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Wanderlei quer cláusula para "meter a mão" na cara de Sonnen fora da luta

José Ricardo Leite e Renan Prates

Do UOL, em São Paulo

22/10/2013 06h00

Quem acha que a arte de provocar tem em Chael Sonnen o maior expoente no MMA pode estar enganado. Isso porque o astro brasileiro Wanderlei Silva parece cada vez mais pegar gosto em retrucar e tem apimentado (até mais do que o rival) o duelo entre os dois, que acontecerá na final do The Ultimate Fighter Brasil 3.

Nas última semanas, o “Gângster Americano” parece ter sido ofuscado pelo brasileiro na falação, cena rara quando se trata do americano falastrão.  

O ex-campeão do Pride não se limitou só em ficar na provocação verbal e chegou a ir até a um evento em Las Vegas “caçar” o rival que tanto fala mal de seu país. “Ia bater no portão da casa dele lá no Oregon, mas como estou trabalhando muito, não consegui”, disse Wanderlei.

Depois de gravar vídeos e ir até o encontro de Sonnen para fazer ameaças, Wanderlei agora diz que deseja pedir ao UFC liberação para dar uma surra no desafeto fora do octógono sem punição.

“Vou falar para o Dana pedir para assinar um termo de contrato falando que se eu meter a mão cara dele fora do octógono, não vai me dar processo. Se esse cara passar da linha comigo, como fez com o Anderson, eu meto a mão na cara dele”, falou o "Cachorro Louco", como é conhecido, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Confira como foi a entrevista:

UOL Esporte: O vídeo da briga em Las Vegas entre você e o Sonnen foi planejado?
Wanderlei Silva: Ele foi muito desrespeitoso. Falou coisas muito pesadas do nosso país. Não é da boca para fora. É uma pessoa que realmente está precisando de uma lição, pois passou da linha. Não sou cara de ficar falando pelas costas. Ia bater no portão da casa dele lá no Oregon, mas como estou trabalhando muito, não consegui. Uma produtora me falou que ele estaria numa feira no dia que eu ia dar autógrafos lá. Fui no stand que ele estava e falei na cara dele, que estava muito abusado e que eu ia pegá-lo. Ele se assustou, deu pulo, um salto, foi até engraçado. Quando ele me viu, ficou pálido, branco, embranqueceu. Teve um cara que reclamou que eu estava com três caras, mas eles estavam comigo para me tirar e eu não dar na cara dele. A gente tem que se segurar, pois ele é um bunda mole que só fala quando está atrás das câmeras. Se ele se coçasse, eu nocauteava ali mesmo. Vou saber qual é a do cara, é frouxo. Comigo não tem essa, eu faço. Fui lá e falei na cara dele. Agora estou esperando a confirmação dessa luta.

UOL Esporte: O Sonnen ficou incomodado por você estar com a câmera ligada. Acha que foi apelativo?
Wanderlei Silva:
A câmera até é para proteger. Sem câmera ficaria ruim para ele (brinca). É para mostrar ao público a verdade. Alguns vieram dizer que era armação. Armação nada! Fui lá, peitei o cara, falei na cara dele, como um homem deve fazer. Agora não tem armação, foi tudo real, essa é a minha diferença.

UOL Esporte: Ele insiste na tecla de que você recusou a luta anteriormente. Por que ele diz isso se você estava lesionado?
Wanderlei Silva:
Não recusei. É que estou num momento da minha carreira onde posso escolher a hora de lutar. Estou esperando que essa luta seja um evento maior. Não é quando ele quer, é quando eu quero. A estrela da luta sou eu. Ele não tem nocaute da noite, não foi campeão de nada. A luta vai ser quando eu quiser.

UOL Esporte: "Abordar um gângster pode ser perigoso", ameaçou Sonnen. O que achou da ameaça?
Wanderlei Silva:
Esse cara é gângster de playground. Gângster existe de onde eu venho (no Brasil). Os gângsters lá roubam, jogam o julgamento mais para frente. Tem gângster que até assume mandato. Isso que é ser gângster.

UOL Esporte: Muita gente te pede pra machucar o Sonnen nas ruas?
Wanderlei Silva:
Na verdade, o cara mexeu com nosso brio, falou coisas pesadas do nosso país, coisas que nunca se pode falar. Faltou respeito com um povo tão patriota como o nosso. O povo está chateado. O Silva vai lá e vai fazer pelo Brasil.

UOL Esporte: Se você encontrasse o Sonnen agora na sua na frente, o que faria?
Wanderlei Silva:
Aí vou ter que esperar pra ver. Tudo pode acontecer. Inclusive, se essa luta for aí no Brasil, vou falar para o Dana pedir para assinar um termo de contrato falando que se eu meter a mão cara dele fora do octógono, não vai me dar processo. Se esse cara passar da linha comigo, como fez com o Anderson, eu meto a mão na cara dele, nocauteio fora do ringue.

UOL Esporte: O Sonnen fez um poema dizendo que você fedia, em resposta à sua camisa provocativa sobre ele. O que achou?
Wanderlei Silva:
Achei um texto muito mal escrito, de muita falta de criatividade. Estou o destruindo na área dele, que é nos ataques verbais e na questão psicológica. Além de tudo, sou mais inteligente que ele. Vou destruí-lo na área dele. Ele acha que fala bem, mas não me conhece. No meu primeiro vídeo, ele calou a boca, engoliu seco. Meti o dedo na cara dele e vou bater nele na luta.

UOL Esporte: Dana não queria a luta no Brasil por questões de segurança. Concorda com ele?
Wanderlei Silva: Acho que o público do MMA quer ver uma lição de civilidade. Acho que não tem problema nenhum, é até uma oportunidade de mostrar que é um dos esportes mais disciplinados que existe no mundo. Nosso público é civilizado. O único que ia bater nele era eu. Vou bater por todo mundo que quer bater nele. Comentei com o patrão que tinha que fechar o evento em um estádio de futebol com 110 mil cabeças. Seria o maior evento da história, como foi Ali x Foreman na África, que mobilizou o país. Quero que essa luta seja feita no Brasil. Quero que ele leve em consideração que o brasileiro é um dos maiores públicos do mundo. Ele tinha que dar essa luta, esse presente.

UOL Esporte: Em qual estádio você gostaria que fosse a luta?
Wanderlei Silva: Maracanã, né? Maracanã, né? Lugar perfeito.

UOL Esporte: Como está seu treino?
Wanderlei Silva: Estou com 100 kg, forte, pegando ferro pesado, meu jiu-jitsu. Estou me preparando, esperando passar a luta que vai ter (Sonnen x Evans), ver o que o UFC vai querer fazer.

UOL Esporte: Acha que o Sonnen vencerá o Rashad Evans?
Wanderlei Silva:
Acho que nessa luta com o Rashad, o desafio vai ser ele não entregar rápido, como fez com o Jon Jones. Ele fez lutinhas muito fracas. Perdeu para o Anderson no segundo round, Jon Jones no primeiro round e ganhou na sorte do Shogun, que se escapa da guilhotina, iria matá-lo. Agora vai pegar o Rashad, que acho que vai atropelá-lo no primeiro round.

UOL Esporte: Acha que essa sua rixa com o Sonnen é uma forma de reviver as rivalidades antigas no MMA, como a que você tinha com o Rampage, por exemplo?
Wanderlei Silva:
É que não é sempre que aparece um otário desse para falar besteira de você. Todo mundo se respeita. O único bobão é esse. Somos muito profissionais hoje em dia. Quando aparece um cara desse, a gente tem que fazer isso. Não sinto muita saudade disso não. Gosto de chamar atenção pela minha luta. Gosto de ir lá fazer uma boa apresentação, uma luta bem feita. Sempre quando luto, penso no bônus da noite. Ganhei dois nessa última que fiz, foi muito bom.

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