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UFC ignora crise e transforma Brasil em central da América Latina

Thiago Marreta no UFC de São Paulo, no dia 23 de setembro de 2018 - Leonardo Benassatto/Reuters
Thiago Marreta no UFC de São Paulo, no dia 23 de setembro de 2018 Imagem: Leonardo Benassatto/Reuters

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

29/09/2018 04h00

Em 2018, o UFC abriu uma nova sede em São Paulo. Ocupa metade de um andar em um prédio comercial da zona oeste da cidade, o mesmo edifício em que fica a sede do Twitter na cidade. Não é por acaso: as duas empresas trabalham em parceria para amplificar o conteúdo produzido pela maior franquia de artes marciais do planeta.

E a escolha de São Paulo não é à toa. Como diz Rodrigo Minotauro, uma das lendas do esporte no mundo e hoje executivo do UFC, “para fazer negócio é preciso estar aqui, né?”. Para o UFC, a resposta é positiva. E nem venha falar de crise para a empresa que, neste ano, completa 25 anos.

“Nós não estamos buscando resultados imediatos. Nosso projeto tem fôlego, é pensado a longo prazo. Estamos falando sobre a nossa história de 25 anos atualmente e, tenho certeza, que vamos seguir investido nos próximos 25 anos”, afirma Dave Shaw, vice-presidente internacional de conteúdo do UFC.

Visão a longo prazo

Nem mesmo a crise econômica brasileira assusta a empresa. A entrevista com o UOL Esporte foi dada quando o dólar batia recordes, próximo de R$ 4,50. “A crise não faz diferença em nosso projeto para o Brasil. É claro que estamos acompanhando o cenário político e econômico com atenção. A revista The Economist, por exemplo, mostrou recentemente que o real está na lista de moedas que mais se desvalorizou em relação ao dólar nos últimos meses. E sabemos que isso está ligado à crise, como os jornais estão chamando, e a essa situação pré-eleitoral. Nós prestamos atenção a isso e nossos setores financeiros estão sempre analisando o cenário para lidar da melhor maneira possível. Mas esse contexto não muda nosso investimento. Ainda vamos fazer três eventos por ano aqui. Estamos fazendo um evento na Argentina, que tem uma situação econômica também complicada”.

Essa confiança vem da importância do Brasil no evento. Em 2018, 40% dos eventos realizados em todo o mundo tiveram pelo menos um brasileiro em sua luta principal. Além disso, dos 90 lutadores com contrato atualmente pela empresa, 16% nasceram por aqui. Além disso, não é coincidência que o acordo com as organizações Globo, incluindo a TV aberta e os canais por assinatura SporTV e Combate, são o segundo mais importante do UFC no planeta.

“Nossa base de fãs basicamente dobrou aqui no Brasil nos últimos meses. É uma prova do tamanho do esforço que dedicamos a esse mercado”, cita Dave Shaw, lembrando que, nas redes sociais, os brasileiros são, também, os mais ativos do mundo, superando os norte-americanos – onde fica a sede da companhia. “Nossa estimativa é que temos 40 milhões de fãs no Brasil. O maior engajamento digital do mundo é dos brasileiros e não é coincidência que todos os formatos de TV que criamos, seja o TUF ou o The Contender (ambos formatos de reality show em que se escolhem novos lutadores para a franquia), são replicados aqui em primeira mão”.

Novos nomes

Há, também, a aposta na criação de novos nomes brasileiros para brilhar no octógono. Atualmente, o país tem duas campeãs, Amanda Nunes e Cris Cyborg, e mais dez nomes no top-5 dos 12 rankings da entidade. Mais do que isso, o próprio UFC aposta em algumas “revelações”, como Paulo Borrachinha (27 anos), Ketlen Vieira (27), Jessica Bata Estaca (27), Raphael Assunção (36) e Renato Moicano (29).

Como você deve ter percebido pela idade, nenhum é jovem para os parâmetros do esporte competitivo comum. Mas quando você olha para o quadro de campões percebe que o MMA não é um esporte para esses jovens. Dos 12 campeões da entidade, só três têm menos de 30 anos: o pena Max Holloway (26), o médio Robert Whittaker (27) e a palha Rose Namajunas (26). E Daniel Cormier, campeão dos meio-pesados e dos pesados ao mesmo tempo, tem 39.

“Quando perguntam sobre o envelhecimento dos lutadores brasileiros, pensando em Vitor (Belfort, 41 anos), Shogun (36) ou Machida (40), eu aponto duas estatísticas. A primeira é dos 40% dos main events com brasileiros. A segunda, são 28 lutadores ranqueados do país. Temos lutadores no crepúsculo das nossas carreiras, mas estamos mais focados novos nomes que estão surgindo. Borrachinha, por exemplo: ele está a uma ou duas lutas da disputa do cinturão”, analisa Shaw.

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