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Revelação do handebol brasileiro foi artilheiro treinando de madrugada

Wander Roberto/Inovafoto
Imagem: Wander Roberto/Inovafoto

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

11/01/2015 06h00

O handebol masculino brasileiro ainda busca seu lugar na elite da modalidade. Até hoje, a melhor colocação do país em Mundiais adultos é um 13º lugar, do Mundial de 2013. A evolução, porém, passa pelas mãos de atletas como José Guilherme Toledo.

Aos 21 anos, completados neste domingo (11), ele disputará, a partir de quinta-feira, no Qatar, seu primeiro Mundial. Mas com uma vantagem que nenhum atleta brasileiro antes dele teve: Zé Guilherme é o único brasileiro até hoje a ser artilheiro em um campeonato mundial da modalidade. Em 2013, ele foi o maior goleador da versão júnior do torneio, disputado na Hungria.

O mais curioso do torneio, porém, foi a preparação brasileira para a competição. Como o time chegaria ao país europeu em cima da hora para a competição, o jeito para adaptar a equipe à diferença de cinco horas foi treinar de madrugada. “Nós acordávamos às três da manhã, treinávamos às quatro”, lembra.

O resultado foi a melhor colocação da história do país na competição, o nono lugar. Mas o feito mais importante foi o de José Guilherme. Ele marcou 64 gols em quadras húngaras. Terminou empatado com o romeno Nicusor Negru, mas levou vantagem nos critérios de desempate: seu rival era o cobrador de sete metros (o pênalti do handebol) de sua equipe e o Brasil terminou a frente da Romênia.

O desempenho do jogador, porém, surpreendeu quem o acompanhava. Um deles foi o técnico da seleção principal, o espanhol Jordi Ribera. “É um jogador que teve uma evolução espetacular. No começo de 2013, tinha dez quilos a menos e se machucou no meio de um dos nossos períodos de treinamento. Uma lesão séria, que exigiu operação. Quando voltou, depois de três meses, estava tão bem que o levei até para o Mundial Júnior”, conta o espanhol.

A rápida evolução fez José Guilherme chamar atenção, também, de clubes do exterior. No fim de 2013, ele trocou Camboriú, no litoral de Santa Catarina, pelo Granollers, da Espanha. Hoje, virou peça-chave na seleção: disputou o último sul-americano e vai para seu primeiro mundial. “É gratificante chegar à seleção adulta, mas também dá um pouco de medo. Tenho de me soltar mais. O bom é que o Jordi trata todos iguais. Exige muito, não importa se você é jovem ou velho”.

O técnico também elogia o pupilo. Mas fez uma ressalva: com 21 anos, ainda falta experiência para o jogador. “Ele vai ser uma peça muito importante. É um armador canhoto, o posto mais difícil de encontrar alternativas no esporte. Ele reúne as características físicas e técnicas para essa vaga. Resta saber se ele vai continuar sua evolução. Porque tem coisas que você só aprende com tempo de quadra, jogando. Isso não conseguimos ensinar”.

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