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Brasil tem missão no Mundial de Judô: provar que pode ganhar longe de casa

Sorridente, Rafaela Silva exibe medalha de ouro conquistada no Mundial do Rio - REUTERS/Sergio Moraes
Sorridente, Rafaela Silva exibe medalha de ouro conquistada no Mundial do Rio Imagem: REUTERS/Sergio Moraes

Do UOL, em São Paulo

24/08/2014 06h00

João Derly foi campeão mundial em 2005, na cidade do Cairo, no Egito. A conquista é um feito único no judô brasileiro: das cinco medalhas de ouro do país na história da competição, as outras quatro foram obtidas em Mundiais no Rio de Janeiro. A partir da madrugada de domingo para segunda (25), no Mundial da Rússia, disputado na cidade de Chelyabinsk, os atletas do país terão uma nova chance de mostrar que são capazes de vencer fora de casa.

O momento para isso não poderia ser melhor. O Brasil é o país mais vitorioso do judô no planeta em 2014. Nos últimos oitos meses, os brasileiros conquistaram 112 medalhas no circuito mundial, 37 de ouro. A Rússia ocupa o segundo lugar na lista em número de pódios, com 101, mas venceu apenas 16 vezes. O Japão tem 31 ouros, atrás apenas do Brasil, mas com apenas 69 medalhas no total.

O resultado disso é um dos times mais fortes que o Brasil já teve. Dos 18 atletas na Rússia, só quatro (Eric Takabatake, Mariana Silva, Bárbara Timo e Rochele Nunes) não estão entre os dez melhores do mundo em suas categorias. Além disso, a equipe tem uma campeã olímpica (Sarah Menezes), três campeões mundiais (Luciano Correa, Rafaela Silva e Tiago Camilo) e cinco medalhistas em Mundiais ou Olimpíadas (Érika Miranda, Felipe Kitadai, Ketleyn Quadros, Mayra Aguiar e Rafael Silva), sem contar um líder do ranking mundial (Charles Chibana).

O tabu: desde 2005, nenhum ouro

Tanta força será útil: nos últimos três mundiais fora do Brasil, os atletas do país chegaram como favoritos, mas falharam na busca por lugares mais altos no pódio. Em Rotterdan, em 2009, o país vinha de três títulos mundiais, mas saiu da Holanda sem nenhuma medalha. Em Tóquio, em 2010, foram quatro medalhas, mas nenhuma de ouro (e três derrotas em decisões).  Em Paris, em 2011, os brasileiros subiram ao pódio cinco vezes, mais uma vez sem nenhum título.

A volta ao topo do pódio só veio no ano passado, quando o Mundial voltou ao Rio de Janeiro. Após os títulos de João Derly, Luciano Correa e Tiago Camilo no Rio-2007, Rafaela Silva se tornou a primeira brasileira campeã mundial de judô no Rio-2013 – o país levou mais cinco medalhas na competição, com Érika Miranda, Maria Suelen Altheman, Rafael Silva, Sarah Menezes e Mayra Aguiar.

Os destaques do Brasil no Mundial de Judô

  • AFP PHOTO / FRANCK FIFE

    Sarah Menezes (47kg)

    Essa "maldição" afeta principalmente o maior nome do Brasil na modalidade hoje, a piauiense Sarah Menezes. Campeã olímpica em Londres, ela conquistou uma medalha de bronze nos três mundiais que disputou na carreira. Sua maior rival deve ser a mongol Urantsetseg Munkhbat, atual campeã mundial e que derrotou Sarah nas duas últimas vezes que as duas se encontraram.

  • Fernando Maia/UOL

    Rafaela Silva (57kg)

    Atual campeã mundial, pode não ser a líder do ranking mundial, mas é favorita para o torneio na Rússia. Uma curiosidade: criada na Cidade de Deus, ela aprendeu a lutar judô nos núcleos do Instituto Reação, projeto social criado pelo medalhista olímpico Flávio Canto. A outra judoca brasileira da categoria, Ketleyn Quadros, foi bronze nas Olimpíadas de 2008 e é a sexta do ranking mundial.

  • Rodrigo Paradella/UOL

    Charles Chibana (66kg)

    Aos 24 anos, ele chega ao seu segundo mundial como líder do ranking desde abril e em bom momento: venceu o Grand Slam de Tyumen, em julho, considerado o pré-Mundial. Além disso, é o grande nome em uma categoria que tem história: com os dois títulos mundiais de João Derly, a categoria não só é a única do país com duas medalhas de ouro em Mundiais, como a única conquistada fora do país.

  • Emmanuel Dunand/AFP

    Rafael Silva (+ 100kg)

    Ele é o brasileiro que mais pontos tem ranking mundial, lidera a lista dos pesados e vem do título do Grand Slam de Tyumen, também na Rússia. O medalhista olímpico e atual vice-campeão mundial, porém, tem o maior desafio entre todos os judocas do país no Mundial: vencer Teddy Riner, o francês campeão olímpico e seis vezes campeão mundial que não perde uma luta desde 2011.

  • Divulgação/CBJ

    Mayra Aguiar (78 kg)

    A judoca gaúcha tem apenas 23 anos, mas é uma das mais experientes judocas da equipe. Disputou duas Olimpíadas, tem uma medalha olímpica (bronze em 2012) e três em Mundiais (prata em Tóquio-2010 e bronze em Paris-2011 e Rio-2013). Chega ao Mundial como quarta do ranking, mas como favorita ao título.

  • Marcio Rodrigues / MPIX

    Maria Suelen Altheman (60kg) e Felipe Kitadai (60kg)

    Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, ninguém apostava em Kitadai e ele voltou com a medalha de bronze. No Mundial do Rio de Janeiro, Maria Suelen vinha de bons resultados no circuito mundial, mas era uma incógnita. E saiu como vice-campeã. Hoje, os dois são atletas consolidados e podem, sim, sair como campeões mundiais. A peso pesado, aliás, é a vice-líder do ranking mundial.

Programação (lutas começam às 2h. Finais, às 8h)

  • Segunda-feira (25)

    Felipe Kitadai (60kg), Eric Takabatake (60kg) e Sarah Menezes (48kg)

  • Terça-feira (26)

    Charles Chibana (66kg) e Érika Miranda (52kg)

  • Quarta-feira (27)

    Alex Pombo (73kg), Rafaela Silva (57kg) e Ketleyn Quadros (57kg)

  • Quinta-feira (28)

    Victor Penalber (81kg) e Mariana Silva (63kg)

  • Sexta-feira (29)

    Tiago Camilo (90kg), Bárbara Timo (70kg) e Mayra Aguiar (78kg)

  • Sábado (30)

    L.Correa (100kg), R.Silva e D.Moura (+100kg), M.Altheman e R.Nunes (+78kg)

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