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Enterro de Sabino reúne familiares, esportistas e policiais em Bauru

Judoca Mário Sabino disputou os Jogos Olímpicos de 2000 - Juca Varella/Folhapress
Judoca Mário Sabino disputou os Jogos Olímpicos de 2000 Imagem: Juca Varella/Folhapress

Wagner Carvalho

Colaboração para o UOL, em Bauru

26/10/2019 18h42

Assassinado em Bauru aos 47 anos de idade, Mário Sabino foi sepultado no fim da tarde de hoje (26) na cidade, que fica a 340 quilômetros de São Paulo. Familiares, esportistas e policiais se juntaram e se despediram do ex-judoca.

Com a presença de amigos e admiradores, formou-se uma multidão no Cemitério Jardim Redentor. A esposa Solange Teodoro de Moura Sabino, 43, foi amparada por filhos e familiares.

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Sabino foi sepultado com a farda de militar do Tático Móvel. Uma bandeira do Brasil esteve sobre o caixão do judoca o tempo todo e foi entregue à esposa na hora do sepultamento. Nascido em Bauru, o ex-judoca tinha orgulho de suas origens. É o que conta o ex-colega de tatames Rafael Emídio, que treinou com Sabino desde a infância.

"Passamos por muita coisa juntos, muitas dificuldades. Vida de atleta olímpico no Brasil não é nada fácil, mas tivemos muitas alegrias juntos. Quando conquistei minha faixa preta, o Sabino me abraçou e meu deu a sua faixa preta, dizendo que aquela tinha história e era vitoriosa, que era para eu guardar a minha e usar a sua nas competições. Sempre fiz isso", contou Rafael.

Paulo Fitpaldi, sensei de Judô em Bauru, definiu Sabino como um homem íntegro. "Embora fosse um cara de dois metros de altura e 100 quilos, quem não conhecia o Sabino não fazia ideia do que era encontrar um parceiro, amigo leal, tudo numa pessoa só", afirmou.

"Era uma pessoa recatada, quieta, suave, doce, que conquistou tudo o que sonhou na vida passo a passo com cada gota do seu suor. Sempre dando um exemplo, admirado por todos. Não tinha quem não o reconhecesse e quisesse uma foto como lembrança", completou.

Muito emocionado, o filho do ex-judoca, Mário Sabino Neto, 15, saiu amparado pelos avós logo após o sepultamento. A família deixou o cemitério protegida por policiais militares.

20 anos como policial

O tenente-coronel Ézio Carlos Vieira de Melo, comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI) Bauru, conta que Sabino estava na Polícia Militar há 20 anos. "Profissional exemplar, amigo dos colegas de farda, sempre pronto para o chamamento. Fazia parte da Força Tática, uma polícia treinada para agir em situações de extremo, mas sempre era o bom moço, o judoca amado pelos brasileiros que sempre acompanharam sua carreira esportiva", declarou.

De acordo com o tenente, a corporação já estava acostumada a dividir o Sabino com o esporte. "Ele integrava a comissão técnica de judô do Brasil e sempre era chamado para acompanhar os nossos competidores. Às vezes, competia nas competições master, onde sempre conquistava medalhas", relatou o coronel.

Currículo Campeão

Integrante da comissão técnica da Seleção Brasileira de Judô, Mário Sabino tem um currículo campeão no esporte. Conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos em 2003, na cidade de Santo Domingo, República Dominicana. Em Osaka, no Mundial da categoria, no mesmo ano, garantiu o bronze.

Sabino também representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000) e Atenas (2004). Como membro da comissão técnica da seleção nacional, esteve nas Olimpíadas de Londres (2012) e Rio (2016).

Em agosto deste ano, Sabino foi bicampeão pan-americano master. O segundo título foi conquistado em competição realizada em Lima, no Peru, na categoria até 100 quilos, de 45 a 49 anos. Em 2018, garantiu a conquista em Buenos Aires.

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