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Artigo: 'Meu personagem da semana'

06/04/2022 10h46


"A burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza" (Nelson Rodrigues).

Uma vez mais, vou invocar meu grande ídolo, Nelson Rodrigues, e reescrever sua coluna o Personagem da Semana. Sei que é um grande atrevimento.
Terminaram os campeonatos regionais, e com o Fluminense campeão no Rio de Janeiro, este personagem tinha tudo para ser tricolor.

Apesar da imprensa tentar tirar todo o brilho das disputas, do Rio de Janeiro e de São Paulo, principalmente, sob olhar dos patrocinadores, dos torcedores, dos amantes do esporte bretão, tivemos jogos eletrizantes culminando com as finais.

Com este fato, Nelson Rodrigues apontaria o artilheiro tricolor Cano como o seu personagem. Afinal, seu coração pulsava pelo pó de arroz das Laranjeiras.
Eu vou pedir permissão a ele, como criador da coluna, e a você, como leitor, para apontar um outro personagem, mas sob a ótica do marketing do esporte, que é o meu assunto.

Não é de hoje que os profissionais do futebol se metem em grandes confusões por conta de postagens nas redes sociais.

Também não é de hoje que esses atletas, ao marcarem um gol, tiram suas camisas, privando o patrocinador das melhores fotos com suas respectivas marcas.

Outro fato corriqueiro são as brigas, por motivos que, racionalmente, não fazem muito sentido, se analisados alguns minutos depois. Parece difícil a estes profissionais entenderem que, quando se tornam ídolos, assumem um papel muito maior do que ser simplesmente um jogador de futebol.

Quantas crianças são registradas com o nome destes personagens, por exemplo? Entretanto, não vi, não vejo, e muito provavelmente não verei, nenhuma das empresas envolvidas nas disputas se manifestarem em relação a estes fatos, que só contribuem para gerar mais violência nos estádios e no final do dia contribuem para diminuir os valores pagos aos clubes.

Vi um vídeo postado no Instagram em que uma quantidade de torcedores de um determinado time agrediram um homem, acompanhado de sua filha, somente porque torcia para o adversário. O que ele fez? Estava no lugar errado, ainda fora do estádio. Uma covardia.

O atleta precisa se convencer de que ele é exemplo para seus torcedores e admiradores. O clube tem que colocar em seu planejamento de marketing que estas atitudes são muito prejudiciais à sua própria marca e a seus patrocinadores e, por isso, coibi-las será sempre o melhor caminho.

E os organizadores, os que compraram os naming rights do campeonato, bem estes não convém nem comentar, tal o despreparo para enfrentar estes eventos.

Mas o nosso assunto aqui é o Personagem da Semana. Além do artilheiro da final carioca, poderíamos indicar também as quatro torcidas envolvidas, que deram um show à parte durante os 180 minutos de bola rolando. Uma energia fantástica vinda das arquibancadas.

Não é à toa que os três estádios envolvidos estiveram sempre lotados.
Poderíamos destacar também os dois técnicos campeões por seus trabalhos, com maior destaque para o campeão de São Paulo, o Palmeiras, por sua recente e vitoriosa trajetória.

Diria nosso Nelson que tudo isso estava escrito há 400 anos, antes mesmo do trilar do apito do árbitro que daria início a competição.

Quis o destino que a final do Rio de Janeiro tenha caído num sábado e a de São Paulo, no domingo. Um grande perigo, pois o Sobrenatural de Almeida poderia atacar nas duas pelejas.

Sensacionais, foram os dois últimos confrontos, com maior destaque para o que aconteceu no Allianz Park, dado a dramaticidade do jogo em si.
Acho que todos, podem e devem aplaudir e reconhecer os resultados.

Mas, quero voltar ao Personagem da Semana. E ele aparece uma única vez. Simples. Aliás, sendo mais correto, ele não aparece. Mas traz para nós uma imagem reveladora. Um momento absolutamente revelador. Uma cena das mais ridículas que eu já vi. Delegação do São Paulo deixando o estádio.
Claro, os atletas decepcionados. Num determinado momento, um menino parece estar filmando a passagem dos são-paulinos. Ele, com a camisa do Palmeiras. Ao passar pelo garoto, o atacante do São Paulo Calleri, dá um tapa na mão do garoto jogando seu celular ao chão.

Os jogadores continuam a caminhar. A filmagem para. O problema é que o vídeo viralizou, óbvio. Esteve em todos os veículos de comunicação da segunda feira, 4 de abril. O campeonato não precisava desta atitude. Nenhum dos envolvidos nas disputas precisava. O clube, também não precisava.

Para mim, no mínimo, o São Paulo deveria enviar um pedido de desculpas, principalmente ao menino, que teve seu celular danificado, e claro acompanhado de um celular novo, o mais caro que exista.

Mas as notícias dão conta que Calleri se dispôs a pagar o conserto do aparelho. Para o que ele recebe mensalmente, esta soma representará um enorme esforço financeiro de sua parte.

Caros leitores e leitoras, até quando teremos ídolos que não têm a menor ideia do que representam para seus fãs, para o esporte, para toda a classe de atletas, para a sociedade?

Não sei quem fez este registro. Mas ele acabou revelando uma cena, que normalmente ninguém veria, e que mostra o total desrespeito a quem é a razão de tudo existir: o torcedor. E neste caso um menino.

Enfim, mas graças ao Personagem da Semana tivemos conhecimento do que acabou rolando. Por isso, o Meu Personagem da Semana, é um anônimo.

Em tempo: nós não nos acostumamos. Tudo que é ruim, sempre pode piorar. Acabei de saber que a Federação Paulista de Futebol premiou Calleri pelo seu desempenho. Desta forma peço desculpas a quem chegou até aqui. Devo estar avaliando da forma equivocada, o que é desempenho.

Saudações."


*Luiz Fernando Coelho é Jornalista. Tem MBA em Marketing pela PUC-RJ. Atuou em grandes empresas na área de marketing. Sua última participação corporativa foi no Bradesco, tendo atuação importante no marketing do esporte (Projeto BCN/FINASA OSASCO, OLÍMPIADAS RIO 2016). Nos Jogos do Rio, criou a CASA DO VOLEI para a Federação Internacional de Vôlei. É voluntário da SOU DO ESPORTE na área de planejamento de marketing.

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