! CRM-SP aponta lei para morosidade na sindicância do caso Serginho - 29/10/2004 - UOL Esporte - Futebol

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  29/10/2004 - 15h26
CRM-SP aponta lei para morosidade na sindicância do caso Serginho

Ricardo Zanei
Em São Paulo

TRAGÉDIA NO MORUMBI

Serginho cai sozinho...


...é socorrido até pelo médico do São Paulo


...carrinho chega para transportá-lo à ambulância


jogadores vão à loucura com demora da ambulância


...zagueiro é colocado no carrinho e médicos tentam reanimá-lo, sem sucesso


...de ambulância, Serginho vai ao hospital, onde chega desacordado, mas com vida


...apesar das orações e votos, zagueiro não resiste e morre no hospital
Depois da polícia, a medicina. O presidente do CRM-SP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), Clóvis Francisco Constantino, informou nesta sexta-feira que o órgão já abriu uma sindicância para analisar o caso do zagueiro Serginho, do São Caetano. Mas uma resposta sobre a averiguação ainda não tem data para ser divulgada.

"Por força de lei (resolução número 1.617 do Conselho Federal de Medicina), toda essa documentação é requerida por escrito e isso demanda algum período de tempo. Por nós, seria rápido, mas não depende só da gente", informou Constantino.

De acordo com a resolução número 83 do CRM-SP, o prazo para que as partes sejam comunicadas sobre a abertura da sindicância é de 15 dias. O prazo para esclarecimento por escrito também é de 15 dias, contados a partir do recebimento da solicitação.

Já o prazo para o encaminhamento da decisão da CEM (Comissão de Ética Médica) é de 60 dias a partir da data da denúncia, prorrogáveis por mais 60 dias, mediante solicitação ao presidente do CRM-SP.

Serginho faleceu às 22h45 da última quarta-feira, depois de ter sofrido uma parada cardiorrespiratória durante a partida contra o São Paulo, no estádio do Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro.

"Já foi aberta a sindicância. Qualquer situação que coloca em dúvida um caso de assistência médica, o CRM abre sindicância para avaliá-la. O resultado dela tem dois caminhos. O arquivamento, caso não demonstre nenhum problema ou, se tiver problema, abre-se um processo", revelou Constantino.

O CRM segue assim o mesmo caminho da polícia. O delegado Guaracy Moreira Filho, do 34º Distrito Policial de São Paulo (Vila Sônia), abriu na noite da quinta-feira um inquérito policial para investigar se houve negligência ou imprudência na morte de Serginho.

Além dos documentos de ordem médica, todo o material veiculado sobre o caso será utilizado na análise. "A sindicância é a coleta de documentação, incluindo depoimentos, testemunhos, imagens de televisão, enfim, qualquer coisa que pode ser usada. Mas principalmente a documentação oficial, como prontuários médicos e receitas."

O prontuário médico, onde consta todo o histórico de Serginho, é um dos pontos que será analisado pelo CRM. "Sem dúvida, essa documentação será requisitada e o conselho vai averiguar em suas câmaras de análise. Por questões éticas e legais, é uma documentação sigilosa."

O resultado da autópsia do jogador, realizada no Centro de Verificação de Óbitos do Hospital das Clínicas, em São Paulo, também é outro documento que será observado. Por meio dele é apontada a causa real da morte do atleta.

Esperava-se que o resultado deste exame fosse divulgado mas, até o momento, a família não liberou a veiculação do documento. "A autópsia é um dado médico que, se a família quiser divulgar, ela pode fazê-lo. Nós também faremos a requisição e teremos esse documento, mas a divulgação pública é de responsabilidade exclusiva da família", explicou Constantino.

Todos os pontos que ganharam polêmica por causa da imprensa, como a entrada ou não da ambulância no gramado do Morumbi, o uso imediato de um desfibrilador em Serginho, a perda de tempo no atendimento ao atleta, e o suposto problema que ele tinha no coração, faz parte da análise que será feita pela entidade.

"Vamos analisar para ver se houve algum problema em qualquer ponto do atendimento ou no histórico médico do jogador. A sindicância pode encontrar uma falha em qualquer momento", disse Constantino.

Além da documentação, os médicos envolvidos no caso, como Paulo Forte, do São Caetano, José Sanchez e Marco Aurélio Cunha, do São Paulo, e toda a equipe envolvida na remoção e nos cuidados a Serginho no hospital São Luiz, nas proximidades do Morumbi, serão ouvidos.

"Ou eles serão ouvidos, ou serão instados a fazerem um relatório para nós. Muitos médicos, por problemas de agenda, acabam fazendo um relatório por escrito. O que os médicos falarem ou o que escreverem será comparado para tirarmos uma conclusão", destacou Constantino.

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Veja vídeo da tragédia:


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