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Judô feminino confirma status de potência em Mundial e ofusca masculino

As brasileiras ficaram com o 1º lugar no quadro de medalhas feminino do Mundial do Rio de Janeiro - Divulgação/CBJ
As brasileiras ficaram com o 1º lugar no quadro de medalhas feminino do Mundial do Rio de Janeiro Imagem: Divulgação/CBJ

Rodrigo Farah e Rodrigo Paradella

Do UOL, no Rio de Janeiro

02/09/2013 06h00

Acostumado a ter a equipe masculina como carro-chefe, o judô brasileiro viu as mulheres da delegação ofuscarem os companheiros no Mundial realizado no Rio de Janeiro até o último domingo. O ápice do novo cenário foi a disputa por equipes no dia que encerrou as competições: enquanto os homens foram eliminados na estreia pela 'zebra' Alemanha, as judocas bateram na trave e ficaram com a prata ao perderem para o tradicional Japão por 3 a 2.

O desempenho foi de longe o melhor da equipe feminina em mundiais. Foram seis medalhas, sendo uma delas de ouro, com Rafaela Silva, três de prata (equipes, Érika Miranda e Maria Suellen Altheman) e duas de bronze (Mayra Aguiar e Sarah Menezes). Antes, a melhor performance delas havia sido em Paris-2011, com uma de prata e duas de bronze.

O sucesso das judocas no Rio de Janeiro foi tanto que, sozinhas, elas já superariam o maior número de medalhas de delegações brasileiras em uma só edição, que era de cinco, também na cidade francesa.

Apesar da prata por equipes, o resultado confirmou o status de potência do judô feminino brasileiro. As donas da casa terminaram o Mundial com a primeira posição do quadro de medalhas, se consideradas apenas as mulheres. O país teve o maior número de pódios femininos na competição.

As conquistas tornaram a equipe feminina até mesmo exemplo para os homens, que passam por um momento de reformulação. A CBJ (Confederação Brasileira de Judô) tentará repetir a transformação realizada com as mulheres no time masculino para que o país tenha judocas fortes em todas as categorias nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

“Se não deu certo, precisamos corrigir o trabalho. Da mesma forma que não dava certo no feminino e acabou dando. Precisamos de ajustes. A equipe masculina tem potencial para ter melhores resultados”, disse o gestor de Alto Rendimento da CBJ, Ney Wilson.

Com uma equipe jovem, a tendência é que a seleção feminina ainda renda muitas alegrias ao torcedor brasileiro. Entre as medalhistas no Mundial, apenas Érika Miranda, de 26 anos, supera a faixa dos 25. O país tem suas esperanças em Mayra Aguiar (22), Sarah Menezes (23), Maria Suelen Altheman (25) e na mais jovem delas, a campeã Rafaela Silva, de 21 anos.

  • AFP Photo/Yasuyoshi Chiba

    Aos 21 anos, Rafaela Silva foi a primeira judoca brasileira a se tornar campeã mundial

Masculino decepciona

Enquanto o feminino confirmou que o crescimento nos últimos anos veio para ficar, o time masculino não conseguiu bons resultados mesmo lutando com o apoio da torcida no Rio de Janeiro.

O resultado não agradou aos dirigentes da CBJ, embora a equipe tenha atletas ainda considerados inexperientes em grandes competições, casos de Chibana e Penalber, por exemplo. No entanto, alguns veteranos podem perder espaço, como Bruno Mendonça e Luciano Côrrea, que decepcionaram no torneio.

“Metas são para serem cumpridas. Eles estão levando broncas pelo resultado. Alguns não tiveram o desempenho que deveriam ter. É uma equipe talentosa, mas que não foi bem nessa competição”, lamentou Ney.

O certo é que os homens ainda terão que evoluir muito para voltarem ao posto de carro-chefe da modalidade. Com o judô feminino em alta, a competição parece dura para os companheiros de seleção brasileira.

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