! Itália decide parar para refletir e reagir contra violência nos estádios - 03/02/2007 - UOL Esporte - Futebol
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  03/02/2007 - 15h35
Itália decide parar para refletir e reagir contra violência nos estádios

Das agências internacionais
Em Roma (Itália)

A onda de violência nos estádios italianos chegou a um nível considerado intolerável no país depois da morte de um policial durante a partida da última sexta-feira entre Catania e Palermo, incidente que leva o futebol local à segunda profunda reflexão sobre estrutura, comportamento e organização em menos de um ano.

VIOLÊNCIA FAZ ITÁLIA PARAR
Reuters
Jogadores sofrem com bombas de efeito moral utilizadas pela polícia no incidente
EFE
Torcedor ferido é atendido durante a partida entre Catania e Palermo na Sicília
EFE
Foto do policial Filippo Raciti, morto durante enfrentamento de torcedores
AFP
Torcedor deposita flores no local onde o policial teria sido atingido após o jogo
RODADA É PARALISADA NA ITÁLIA
POLÍCIA DETÉM SUSPEITOS
PÁGINA DO CAMPEONATO ITALIANO
Meses depois da crise provocada pelo envolvimento dos grandes clubes do país em corrupção de arbitragem, os atuais campeões mundiais se vêem agora obrigados a debater como revitalizar segurança e comportamento dentro dos estádios.

Depois de anos de comportamento violento de torcedores, o universo de futebol na Itália, numa reação de emergência, resolveu parar.

De imediato à morte do policial Filippo Raciti no clássico da Sicília, a federação local decidiu suspender toda a rodada do final de semana e também cancelou o amistoso da seleção campeã mundial contra a Romênia, jogo que aconteceria na próxima quarta-feira.

"Não pode continuar assim. Não fazemos o que sempre prometemos (para acabar com a violência no futebol). Já se perdeu muito tempo", comentou Roberto Donadoni, técnico da seleção italiana. "Temos falado desses incidentes durante anos, mas eles seguem ocorrendo. É o momento de se tomar ações apropriadas, dar passos concretos", completou o treinador.

Neste sábado, o CONI (Comitê Olímpico Nacional Italiano) anunciou que as eleições na federação de futebol, marcadas inicialmente para março, também estão adiadas.

"A eleição é a última das nossas preocupações. O prioritário é resolver o problema da violência", disse Gianni Petrucci, presidente do CONI.

Luca Pancalli, atual comissário extraordinário da federação de futebol, assumiu o cargo em 21 de setembro de 2006 por causa do escândalo da manipulação de resultados no Campeonato Italiano.

Neste sábado, a imprensa italiana reagiu aos incidentes da Sicília afirmando que o futebol do país se tornou "louco e assassino". O jornal Gazzetta dello Sport, mais popular periódico esportivo local, dedicou seis páginas à cobertura da violência no jogo entre Catania e Palermo.

Investigações
O policial Filippo Raciti, de 38 anos, morreu na sexta-feira à noite no meio de uma gigantesca batalha campal dentro e fora do estádio Angelo Massimino, onde era disputado o clássico siciliano entre Catania e Palermo (partida que terminou com o placar de 2 a 1 a favor dos visitantes).

Suspender uma rodada completa de futebol não é algo inédito na Itália. Há 12 anos, o país viveu a mesma situação. Em 5 de fevereiro de 1995, as competições do país foram paralisadas em todas suas divisões após a morte de um torcedor.

Na oportunidade, Vicenzo Spagnolo, fã do Genova, faleceu após as confusões que interromperam o duelo diante do Milan. As arquibancadas viraram palco de violência e o jogo foi paralisado ainda no primeiro tempo.
HÁ 12 ANOS...
Raciti foi atingido no rosto por um petardo, conhecido na Itália como "carta-bomba", lançado contra o agente por um torcedor ainda não identificado.

Outro policial, ferido gravemente, se recuperou no hospital durante a noite e está "fora de perigo", segundo os médicos. No total, 71 pessoas foram atendidas nos hospitais de Catania.

Segundo a Polícia informou à imprensa do país, nove torcedores foram detidos, entre eles quatro menores de idade. Mas, segundo as autoridades locais, nenhum deles, a princípio, está relacionado diretamente com a morte do agente. Os fãs de Catania e Palermo presos teriam participado dos confrontos com os policiais.

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