programa no qual aprendem sobre os atletas, o rigor com que eles treinam, a forma como se preparam para se submeter a todo esse esforço atlético, e as pessoas que eles são."
"Eles dão ao público uma amostra do que é a vida de um lutador de MMA. Ao trazer o TUF pro Brasil, replicamos a fórmula que fez sucesso nos EUA e isso nos ajudou a descobrir atletas que se tornaram bem-sucedidos anos depois."
Veja briga entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen no TUF (e outras polêmicas):
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